Papa Francisco lê e recomenda os livros de J.R.R.Tolkien

 

by literatortura|March 23, 2013

 

Por Gustavo Magnani,

Foi o novo papa assumir e várias coisas de sua vida passaram a ser divulgadas e investigadas. O blog italiano Inoltre afirmou que Francisco I não só leu a obra de Tolkien, como a recomenda fortemente. Borges e Dostoiévski são outros escritores admirados pelo argentino. Mas, o criador de Senhor dos Anéis é tão notável que já foi utilizado em um sermão na homillia de uma missa pascal, no ano de 2008:

“Na literatura contemporanea Tolkien retrata em Bilbo e Frodo a imagem do homem que é chamado a caminhar e seus heróis conhecer e aplicar, apenas andando, o drama da escolha “entre o bem e o mal”. Mas é uma luta, acrescenta ele, em que não falta a dimensão do “conforto e da esperança” . “O homem no caminho – explica – tem dentro de si a dimensão da esperança: aprofunda-se na esperança. Em toda a mitologia e nessa história ressoa o eco do fato de que o homem é um ser ainda cansado, mas é chamado ao caminho, e se não entrar nesta dimensão desaparece como pessoa e se corrompe”.

Não é novidade para ninguém o viés religioso que a obra de Tolkien contém. Tanto é que em 2003, o “L’Osservatore Romano”, jornal do vaticano, indicou os livros e disse que eles são de uma “inspiração católica”. Destacava o jornal:  “(o mundoo de tolkien) como uma projeção do mundo real, onde os homens são agitados por paixões, impulsionado por sentimentos, escravos do egoísmo, mas aberto aos valores de amizade, amor generosidade, lealdade – mais forte do que a vontade de poder que assola a humanidade.“

Vejam bem, ninguém está tentando reduzir o incrível universo tolkiano a uma pregação religiosa. O escritor criou um universo riquíssimo em detalhes, que encanta milhões de leitores até hoje e que, logicamente, também possui influências de outras culturas e religiões – até porque o catolicismo também é assim. Isso não aumenta, nem diminui a grandiosidade dos livros, apenas serve como curiosidade e análise das alegorias utilizadas. Tolkien, inclusive, é “famoso” por ter convertido o amigo e também escritor de fantasia, C.S Lewis, que era ateu.

O autor tem uma origem muito ligada ao catolicismo, pois foi criado pelo Padre Francis Morgan, assim que sua mãe faleceu. Notável saber que ele chegou até a traduzir o livro de Jonas – direto da língua original – para o inglês. A tradução fez parte da Bíblia de Jerusalém em 1996. Aliás, John Tolkien, filho mais velho do escritor, tornou-se padre na Inglaterra. Sobre a obra do pai, ele declarou:

“O Senhor dos Anéis obviamente é uma obra fundamentalmente religiosa e católica; inconscientemente no início, mas conscientemente na revisão. E por isso que não introduzi, ou suprimi, praticamente todas as referências a qualquer coisa como “religião”, a cultos ou práticas, no mundo imaginário. Pois o elemento religioso é absorvido na história e no simbolismo. Contudo, está expresso de modo muito desajeitado e soa mais presunçoso do que percebo. Pois, na realidade, planejei muito pouco conscientemente; e devo mormente ser gratopor ter sido criado (desde que eu tinha oito anos) em uma Fé que me nutriu e ensinou todo o pouco que sei; e isso devo à minha mãe, que se apegou à sua religião e morreu jovem, em grande parte devido às dificuldades da pobreza resultante de tal ato”.(Carta 142, 02 de dezembro de 1954, As Cartas de J.R.R.Tolkien, ed. arteeletra, curitiba, 2006).

O site Tolkien Brasil ainda citou o Padre Paulo Ricardo, famoso para boa parte dos leitores do mundo de Senhor dos Anéis, pois ele já abordou várias vezes em vídeos e sermões. Caso queira conferir, os videos estão disponibilizados abaixo.

Para finalizar, o papa Francisco vem se mostrando uma figura bastante carismática e, fatos como esse, mesmo que indiretamente, mexem com a reputação do bispo de Roma.  Não posso deixar de citar as declarações relacionadas ao suposto apoio [ou indiferença] que o pontíficie tratou a ditadura na Argentina. Alguns dizem que ele apoiou, outros que lutou contra. Por hora, prefiro não me manifestar sobre e esperar as coisas tornarem-se um pouco mais palpáveis. Por hora, sigamos o conselho papal e vamos conhecer ainda mais a obra do gênio que foi Tolkien!

 

 

 

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