40% dos professores afastados por saúde têm depressão, aponta estudo

 

by literatortura|March 22, 2013

 

Por Débora Aguillar, 

Uma pesquisa feita pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do estado de São Paulo revelou que 40% dos professores afastados por problemas de saúde tiveram problemas psiquiátricos, sendo eles, a maioria, por depressão e ansiedade. Não é novidade nenhuma que a profissão de mestre e docente é bastante desvalorizada, principalmente pelo excesso de trabalho e falta de respeito dentro das salas de aula.

O salário é “mínimo” e as boas oportunidades, absurdamente escassas. Nos últimos anos, a dificuldade em tirar dúvidas, pôr ordem na sala, lidar com problemas vocais, pessoais e profissionais, aumentaram a possibilidade para o desânimo e o desespero.

De acordo com o G1(S. Carlos e Araraquara),  a professora Elaine Cristina Molina Gil teve sua vida revirada de cabeça para baixo há três anos, depois que entrou em depressão por conta das aulas que lecionava em escolas públicas por 22 anos. Elaine tomava  oito remédios por dia, alguns deles tarja preta. Ela, como qualquer ser humano normal, não resistiu a pressão.

A professora tirou 12 licenças médicas e ficou quase um ano afastada do trabalho·  “O pouco interesse, a bagunça, a conversa, o desrespeito. E quando você chama o pai ele diz que não pode fazer nada. Eu comecei a sentir uma angústia e me perguntei o que estou fazendo aqui?”,  desabafa ao G1.

O estudo revelou ainda que 59% dos professores com depressão não tem acompanhamento médico, o que é extremamente perigoso, pois, mesmo a depressão sendo muito comum nos dias de hoje, ela não é algo simples, é envolto a pensamentos  e ações que em uma bola de neve podem se agravar. Sem cuidados médicos, a melhora do paciente torna-se muito mais difícil. Até porque o excesso de trabalho, muitas vezes, prejudica o profissional a buscar ajuda.

“A maioria dos professores tem dupla ou tripla jornada de trabalho, muitas vezes ultrapassando 11 horas de trabalho  com aluno e isso certamente não é recomendável “ afirmou Ariovaldo de Camargo, diretor da Apeoesp em Araraquara(SP).

Por mês, o psiquiatra Marcos Nogueira, atende, em média, três professores na rede estadual. Todos são muito parecidos “A falta de respeito, a falta de educação e violência por parte dos alunos” comenta Nogueira.

Na maioria dos casos, os docentes precisam ser afastados do trabalho e muitos tendem a ter dificuldades para retornar a sala de aula.

“ Se não fizer direito o tratamento e não fizer uma terapia de apoio para suportar a situação, recai a doença”.  Reforçou Nogueira.

Aliás, recentemente tem se noticiado muito sobre a falta de professores em disciplinas básicas como Biologia, química, geografia etc. Pessoas que, apesar de buscarem a profissão de professor, ficam receosas pelo salário baixo, estrutura precária e, inclusive, grande risco de maus tratos dentro da sala de aula.

É interessante ver que algumas matérias que saem na “Grande Mídia” parecem culpar os estudantes da área por isso. Como se todos tivessem de abrir mão de uma trabalho, na maioria das vezes, mais recompensador, financeiramente falando, e menos estressante, para suprir uma falha da política brasileira.

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Débora Aguilar Silveira
Débora Aguilar, 18 anos, estudante de jornalismo, poetisa e escritora. Viciada em leitura desde os 11 anos de idade, tem como livro favorito a saga Harry Potter. Apesar disso, a maior inspiração é Clarice Lispector. Rockeira que quer fazer jornalismo literário e, quem sabe um dia, ser editora chefe de um grande jornal.

 

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