DO CRÔNICAS DO MOTTA…

Felipão, Saldanha e os imbecis internéticos

 

O estilo Felipão de vida não agrada a todos neste mundo em que a pessoa vale mais pelo que aparenta do que pelo que realmente é. Pelo pouco que a gente sabe, Felipão carrega virtudes e defeitos exacerbados – e isso nem sempre é agradável. Mas talvez por isso mesmo, por esse seu jeito direto de responder perguntas idiotas ou impertinentes de repórteres despreparados, por sua constância em dizer o tal “politicamente incorreto” – alguém se lembra do elogio feito à ditadura pinochetista -, Felipão seja simpático a tantas pessoas e tenha sido um vencedor na difícil carreira que escolheu.
Dias atrás, na entrevista coletiva depois de se sagrar campeão da Copa das Confederações, mais um dos seus feitos quase inimagináveis, Felipão aproveitou para devolver, como um petardo com a força de um Pepe ou um Nelinho, a bolinha que um jornalista inglês havia chutado contra ele.

O tal sujeito quis misturar alhos com bugalhos, futebol com política, as tais manifestações “populares” com o baile que o Brasil havia dado na Espanha momentos antes no Maracanã.
Felipão até que tentou se conter na diplomacia do seu cargo:
– Não falo sobre isso.
Mas logo em seguida baixou nele o zagueirão tosco que sempre foi, um daqueles beques de fazenda que não perdoam nem vento – se ele tem o azar de vir incomodá-lo em sua sagrada grande área:
– Olha, se quiser falar do nosso…do meu país, é melhor você se lembrar do que ocorreu no seu antes da Olimpíada.
Um gol de placa. 
O episódio imediatante recorda um dos inúmeros que fizeram o saudoso jornalista, técnico do Botafogo e da seleção brasileira João Saldanha, o João Sem Medo, relatado no livro “João Saldanha – Uma Vida em Jogo”, de André Iki Siqueira.
Foi num programa de TV em Hamburgo, na Alemanha Ocidental.
O entrevistador perguntou: 
“O que o senhor acha da matança de índios no Brasil?”
Saldanha devolveu de primeira:
“Nosso país tem 470 anos de história. Nesses 470 anos foram mortos menos índios do que dez minutos de guerra provocada por vocês. Os selvagens são vocês. A televisão saiu do ar, o apresentador não falou mais comigo.” 
Felipão e Saldanha, duas personalidades fortes, cada qual com suas manias, cada qual com a sua ideologia – Felipão, um conservador, carola até, aparentemente sem nenhum gosto para a política partidária; Saldanha, um comunista de carteirinha a vida toda, sempre às ordens do Partidão.
Dois exemplos para esse bando de idiotas que, graças à facilidade proporcionada pelas redes sociais da internet, à sua própria patologia, aos preconceitos e ódios que carregam, e ao miserável complexo de vira-latas do qual não conseguem se libertar, vivem a exalar o mais fétido mau hálito nas frases estropiadas com as quais pretendem insultar o país em que nasceram.
Ah, se um desses imbecis tivesse a infelicidade de pegar um Felipão ou um Saldanha pela frente…

 

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