Marco Feliciano diz que direitos das mulheres atingem a família!

 

by literatortura|March 21, 2013

 

Por Gustavo Magnani,

Marcos Feliciano e Silas Malafaia se alternam pra chamar atenção da população de uma maneira caluniosa para com a comunidade  feminina, LGBT e, também, evangélica. Lá vamos nós, senhores:

As críticas do atual presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados, Marco Feliciano (PSC-SP), avançam também em outra direção: o direito das mulheres. Em entrevista para o livro “Religiões e política; uma análise da atuação dos parlamentares evangélicos sobre direitos das mulheres e LGBTs no Brasil”, ao qual O GLOBO teve acesso, o deputado critica as reivindicações do movimento feminista e afirma ser contra as suas lutas porque elas podem conduzir a uma sociedade predominantemente homossexual.

Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo, e que vão gozar dos prazeres de uma união e não vão ter filhos. Eu vejo de uma maneira sutil atingir a família; quando você estimula as pessoas a liberarem os seus instintos e conviverem com pessoas do mesmo sexo, você destrói a família, cria-se uma sociedade onde só tem homossexuais, você vê que essa sociedade tende a desaparecer porque ela não gera filhos”, diz ele na página 155, em declaração dada em junho de 2012.  [retirado de oglobo] 

As falas de Marcos Feliciano, infelizmente, retratam a visão de boa parte dos líderes das igrejas evangélicas. Basta uma procura rápida no youtube sobre congressos femininos da religião, que você verá o quão submissas essas mulheres se mostram. É claro que, precisamos compreender, se elas estão felizes e bem assim, é direito delas. Você, eu, o Femen, pode não gostar, mas se elas gostam, sem problemas. Que sejam felizes.

Algumas pessoas podem dizer que isso é imposto pela sociedade em que elas vivem. E, sim, é verdade. Do mesmo jeito que a sociedade em que “nós” vivemos, nos impõe valores diferentes que, para nós, são óbvios, naturais e, quando violados são um absurdo. O modo de vida delas não é o modo de vida que eu desejo pra minha namorada, pra minha filha, nem pra minha mãe. Mas, é delas e eu respeito. Ótimo. Por que escrever sobre isso? Porque muitas vezes nós percebemos a prisão dos outros, mas achamos que a nossa é menos apertada [se for, ótimo, mas…]

Paulo Victor Lopes Leite, pesquisador do Instituto de Estudos da Religião e um dos autores do livro mencionado pela globo, diz que a posição de Feliciano não é única: 

“Constatamos que os parlamentares evangélicos trabalham com a ideia de pânico moral, que se manifesta sempre que qualquer atitude ou comportamento se mostra diferente do conceito de família patriarcal, com pai, mãe e filhos. É a ideia de pânico moral que faz com que rejeitem qualquer transformação natural da sociedade, como o casamento igualitário e a necessidade de se discutir a legalização do aborto” [retirado de oglobo]

Muita coisa já foi dita sobre o pastor. Desde colocações cuidadosas à difamações. Assim, muitos de seus fiéis saiem em defesa questionando por que diabos as pessoas não respeitam os evangélicos. Primeiro que eu não gosto de colocar todos os evangélicos no mesmo saco, pois conheço pessoas dessa religião que são fantásticas, excepcionais. Por isso, usarei aspas. Os “evangélicos” acabam não entendendo que a visão de seu “líder/pregador” é muito mais ofensiva do que um simples “filha da puta, gay enrustido, filho do demônio” e outras coisas que já li por aí.

Marcos Feliciano não é ofendido por ser evangélico, é ofendido por querer disseminar sua visão patriarcal e ultrapassada para o resto da sociedade, qualificando pessoas e doenças de maneira bestial, tanto nos meios científicos, quanto espirituais, quanto sociais. AIDS = câncer gay? Mulher trabalhadora = “fim da família”? 

Pelo que me recordo, a bíblia prega, sim, a submissão feminina, mas, em termos poucas vezes explicitados – por favor, não é uma defesa ao livro cristão -, é uma observação de alguém que já leu toda a obra. Ela fala do respeito, da paixão, do cuidado e de outras coisas mais, que o marido deveria ter para com sua mulher. É algo ultrapassado? Para um trecho de mais de 3.000 anos? Eu acho que não. O problema é o que os leitores fazem com a respectiva mensagem nos dias de hoje. 

Enfim, para o gosto ou desgosto de Feliciano, as mulheres têm vencido e aparecido cada vez mais, na família, na empresa, na política, na arte, em todos os âmbitos da sociedade. E que tanto elas, que são o ataque principal da última mensagem, quanto os gays – alvo permanente e imutável -, adquiram seus direitos. O que devemos fazer – creio eu – é refutar e lutar, com coerência e cuidado, para não permitir que tal visão de mundo se alastre para um âmbito político, criando uma certa ditadura implítica da “boa moral e dos bons costumes”. 

Não esqueça de curtir e comentar! 

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Gustavo Magnani, estudante de Letras da UFPR, proprietário do literatortura. Está revisando o primeiro livro, mas sente dificuldades hercúleas para escrever uma bio. [e, como pode-se notar, adora metalinguagem]

 

 

 

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