DECLARAÇÕES DE MUJICA

Mujica compara mercado ilegal de maconha com prática de abortos clandestinos

by luizmullerpt

Ao falar sobre o projeto de lei para legalizar o consumo e a venda de maconha cedendo o controle ao Estado, o presidente do Uruguai, José Mujica, comparou a situação do mercado ilegal de cannabis com a prática de abortos clandestinos. O Parlamento uruguaio descriminalizou a interrupção da gravidez até a 12ª semana de gestação, por meio do cumprimento de procedimentos regulados pelo Estado.

Para o presidente Uruguaio,  a hipótese de regular o mercado de maconha é  uma tentativa para arrebatar os narcotraficantes e tratar os consumidores problemáticos. “Se permanecem clandestinos ou escondidos não se pode fazer nada por eles”, afirmou à imprensa.

A legalização “tira o problema da sombra e nos permite tentar influenciar” para que a mulher “volte atrás em sua decisão”, argumentou Mujica. “A ideia primária é tratar de ajudá-la e eventualmente convencê-la a evitar o aborto, porque muitas vezes há um problema de falta de meios, solidão, falta de informação ou prejuízos familiares” acrescentou o mandatário, que considera que a legalização do aborto permite salvar vidas.

Mujica considera que o narcotráfico é “mais problemático” que o consumo dessa e de outras drogas, porque “tende a multiplicar” o grau de violência na sociedade, “uma enfermidade que corrói por baixo” na definição de Mujica. “Nunca fumei maconha porque sou de outra época e não defendo nenhuma adicção”, afirmou.

Com informações da EBC

Por que fracassará o terrorismo econômico do PSDB e da mídia

Por que fracassará o terrorismo econômico do PSDB e da mídia

by bloglimpinhoecheiroso

Midia_Donos02Eduardo Guimarães em seu Blog da Cidadania

No mesmo dia do mês passado em que o País recebeu uma excelente notícia sobre a sua economia, o Jornal Nacional a transformou em notícia ruim de forma a não destoar do noticiário maníaco-depressivo com que a mídia de oposição ao governo federal vem tentando convencer o País de que estamos à beira da ruína econômica.

Em 25 de abril último, o site da Presidência da República anunciava que o desemprego no Brasil em março fora “O menor da série histórica iniciada há 12 anos”, segundo IBGE. A notícia foi publicada às 16:02. Às 21:12, porém, o site do Jornal Nacional reproduzia manchete que fora vocalizada minutos antes pelo âncora William Bonner: “Taxa de desemprego no Brasil sobe para 5,7% em março”.

O cidadão que só se informou sobre o assunto por meio do principal telejornal da Globo certamente ficou achando que a situação do emprego piorou no País, sobretudo se só assistiu à “escalada” (o que seja, o anúncio das principais notícias do dia) que o casal de apresentadores do informativo global apresenta no início de cada edição.

Mesmo que o telespectador do JN tenha assistido à curta notícia sobre o desemprego que Bonner veiculou pouco depois e não apenas à manchete durante a “escalada”, se não entender de economia deve ter ficado com a impressão de que a notícia era ruim.

Leia, abaixo, a íntegra do texto que Bonner recitou.

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“A taxa de desemprego subiu para 5,7% em março. Mesmo assim, o resultado foi o melhor para o mês desde 2002, quando o IBGE passou a utilizar a metodologia de pesquisa atual. Número de pessoas empregadas no país ficou estável. Mas, em São Paulo, houve queda de 1,3%, devido, principalmente, a demissões na indústria”

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A notícia, como foi dada pelo JN, induz o público a erro. A notícia era – e continua sendo – excelente. Desde que o IBGE começou a apurar o desemprego no Brasil com nova metodologia – o que ocorreu em 2002 –, março de 2013 teve a taxa mais baixa em relação a todos os outros meses de março desses 12 anos.

Realmente o desemprego em março subiu em relação a fevereiro – foi de 5,7% no mês passado e de 5,6% no mês anterior. Contudo, relevar na “escalada” do telejornal uma alta de 0,1 ponto de um mês para outro é uma evidente manipulação da notícia.

Mas o pior é que, apesar de Bonner ter informado, muito rapidamente, que 5,7% foi a menor taxa de desemprego para um mês de março, ele fechou a notícia com um dado irrelevante sobre a redução do emprego em São Paulo.

Ora, por que o desemprego de São Paulo? E o dos Estados em que caiu acima da média nacional, por que não citar? Como se vê, é uma mera escolha que a redação do JN fez ao contrapor duas “más” notícias a uma boa.

Essa tática já fora usada no mês anterior. Na mesma época do mês de março, a Globo também veiculou que o desemprego “subiu” em fevereiro, quando, na verdade, aquele mês também teve a menor taxa para um fevereiro desde 2002, sempre segundo o IBGE.

O terrorismo com que Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Veja e seus satélites tentam piorar a percepção da sociedade sobre a situação econômica do País valendo-se de artifícios desonestos como esse supracitado é tão escandaloso e tem um viés político-eleitoral tão claro que na edição da Folha de quinta-feira, 16 de maio, o dito “decano do colunismo político nacional”, Janio de Freitas, perdeu a paciência.

Apesar de alguns blogs já terem reproduzido essa coluna de Janio, antes de prosseguir na análise reproduzo-a também (abaixo) não só para quem não leu em outra parte, mas para ilustrar o absurdo de uma campanha literalmente terrorista e mentirosa com que esse setor da mídia tenta influir na política brasileira em favor dos partidos de oposição a ela aliados.

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Folha de S.Paulo, 16 de maio de 2013

Velhas ideias

O terrorismo do noticiário econômico martela; não sei dizer se o governo está aturdido com isso.

Janio de Freitas

Liguei o rádio no carro. Entrou de sola: “É crucial e não é bom!”. Um susto. O que seria assim dramático? A caminho do almoço, o susto devorou o apetite. Claro, era mais um dado da realidade terrível que o Brasil vive. As vendas no comércio de varejo, no primeiro trimestre ou lá quando seja, caíram a barbaridade de 0,1%.

O comércio vendeu, no período, menos R$0,10 em cada R$100. Pois é, crucial e nada bom.

Os preços, como o seu e o meu bolso sabem, vêm subindo à vontade há tempos, o que fez com que o comércio precisasse vender muito menos produtos para completar cada R$99,90 do que, na comparação com o passado, precisara para vender R$100,00. Mas, na hora, não tive tempo de salvar o apetite com esse raciocínio, porque à primeira desgraça emendava-se a notícia de outra. A queda desanimadora nas vendas para o Dia das Mães, comparadas com 2012: queda de 1%.

É preciso lembrar o quanto os consumidores encararam em aumentos de preços de um ano para cá? O comércio brasileiro está lucrando formidavelmente, com o maior poder aquisitivo das classes C, D e E, aplicado na compra dos tênis aos eletrodomésticos, dos móveis às motos, quando não aos carros.

O terrorismo do noticiário e dos comentários econômicos martela o dia todo. Não sei dizer se o governo está aturdido com isso, como parece das tão repetidas quanto inconvincentes tranquilizações do ministro Guido Mantega. Ou se comete o erro, por soberba ou por ingenuidade, de enfrentar a campanha que está, sim, fazendo opinião.

Daí que me permito duas sugestões, se você quer elementos para formar sua própria opinião. O primeiro é a leitura, disponível no site da Folha (folha.com/no1278158), de um artigo muito importante, publicado no caderno “Mercado” de terça-feira, dia 14. Seu autor é Bráulio Borges, mais um economista que escreve em português (um dia chegaremos à primeira dúzia).

Em “Pós-crise de 2008, debate mundial começa a reavaliar velhas ideias’”, Borges mostra que as cabeças mais relevantes da “ciência econômica” estão derrubando as teses de política econômica ainda predominantes e adotadas pelos economistas e outros contra as linhas básicas da política econômica no Brasil.

A outra sugestão é para que você comece bem as quartas-feiras. Se lhe ficam ainda reservas vindas de longe, releve-as e leia os artigos em que Delfim Netto tem dito muito do que precisa ser dito para fazermos ideia de onde e como estamos, de fato. Descontados, pois, terrorismos e eleitorismos. Ou, no caso, são a mesma coisa?

E como crucial vem de cruz, não se esqueça: enquanto o papa Francisco não chega, reze pelos nossos comerciantes, para que recuperem suas perdas.

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Janio acha que a campanha terrorista praticada pelo jornal para o qual escreve e pelo resto desse setor da imprensa de forma a ajudar a oposição nas eleições do ano que vem “Está, sim, fazendo opinião”, ou seja, está convencendo a sociedade de que o País vai muito mal, obrigado.

Além disso, o “decano do colunismo político nacional” também afirma que essa desinformação estaria tendo sucesso por “soberba ou por ingenuidade” do governo Dilma Rousseff.

Concordo com Janio quando se queixa do imobilismo do governo diante de uma campanha imoral de desinformação que está sendo martelada sem parar pelas empresas de comunicação já mencionadas. Contudo, tenho minhas dúvidas de que tal campanha esteja funcionando.

Além da quase inacreditável boa situação do emprego no Brasil em um mundo em que o desemprego campeia e convulsiona sobretudo os países mais desenvolvidos e ricos, a renda das famílias e sobretudo dos trabalhadores não para de crescer.

Um dado até mais importante do que o nível de emprego crescente é o crescimento do rendimento médio do trabalho apurado pelo IBGE nas seis regiões metropolitanas em que o instituto atua – Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE revela que o rendimento médio do trabalhador deu um salto do ano passado para cá. De fevereiro de 2012 para fevereiro de 2013, os salários efetivamente recebidos (o valor líquido que chegou às mãos e bolsos do trabalhador) continuaram crescendo.

Entre 2012 e 2013, os empregados dos setores público e privado tiveram, em média, seus rendimentos aumentados de R$1.703,80 para R$1.840,20, o que representa um crescimento salarial de 8% (!).

A tese do governo Dilma, com a qual concordo em parte, é a de que o que o brasileiro sente no bolso anularia o que a mídia lhe diz sobre sua situação.

Apesar de o Jornal Nacional e o resto da mídia oposicionista pintarem um país em ruínas, hoje há emprego para quem quiser trabalhar e os salários não param de subir, apesar de quedas sazonais serem apresentadas como “Tendência de interrupção do processo de valorização monetária da mão de obra no País”.

Entende-se a aflição de Janio de Freitas. É duro para um sacerdote do bom jornalismo como ele ver seu ofício ser cotidianamente estuprado por empresários de comunicação que há muito abandonaram a missão de informar, convertendo seus veículos em agências de propaganda político-ideológica.

Todavia, terrorismo macroeconômico e midiático não é novidade no Brasil. Foi praticado antes contra o governo Lula e em condições até mais favoráveis para os terroristas midiáticos

A atual crise econômica internacional estourou em 2008, quando os EUA deixaram o banco dos irmãos Lehman quebrar. O desemprego no Brasil, então, chegou a subir por dois ou três meses. A investida midiática foi pior, mas não funcionou porque faz tempo que os brasileiros deixaram de acreditar no Jornal Nacional e cia. ltda.

 
bloglimpinhoecheiroso | 17/05/2013 às 14:22 | Tags: Mídia golpista, Midiáti

Alta do PIB faz a mídia golpista entrar em parafuso

Alta do PIB faz a mídia golpista entrar em parafuso

by bloglimpinhoecheiroso

 

Mantega10

Mantega ri dos catastrofistas.

Via Brasil 247

Ao crescer pelos próximos três trimestres como subiu entre janeiro e março, em 1,05%, a economia brasileira avançará mais de 4% até o final do ano. A inflação, seguindo a tendência divulgada na semana passada, de 6,49% nos últimos 12 meses, será mantida como agora, rigorosamente dentro da meta estabelecida pelo Banco Central. O regime de pleno emprego, com a criação de mais de 100 mil novas vagas em março, seguirá, a prevalecer a tendência, em curso. Mas nada disso basta para convencer a esmagadora maioria da mídia tradicional de que, apesar da crise global, a remada contra a maré da política econômica brasileira está dando resultados. A alta do PIB, na verdade, é a derrota do PIG.

O ex-presidente Lula não errou, na semana passada, em Porto Alegre, ao afirmar que, se dependesse do noticiário da mídia tradicional, nenhum empresário se animaria mais em investir no Brasil. Ao contrário, acertou em cheio. Naquele momento, contra todas as previsões dos jornais e tevês, a economia brasileira já havia consumado o crescimento de 1,05% no primeiro trimestre, apenas o número não havia sido divulgado. O que se lia na imprensa tradicional eram notícias apontando para o fracasso do crescimento, explosão da inflação e apelos pelo desaquecimento do mercado de trabalho. Praticamente nenhuma linha sobre o resultado que, concretamente, fora alcançado e seria apontado oficialmente pelo IBGE. Os jornais frisaram os sinais negativos da economia, e apagaram as informações positivas. Os leitores saíram perdendo feio com essa escolha.

Hoje [16/5], é o jornalista Janio de Freitas , solista dissonante da sinfonia de britadeiras que é tocada pela grande maioria dos colunistas de economia da mídia tradicional, que reclama da batelada de más notícias no dia a dia da pauta da imprensa. Apesar de o PIB ter crescido, as expectativas veiculadas eram todas de que ele seria reduzido. A inflação está na meta, mas a aposta é pela ultrapassagem dos índices de preços sobre a marca limite do BC. Neste caso, o chamamento pela inflação contribui decisivamente para a formação de preços mais altos.

Não estão dando certo, por outro lado, os apelos pelo desemprego como forma de derrubar a inflação. Responsáveis pelas contratações, os empresários lidam com fatos concretos, e não com especulações. Por isso, continuam contratando. Mas não sem oposição. Pesquisa divulgada pelo banco Itaú anuncia que a confiança dos empresários na economia diminuiu. O Itaú, no entanto, tem como economista-chefe e sócio o ex-diretor do BC Ilan Goldfjan, o mesmo economista que vem pregando, em artigos no jornal O Estado de S. Paulo, o desemprego como forma de combater a inflação. Dá para confiar numa pesquisa vinda de uma fonte com esse tipo de comprometimento?

Mantega fortalecido

“Foi muito bom”, saudou, num largo sorriso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao comentar a alta do PIB de 1,05% no primeiro trimestre, divulgada na quinta-feira, dia 16, pelo IBGE. Publicamente fortalecido, Mantega também vai ganhando, uma a uma, as batalhas internas aos quais é desafiado. Divergente, o secretário executivo do Ministério da Fazenda entrou em regime de férias hoje [16/5]. Nelson Barbosa não voltará ao cargo.

Na frente política, em razão dos resultados que a economia vai alcançando, Mantega se fortalece dentro do PT. Ele já foi lembrado mais de uma vez pelo ex-presidente Lula como o candidato ideal do partido ao cargo de governador de São Paulo, em 2014. Na mesma medida, mas em direção contrária, a mídia tradicional prega o enfraquecimento de Mantega, mas os fatos insistem em, também nesse ponto, contrariar os desejos de derrota

Morre Videla na Argentina, onde ditador vai para a cadeia

Morre Videla na Argentina, onde ditador vai para a cadeia

by bloglimpinhoecheiroso

Argentina_Videla06Leonardo Sakamoto em seu blog

Morreu, na quinta-feira, dia 17, de “causas naturais”, o general e ex-ditador Jorge Videla, aos 87 anos, no Centro Penitenciário Marcos Paz, onde cumpria pena de prisão perpétua por cometer crimes de lesa humanidade.

Ele comandou o golpe de março de 1976, que derrubou o regime democrático, e coordenou a repressão entre 1976 e 1983 – quando mais de 30 mil pessoas foram assassinadas por questões políticas, e mais de 500 bebês de ativistas foram sequestrados ou desapareceram. Em 2010, foi condenado à prisão perpétua, depois de ter sido condenado e anistiado anteriormente. Videla chegou a confessar que as mortes foram necessárias.

A Argentina pode ter um milhão de problemas. Mas conseguiu lidar com seu passado de uma forma bem melhor do que nós, punindo responsáveis por sua ditadura militar (uma das mais cruéis da América Latina), reformando sua anistia.

Por aqui, as coisas não funcionaram assim.

Por exemplo, o coronel Erasmo Dias morreu, em 2010, aos 85 anos. Na época, muita gente entrou em júbilo orgásmico com a notícia. Entendo a alegria de todos os que, durante a ditadura, foram atropelados pelos seus cavalos ou torturados sob sua responsabilidade. Mas não deixo de dar meus pêsames pela nossa incompetência, por não conseguirmos fazer com que esse arauto do retrocesso respondesse por tudo aquilo que fez. De 1974 a 1979, Erasmo ocupou o cargo de secretário de Segurança Pública em São Paulo, garantindo a ordem sob as técnicas persuasivas da Gloriosa. Ficou conhecido pela invasão da PUC/SP em setembro de 1977, ao reprimir um ato pela reorganização da União Nacional dos Estudantes.

Um amigo comentou que a “justiça” finalmente havia chegado para Erasmo através do câncer que o consumiu. Discordo. O sujeito com 85 anos, morando confortavelmente, sem ter de responder pelo passado, passa dessa para a melhor e isso é “justiça”? Não só não tivemos a competência para abrir e limpar publicamente as feridas que ele causou, como a sociedade ainda o elegeu deputado federal, deputado estadual e vereador.

Outra alma ceifada tempos atrás pela mesma “justiça” foi a do Coronel Ubiratan, responsável pela execução de 111 presos na Casa de Detenção do Carandiru, em São Paulo. Não é que a sociedade não conseguiu puni-lo, ela não quis puni-lo. Ele fez o servicinho sujo que muitos paulistanos desejam em seus sonhos mais íntimos, de limpeza social. Morreu em 2006, em um crime não solucionado. Estava a caminho de ser facilmente reeleito como deputado estadual, ironizando o país ao candidatar-se com o número 14.111.

Os dois não são casos únicos. Se listássemos os fazendeiros que assassinaram trabalhadores e lideranças rurais no Brasil e morreram com processos criminais (lentamente) tramitando contra eles, gastaríamos hectares e mais hectares. Quer mais um exemplo? O julgamento de Vitalmiro Bastos de Moura, condenado por ser um dos mandantes do assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang, foi novamente cancelado.

 

Ustra11_Dormindo

Se o torturador Ustra fosse argentino, ele não teria essa moleza.

Todos os que lutam para que os direitos humanos não sejam um monte de palavras bonitas emolduradas em uma declaração sexagenária não se sentem contemplados com o passamento de Erasmo Dias, Ubiratan, ou mesmo de ditadores como Pinochet. Mas podem ficar tranquilos com a ida de Videla.

Não quero fazer Justiça por minhas mãos, não sou lelé da cuca. Quero apenas que a nossa justiça funcione. Ou, no mínimo, que a nossa sociedade consiga saldar as contas com seu passado.

Por aqui o governo brasileiro resolveu não mais tentar buscar a revisão da Lei da Anistia. Mais do que punir torturadores, seria uma ótima forma de colocar pontos finais em muitas das histórias em aberto e fazer com que pessoas tivessem, pela primeira vez em décadas, uma noite de sono inteira. A Presidência da República resolveu investir suas fichas na Comissão da Verdade, criada pelo Congresso Nacional. Ela é uma grande iniciativa. Mas, mesmo assim, não irá garantir que representantes daquele tempo, como o coronel Brilhante Ustra, deixem de reinventar a História como quiserem sem medo de serem punidos.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos concluiu que o Brasil é responsável pelo desaparecimento de 62 pessoas entre os anos de 1972 e 1974, durante a Guerrilha do Araguaia. A Corte afirmou que as disposições da Lei de Anistia brasileira, que impedem a investigação e punição de violações contra os direitos humanos, são incompatíveis com a Convenção Americana dos Direitos Humanos. Ou seja, a Lei da Anistia vai contra um documento internacional assinado pelo Brasil e que o país deve respeitar. O tribunal, vinculado à Organização dos Estados Americanos (OEA), concluiu também que o país é responsável pela violação do direito à integridade pessoal de familiares das vítimas, em razão do sofrimento pela falta de investigações efetivas para o esclarecimento dos fatos. Além disso, é responsável pela violação do direito de acesso à informação, estabelecido no artigo 13 da Convenção Americana, pela negativa de dar acesso aos arquivos em poder do Estado com informação sobre esses fatos. E deve, enfim, investigar e punir as mortes por meio da Justiça.

Contudo, o Supremo Tribunal Federal, que vem sendo sensível em decisões sobre a dignidade humana, também deu de ombros e disse que tudo fica como está.

Uma pesquisa do Datafolha em 2010 apontou que 45% da população era contrária à punição de agentes que torturaram presos políticos durante a ditadura militar contra 40% a favor. Agarro-me desesperadamente à esperança de que o pessoal não entendeu exatamente do que se tratava.

Como já disse aqui, o impacto de não resolvermos o nosso passado se faz sentir no dia a dia dos distritos policiais, nas salas de interrogatórios, nas periferias das grandes cidades, nos grotões da zona rural, com o Estado aterrorizando parte da população (normalmente mais pobre) com a anuência da outra parte (quase sempre mais rica). A ponto de ser banalizada em filmes como Tropa de Elite, em que parte de nós torceu para os mocinhos que usavam o mesmo tipo de método dos bandidos no afã de arrancar a “verdade”.

A justificativa é a mesma usada nos anos de chumbo brasileiros ou nas prisões no Iraque e em Guantânamo, em Cuba: estamos em guerra. Ninguém explicou, contudo que essa guerra é contra os valores que nos fazem humanos e que, a cada batalha, vamos deixando um pouco para trás. Esse é o problema de sermos o país do “deixa disso” ou mesmo do “esquece, não vamos criar caso, o que passou, passou” e ainda do “você vai comprar briga por isso? Ninguém gosta de briguentos”.

Enquanto não acertarmos as contas com nossa história, não teremos capacidade de entender qual foi a herança deixada por ela – na qual estamos afundados até o pescoço e que nos define.

Carta de Vespasiano a seu filho Tito

Carta de Vespasiano a seu filho Tito

“22 de junho de 79 d.C.”

 

“Tito, meu filho, estou morrendo. Logo eu serei pó e tu, imperador. Espero que os deuses te ajudem nesta árdua tarefa, afastando as tempestades e os inimigos, acalmando os vulcões e os jornalistas.”

“De minha parte, só o que posso fazer é dar-te um conselho: não pare a construção do Colosseum. Em menos de um ano ele ficará pronto, dando-te muitas alegrias e infinita memória.”

“Alguns senadores o criticam, dizendo que deveríamos investir em esgotos e escolas. Não dê ouvidos a esses poucos. Pensa: onde o povo prefere pousar seu clunis:

numa privada, num banco de escola ou num estádio?

Num estádio, é claro.”

“Será uma imensa propaganda para ti. Ele ficará no coração de Roma ‘per omnia saecula saeculorum’, e sempre que o olharem dirão:

‘Estás vendo este colosso? Foi Vespasiano quem o começou e Tito quem o inaugurou’.”

“Outra vantagem do Colosseum: ao erguê-lo, teremos repassado dinheiro público aos nossos amigos construtores, que tanto nos ajudam nos momentos de precisão.”

“Moralistas e loucos dirão que mais certo seria reformar as velhas arenas. Mas todos sabem que é melhor usar roupas novas que remendadas.

‘Vel caeco appareat’ (Até um cego vê isso).

Portanto, deves construir esse estádio em Roma”.

“Enfim, meu filho, desejo-te sorte e deixo-te uma frase:

‘Ad captandum vulgus, panem et circenses’ (Para seduzir o povo, pão e circo).”

 

“Esperarei por ti ao lado de Júpiter.”

 

PS: Vespasiano morreu no dia seguinte à carta. Tito inaugurou o Coliseu com 100 dias de festa. Tanto o pai quanto o filho foram deificados pelo senado.

 

A propósito de Copas e Olimpíadas, continua válida a pergunta de Vespasiano:

Onde o povo prefere pousar seu clunis:

numa privada, num banco de escola ou num estádio??

 

Assim a gente de Brasília construirá monumentais estádios em Cuiabá, Recife e Manaus, mesmo que nem haja ludopédio (futebol) por esses lugares.

Só para se ter uma ideia, em Cuiabá, a Arena Pantanal terá 43.600 lugares. No último campeonato de Mato Grosso a média foi inferior a 1.000 pessoas por partida.

Em Recife haverá um novo Estádio, embora todos os grandes clubes locais já tenham o seu.

Em Manaus, pior ainda: a Arena terá 47 mil lugares. No último campeonato estadual, juntando os 80 jogos, o público total foi de 37.971.

As gentes da Terra Papagalli não ligaram nem mesmo para o exemplo dos sul-africanos, que construíram 5 novos estádios e 4 são deficitários.

Vespasiano estava certo? o grande negócio é construir estádios!

 

NB: Em latim, clunis são nádegas.