Por que Cuba tem tantos médicos?

 

Por que Cuba tem tantos médicos?

DIARIO DO CENTRO DO MUNDO 8 DE JULHO DE 2013

A exportação de serviços médicos tornou-se crucial para a economia da ilha.

cuba

O serviço que os médicos cubanos prestam à Venezuela permite que Cuba receba 100 mil barris diários de petróleo.

O texto abaixo foi publicado originalmente no site da BBC Brasil

Mas como, afinal, Cuba chegou a ter tantos médicos? E por que tem tanto interesse em “exportar” seus serviços para outros países?

Em Cuba, os profissionais da área de saúde têm uma função bem mais ampla do que simplesmente atender à população local. Já há algum tempo, a exportação de serviços médicos tornou-se crucial para a economia da ilha.

Segundo informações repassadas pela chancelaria do país ao correspondente da BBC Mundo em Havana, Fernando Ravsberg, o contingente de profissionais de saúde cubanos fora da ilha incluem atualmente 15 mil médicos, 2,3 mil oftalmologistas, 5 mil técnicos de saúde e 800 prestadores de serviço trabalhando em 60 países e gerando lucros milionários ao regime – as cifras mais otimistas falam em até US$ 5 bilhões (R$ 10,6 bilhões) ao ano.

O serviço que os médicos cubanos prestam à Venezuela, por exemplo, permite que Cuba receba 100 mil barris diários de petróleo. E também há profissionais em outros países da região, cerca de 4 mil na África, mais de 500 na Ásia e na Oceania e 40 na Europa.

Segundo fontes oficiais, a Venezuela pagaria esses serviços por consulta – e a mais barata custaria US$ 8 (R$ 17) em 2008. Já a África do Sul pagaria mensalmente US$ 7 mil (R$ 14,9 mil) por cada médico da ilha.

Para muitos países em desenvolvimento, o atrativo dos médicos cubanos é que eles estão dispostos a trabalhar em lugares que os locais evitam, como bairros periféricos ou zonas rurais de difícil acesso – onde moram pessoas de baixíssimo poder aquisitivo. Além disso, em geral eles também receberiam remunerações mais baixas.

História

Boa parte dos médicos que ficaram na ilha após a Revolução viraram professores, foram abertas faculdades de medicina em todo o país e se priorizou o acesso de estudantes ao setor. Tudo facilitado pelo fato de o ensino ser gratuito.

A primeira missão de saúde ao exterior foi organizada em 1963. Apesar da escassez de médicos, Cuba enviou alguns de seus profissionais à Argélia para apoiar os guerrilheiros que acabavam de obter a independência. Eram os primeiros de 130 mil colaboradores que, ao longo dos anos, já trabalharam em 108 países.

O tema dos profissionais de saúde cubanos no exterior é um dos muitos que dividiram Cuba e EUA – e Washington chegou a criar um programa para facilitar os vistos para médicos cubanos que estejam trabalhando em terceiros países.

Incentivos

No exterior, esses profissionais de saúde recebem salários muito mais altos do que os que trabalham dentro de Cuba, como explicaram a Ravsberg duas médicas, sob a condição de anonimato.

Alicia (o nome é fictício) disse ter trabalhado na Venezuela durante 7 anos e garante que, apesar de já estar aposentada, “se me pedissem para voltar, aceitaria sem pestanejar”.

“O que me motivou foi a possibilidade de trabalhar com o apoio a diabéticos, porque padeço da doença. Comecei (atendendo) gente que perdia a visão por causa disso”, diz, agregando que “também buscava uma melhoria econômica, porque o salário (em Cuba) não era suficiente”.

“Cheguei à Venezuela ganhando 400 bolívares (R$ 135), mas foram subindo (o salário) e, antes de voltar, ganhava 1,4 mil (R$ 474)”, diz. “Foi uma experiência maravilhosa, que não dá para esquecer. (Atendia) pessoas pobres e algumas delas me ligam até hoje em Cuba.”

No Brasil

Juana (outro nome fictício) tem 35 anos e é médica em Cuba. Quando recém-formada, deixou marido e a filha de 4 anos na ilha para trabalhar na Venezuela, com a ideia de se desenvolver profissionalmente, conhecer o mundo e melhorar sua situação econômica.

“Não tinha absolutamente nada. Graças à missão, mobiliei toda minha casa.”

Agora, ela tem a chance de voltar a viajar. “O Ministério me chamou para trabalhar no Brasil, em condições muito melhores do que na Venezuela”, disse à BBC.

Segundo o projeto inicial, anunciado no início de maio, o governo brasileiro estudava contratar 6 mil médicos cubanos para trabalhar principalmente em áreas remotas do país.

O Conselho Federal de Medicina, porém, expressou “preocupação” com a possibilidade de médicos estrangeiros atuarem no Brasil sem passar por exames de avaliação, alegando que isso poderia expor a população a “situações de risco”.

Nos cinco continentes

Até em Cuba a “exportação de médicos” causa alguma polêmica.

A formação de tantos profissionais de saúde permitiu que a ilha criasse a figura do Médico de Família, profissionais que atendem em todos os bairros e encaminham os pacientes para especialistas ou hospitais.

Mas esse é justamente o programa mais afetado pela saída dos médicos ao exterior.

O fechamento de algumas das casas de saúde gera insatisfação entre os cubanos, aumenta a concentração de pacientes por médico e o tempo de espera.

“Ainda assim, 60 mil médicos ficaram em Cuba, 1 para cada 200 habitantes – média melhor que a de muitos países desenvolvidos”, diz Ravsberg.

“A ilha também tem uma expectativa de vida próxima aos 80 anos e programas de prevenção a Aids e HIV reconhecidos internacionalmente.”

 
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Quem tem medo dos pobres? _+_ Uma revista para alienígenas

 A Justiceira de Esquerda

Quem tem medo dos pobres? _+_ Uma revista para alienígenas

Monday, July 08, 2013, 1:15 pm

BLOGS DE POLÍTICA

 
Renato Janine Ribeiro
 
Nada mais século XIX do que ter medo do voto dos pobres. Nada mais século XIX, em pleno século XXI, do que conservar esse medo e pretender privá-los do direito de votar. Numa manifestação recente, uma senhora pediu que os beneficiários do Bolsa Família perdessem o direito de eleger os governantes. Essa ideia teve alguma repercussão. É um puro balão de ensaio, que não prosperará, porque o sufrágio universal é cláusula pétrea da Constituição e uma emenda neste sentido não pode sequer ser examinada pelo Congresso. Mas vejamos o que isso significa.
 
O século XIX descobre a pobreza. Ela existia antes, claro, e em enorme escala. Mas é depois de 1800 que as grandes cidades, como Londres e Paris, são tomadas por pobres – gente que vem dos campos trabalhar nas fábricas ou nas casas, olhando com espanto, e depois com crescente ódio, para quem regurgita de riqueza enquanto eles passam fome. É o que a historiadora Maria Stella Bresciani chama de espetáculo da pobreza. Eles formam o que o historiador Louis Chevalier denominou “classes laboriosas, classes perigosas”: os operários ameaçariam o “statu quo” vigente. Havendo o sufrágio universal, a maioria de pobres poderia decidir confiscar os bens dos ricos e reparti-los entre si. Esse é o grande medo do século XIX.
 
Para fazer-lhe frente, a elite recorre a dois ou três expedientes. Um deles, que ora funciona, ora não, é deixar o poder executivo nas mãos de um monarca; mas isso não cabe em regimes democráticos ou semi, como o norte-americano, o britânico, o francês. Outro é ter um Senado ou Câmara Alta de espírito conservador, com membros nomeados (os Lordes ingleses, os Pares franceses) ou eleitos por um mandato mais longo, a quem caberá refrear os ímpetos da Câmara Baixa, aquela que é eleita pelo povo inteiro. E, finalmente, o voto censitário, ou seja: o direito de voto dependeria da renda ou propriedade do indivíduo. Pobres simplesmente não votariam. É célebre a resposta de Guizot, primeiro-ministro de Luís Felipe, rei da França, quando a oposição lhe pede que baixe as exigências econômicas para votar: “Enriqueçam-se”, diz ele. Ganhem mais, tenham mais, que poderão votar. No Império do Brasil, era a mesma coisa.
 
Quais as razões dadas para restringir o voto a quem tem posses ou renda elevadas? Entendia-se que essas pessoas seriam mais racionais. Quem vive da mão para a boca nada tem a perder, portanto, não é controlável. Essencialmente, é isso: vota quem tem a perder. Se eu sou rico, não quero políticas irresponsáveis, que poriam a perder a economia, o Estado, talvez a independência de meu país. Se sou pobre, que diferença me faz? Já tenho tão pouco que qualquer mudança pode ser para melhor. Exigia-se ter “bens de raiz”, sinônimo de propriedade, termo interessante: somente quem está fixado (“enraizado”) na sociedade, com bens ou rendimentos que ofereçam uma espécie de caução ao que diga ou faça, merece votar. Os outros, se votassem, não pagariam pelas consequências de seu voto.
 
Isso mudou por completo ao longo do século XX. O avanço da causa democrática levou as sociedades a repudiarem o voto censitário. Negar o voto aos pobres se tornou indigno. Além disso, quem deflagrou as guerras mais mortíferas do século não foram os pobres. Se a Alemanha e a Rússia imperiais rumaram para o desastre em 1914, não foi por iniciativa de seus miseráveis, mas de seus príncipes e nobres, em suma, dos mais ricos. E os pobres foram, sim, quem mais arcou com os custos dessas guerras infames. Deles saiu a maior parte dos milhões que morreram em batalha ou de fome. Mais perto de nós, a crise de 2008 não foi causada pelos pobres ou beneficiários da previdência social norte-americana. Não há base empírica para culpar os mais pobres pela adoção de políticas desastrosas.
 
Hoje, se alguém sugere, ainda que implicitamente, que pobres não votem, está retomando um imaginário antigo, arcaico. Na verdade, o século XX, sobretudo em sua segunda metade, mostrou que não é preciso negar aos pobres o voto para evitar que eles tomem os bens dos ricos; o circo – isto é, o imaginário do entretenimento – cumpre muito bem esse papel. Se for somado ao pão, isto é, à supressão da fome e da miséria, dificilmente os pobres se revoltarão. Isto, se eu quiser dar um argumento de esquerda. Um argumento mais moderado é: todo aquele que tem futuro – o que geralmente se chama “família” – se interessa em não o colocar em risco e, por isso, não apoia políticas irresponsáveis. É quando o trabalhador passa a ter, em vez de prole, uma família, quando sua renda se torna suficiente para viver mais tempo e criar filhos, que ele deixa de apoiar revoluções nas ruas. Daí, por sinal, que alguns radicais culpem a família por um certo conservadorismo que as classes trabalhadoras assumem.
 
Mas, de todo modo, é sinal de deficiência na cultura política a proposta de que perca o direito de votar quem viva de esmolas – um tema ainda mais antigo, porque grassou no século XVII inglês. Afinal, um Estado sempre arbitra transferências de riquezas; ele pode destiná-las aos mais ricos, como fez por milênios, ou começar a transferi-las aos mais pobres, o que é recente mas, certamente, do ponto de vista moral, não é pior.
 
Uma revista para alienígenas
 
 

DIREITOS SEXUAIS

 Portal Vermelho – Notícias

Igrejas latino-americanas aprovam carta sobre direitos sexuais

Monday, July 08, 2013, 1:25 pm

BLOGS DE POLÍTICA

Na semana em que o movimento dos direitos humanos no Brasil, incluindo mulheres, LGBTT, etc, assistem incrédulos as decisões governamentais retrógradas e violadoras de direitos, o Conselho Latino-americano de Igrejas (Clai) divulga um documento resultante da sua 6ª Assembleia, realizada no final do mês de maio, que é decididamente favorável aos direitos sexuais e direitos reprodutivos.

AS AMEAÇAS…

 Com Texto Livre

Congresistas estadounidenses amenazan a países que ofrecen asilo a Snowden

Monday, July 08, 2013, 1:36 pm

BLOGS DE POLÍTICA

Republicanos y demócratas consideran fundamental sancionar económicamente al país que se atreva a brindarle asilo político al exagente de inteligencia Edward Snowden, porque, a su juicio, constituyen acciones “en contra de los Estados Unidos”.
Titular del Comité de Inteligencia de la Cámara
de Representantes, Mike Rogers
Legisladores estadounidenses lanzaron este domingo amenazas contra aquellos países latinoamericanos que consideran la posibilidad de otorgarle asilo político al exagente de inteligencia Edward Snowden, entre ellas la imposición de sanciones económicas y comerciales por “ponerse a sí mismos en contra de Estados Unidos”.
El presidente del Comité de Inteligencia de la Cámara de Representantes,el republicano Mike Rogers, fue el primero en amenazar con sancionar al país que otorgue asilo al excontratista de la Agencia de Seguridad Nacional (NSA, por su sigla en inglés).
Por ello, Rogers llamó a la acción del Gobierno de Estados Unidos para sancionar el hecho de los países latinoamericanos “utilicen a Snowden como herramienta de relaciones públicas”.
“No debemos permitir que esto suceda y cruzarnos de brazos. Este es un asunto serio. Algunas empresas latinoamericanas gozan de los beneficios del comercio con Estados Unidos y vamos a tener que revisarlos”, manifestó.
De igual manera, el titular del Comité de Relaciones Exteriores del Senado, el demócrata Robert Menendez, adelantó que el otorgamiento de asilo y protección a Snowden provocaría serias implicaciones políticas y económicas.
“Es evidente que cualquier aceptación de Snowden de algún país, cualquiera de estos tres u otro, va a ponerlos directamente en contra de Estados Unidos. Necesitan saber eso”, dijo Menéndez, en referencia a Venezuela, Nicaragua y Bolivia.
“Es muy claro que cualquiera de estos países que aceptan ofrecerle asilo político están dando un paso en contra de Estados Unidos. Es una declaración muy clara. No estoy sorprendido por los países que le están ofreciendo asilo”, aseveró el senador.
Las declaraciones tienen lugar después que los gobiernos de Venezuela, Nicaragua y Bolivia ofrecieron asilo político al también exagente de la Agencia Central de Inteligencia (CIA), acusado de espionaje por revelar a la prensa programas secretos de espionaje de la NSA.
Por otro lado, Roger añadió que la Casa Blanca debe presionar a Rusia para que entregue a Snowden a la justicia norteamericana, posibilidad rechazada por el presidente Vladimir Putin, quien ha reiterado que el exempleado de seguridad es un hombre libre.
Snowden llegó a la terminal aérea de Moscú el pasado 23 de junio, procedente de Hong Kong y ha pedido asilo político a 27 países, la mayoría de los cuales rechazaron su solicitud, o pusieron como condición que el demandante se encuentre en su territorio.

Padilha ensaia recuo do recuo

 Brasil 24/7

Padilha ensaia recuo do recuo sobre médicos cubanos

Monday, July 08, 2013, 1:37 pm

BLOGS DE POLÍTICA

Antonio Cruz: Ministro da Saúde responde à reportagem da Folha de S.Paulo e diz que o governo não desistiu de contratar profissionais da ilha para trabalhar no Brasil; pasta não nega, no entanto, que negociação para a vinda de seis mil médicos cubanos foi suspensa, e confirma que prioridades, agora, são Portugal e Espanha