“THE ECONOMIST” DESCE A LENHA NO PADRÃO GLOBO DE QUALIDADE

“The Economist” desce a lenha no padrão Globo de qualidade

 

 
A transmissão do amistoso entre Brasil e Inglaterra no último domingo (02) foi objeto de duras críticas da revista “The Economist”, uma das mais respeitadas do mundo. “Infelizmente, a Globo foi incapaz de atender aos padrões esperados”, diz o texto, lamentando a qualidade das imagens, do som e, em especial, do efeito provocado pela publicidade móvel exibida no primeiro tempo.


Irônico, o texto publicado no blog de esportes da revista começa com a seguinte observação. “O Maracanã reconstruído, apesar dos temores, não desabou. Ainda assim, a partida entre Brasil e Inglaterra no último dia 2, um ensaio para a Copa do Mundo no ano que vem, não correu sem alguns problemas”.

O texto observa que espectadores britânicos, vendo o jogo pela ITV, inundaram o Twitter de reclamações, mas a emissora alegou que não tinha culpa. O perfil oficial da ITV disse que a responsabilidade pela transmissão era da Globo.

Assim como muitos espectadores brasileiros também notaram, a transmissão da Globo no primeiro tempo estava com “delay”, fazendo com que o som da narração chegasse segundos depois da imagem. Também houve protestos quanto à qualidade da imagem. E, especialmente, sobre a publicidade móvel.

Graças a uma nova tecnologia, esse sistema permite que anúncios virtuais se sobreponham às placas nas laterais do campo, o que oferece a oportunidade de exibição de publicidade diferente para cada mercado. O blog da “Economist” relata que este tipo de publicidade foi usada pela primeira vez no Brasil durante a partida e “tal como um atacante fora de forma foi substituída no segundo tempo”.

 
Fonte : UOL Copa

Carta de um policial nos protestos de São Paulo

Carta de um policial nos protestos de São Paulo

sex, 14 jun 2013 | Categoria: Polícia e PolíticaPolícia MilitarReflexão | Autor: 
 
 

  

Carta de um policial militar paulistas

Ser policial e andar com uma lupa de análise política no bolso quase sempre é trágico. Leva-nos a conflitos internos, terremotos morais, furacões éticos. Sim: estou falando da atuação da Polícia Militar do Estado de São Paulo, digo, estou falando da minha atuação nos protestos em favor da redução das tarifas de transporte público em São Paulo.

No front, companheiros, sabemos todos nós policiais (caso este texto seja publicado), nofront não há raciocínio. “A determinação é desocupar a Avenida”. Um sentimento de dever nos une, e a determinação será cumprida. Deve ser cumprida. Por nós, que pegamos ônibus e metrô, e somos pouquíssimos partidários dos governos: são eles, afinal, que nos submetem a condições de trabalho questionáveis, que nos pagam salários inadequados com a natureza da função que exercemos, que incita a polícia a agir, mas que degola o primeiro que parecer abusivo à opinião pública. Afinal, soldado morto, farda noutro.

Vi baderneiros e atos descontrolados de manifestantes: danos desnecessários, resistências à ação policial, incitação à violência. Cá para nós, coisa natural em protestos e manifestações contra os governos. Diferentemente de tropas militares, manifestantes civis em reivindicações não possuem controle central, determinação uniformizada de ordens. Diferentemente da polícia, que quando é violenta com certeza acata a um interesse específico, a população em protesto pode tender à irresponsabilidade de uns poucos. E isto não deslegitima  a causa.

Vi policiais assumindo a lógica “nós contra eles”, como se na guerra estivessem, vi colegas ingenuamente assumindo-se engrenagem de uma máquina que está longe de ter como fim “a manutenção da ordem pública”. Vi o despendimento de uma estrutura militar significativa para calar a voz de cidadãos, para evitar sua permanência no espaço público, para negar a insatisfação que, lá em nosso âmago, faz parte de cada policial militar (salvo alguns que, certamente, estão bem privilegiados nos altos escalões de poder).

Cumprimos ordens, é verdade, mas elas pelo menos devem ser investigadas quanto às suas naturezas, quanto ao que representam politicamente, quanto a seus desdobramentos sociais. Ouço colegas dizerem que, “se os baderneiros são violentos, não podemos nos omitir, a repressão deve ocorrer, a violência tem que ser devolvida”. Obviamente, permitir-se apanhar é absurdo: tão absurdo que não sei se alguém acha mesmo que pedir respeito à manifestação popular significa pedir para apanhar. Mas a violência institucional policial, que, repito, é organizada e obedece a um comando central, é uma contradição do ponto de vista dos fins da própria instituição, que está sustentada (a princípio) na produção da paz.

Policiais são profissionais, têm deveres, modo de atuação especificado, direitos a garantir, deveres a fazer cumprir. A sociedade, neste momento se reconhecendo enquanto corpo político reivindicatório, tem um elemento que vez ou outra surge, sempre incomodando bastante quem quer as coisas do modo que elas estão: ideal, coragem política e insatisfação coletiva. Como deveria ser a relação entre esses dois setores da mesma sociedade?

Sou a favor do que defendem os manifestantes. Sou a favor da ação policial que evite ações violentas de manifestantes. Sou a favor de ações policiais não violentas. Sou a favor que cada policial militar paulista reflita sobre o que representa seu bastão erguido, seu espargidor acionado, seu tiro de borracha disparado. Trabalhamos para sobreviver, sem nossa profissão, não sustentaríamos nossas famílias, mas não é pequeno o conflito existencial de quem percebe que está jogando, porque é obrigado a jogar, o jogo de uns poucos, encerrados em seus gabinetes, presos afetiva e ambiciosamente à cadeira do poder. Lamento, tristeza e vergonha.

A carta acima foi recebida pelo Abordagem Policial de um leitor anônimo, de modo que não podemos afirmar a veracidade de qualquer ponto explicitado no texto. Pela temática e peculiar posição defendida pelo autor, resolvemos publicá-la.


Autor:  – Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.com