Bancada religiosa quer que Dilma vete projeto de atendimento a vítimas de violência sexual

 MARIA DA PENHA NELES

Bancada religiosa quer que Dilma vete projeto de atendimento a vítimas de violência sexual

Rosangela Basso (noreply@blogger.com)

Tuesday, July 16, 2013, 10:26 am

BLOGS DE POLÍTICA

Vai vendo: Bancada religiosa quer que Dilma vete projeto de atendimento a vítimas de violência sexual

“Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez conscienciosa” – Martin Luther King

Bancada religiosa pressiona Dilma 

Autor(es): Isabel Braga e Evandro Éboli
O Globo

Parlamentares querem veto a projeto que atende vítimas de violência sexual
Parlamentares da bancada religiosa do Congresso pressionam para que a presidente Dilma Rousseff vete projeto que regulamenta o atendimento emergencial a mulheres vítimas de violência sexual e estupro em hospitais. A proposta foi aprovada na Câmara e no Senado e já foi à sanção presidencial. Na interpretação de religiosos, um dos artigos do projeto abre brecha para a legalização do aborto.
O grupo tenta audiência com os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil). A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tenta convencer o governo a vetar ao menos o artigo que fala em “profilaxia da gravidez”. Para a bancada religiosa, essa expressão abre brecha para que a mulher possa interromper gravidez até num estágio avançado, com cinco meses de gestação. Na interpretação deles, o aborto ocorreria mesmo sem a comprovação de que a mulher foi violentada e sem apresentação de boletim de ocorrência.
Autora do projeto, a deputada Iara Bernardi (PT-SC) nega que a proposta tenha como finalidade legalizar o aborto. Segundo ela, o projeto apenas detalha os protocolos a serem seguidos quando uma mulher é vítima de violência sexual.
– A mulher vítima de violência tem que ser atendida até 72 horas após o ocorrido. Profilaxia é tomar o coquetel de remédios anti-HIV e contra DSTs, e a profilaxia da gravidez é a pílula do dia seguinte, que já está disponível no posto de saúde. É uma alternativa ao aborto em caso de estupro, previsto na Constituição – disse Bernardi.
Hoje, jovens católicos do grupo Promotores da Vida farão um ato em frente ao Planalto pedindo que Dilma vete o texto.
– Vamos mostrar à presidente que esse projeto não está em consonância com as ruas – disse o advogado Paulo Fernando, coordenador do Pró-Vida.
– É surpreendente como as coisas acontecem e a tendência do movimento abortista é legalizar geral. E não é só a bancada evangélica que é contra, o povo não concorda com isso – disse o vice-presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado Pastor Eurico (PSB-PE).

 

Esquadrões da morte: de El Salvador ao Afeganistão

16 DE JULHO DE 2013 – 8H07 

Esquadrões da morte: de El Salvador ao Afeganistão

 

Edward Snowden fez lembrar mais uma vez ao mundo que os serviços de inteligência têm a possibilidade de espiar qualquer pessoa. Bradley Manning, que apoia suas ideias, já espera nos Estados Unidos um veredito por ter revelado publicamente testemunhos da imposição da “nova ordem” no Iraque.

Por Vadim Fersovich, na Voz da Rússia

 

Ministério da Defesa da França

Esquadrões da morte - randômica

Esquadrões da morte treinados por militares estadunidenses e europeus atuam em vários países

Em março, o jornal britânico The Guardian publicou materiais de Manning (Iraq War Logs), que mostram como instrutores militares americanos preparavam destacamentos especiais da polícia iraquiana à conta do Pentágono. Entre jornalistas, estes destacamentos têm o nome de “esquadrões da morte”.

Este termo foi utilizado pela primeira vez nos anos 1930 em relação aos destacamentos da Guarda de Ferro romena, que intimidavam e matavam sem distinção seus adversários políticos.

Contudo, os “esquadrões da morte” ganharam maior fama nos anos 1970-1980, quando tais grupos foram formados em muitos países da América Latina e, em alguns casos, com ajuda externa.

No Salvador e Honduras, estes destacamentos foram compostos e treinados por instrutores militares americanos e financiados pela CIA. Em resultado deflagrou um escândalo e os Estados Unidos foram obrigados de reduzir ajuda a esses países. 

Mas “esquadrões da morte” continuam a existir também no século 21 sem alcançar seus objetivos: aqueles contra quem eles lutavam são ou serão presidentes.

Assim, em 2009, Mauricio Funes, representante da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), uma organização de esquerda, foi eleito presidente do Salvador. 

Na República das Honduras, o antigo presidente Manuel Zelaya, que em tempos abandonou o país após ameaças de matá-lo, hoje é o principal pretendente ao posto de presidente. Pelos vistos, raids noturnos, campos de filtração, justiças sumárias, assassinatos e torturas já não são eficazes para impor a ordem necessária.

No entanto, a julgar por materiais de Manning e do The Guardian, tais métodos ainda não perderam sua popularidade. Quando em 2006 os confrontos armados entre comunidades religiosas no Iraque ameaçavam início de uma guerra civil, conselheiros americanos com “experiência salvadorenha” formaram no Exército e na polícia destacamentos especiais para impor a ordem. 

Em 2008, o conselheiro do grupo antiterrorista iraquiano, coronel em reserva Roger Carstens, disse à revista The Nation que os serviços especiais dos EUA “criaram a mais potente força na região”.

De fato, a sua estrutura contava com cerca de 6.000 pessoas em 2006. Seus métodos não foram diferentes dos aplicados no Salvador. Nas palavras de Carstens, “tudo de que gostam estes rapazes é matar dias inteiros ‘más pessoas’”.

Na altura, no país, foram encontrados mensalmente até 3.000 cadáveres. Torturas cruéis, assassinatos ocultos e intimidação maciça da população com a ajuda de destacamentos especiais do Exército e da polícia apenas aproximaram a guerra civil no país.

Em maio último, o presidente do Iraque declarou que não admitirá a formação de destacamentos militarizados de proteção de cidadãos por caraterísticas religiosas, mas estes destacamentos apareceram já em junho. 

Atualmente, dezenas de pessoas são mortas diariamente no Iraque, enquanto o programa de formar uma polícia eficaz no país fracassou totalmente.

 

 

Muhammad Yunus: “É necessário alterar o sistema bancário mundial”

16 DE JULHO DE 2013 – 8H15 

Muhammad Yunus: “É necessário alterar o sistema bancário mundial”

 

Para evitar as crises financeiras mundiais é necessário alterar o sistema bancário mundial, declarou em entrevista exclusiva à Voz da Rússia o mundialmente conhecido economista do Bangladesh Muhammad Yunus. Em 2006, ele recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo seu esforço em criar condições para o desenvolvimento econômico e social de grandes camadas da população.

Por Natalia Benyukh, na Voz da Rússia

 

Global Mind Symposium

Muhammad Yunus

Muhammad Yunus

Os bancos não querem dar oportunidades de negócio aos desfavorecidos, diz Yunus. O sistema bancário se deve tornar inclusivo, incluir a possibilidade de fornecer serviços bancários a um vasto leque da população. O sistema bancário mundial hoje existente é exclusivo: ele exclui da sua esfera de atuação os mais desfavorecidos. Isso é um sistema bancário errado, ele condena a maioria das pessoas à miséria. Foi o sistema vicioso de créditos interbancários que provocou a crise financeira. Ele só é dedicado e atencioso para os que ganham muito dinheiro. É preciso alterar o estado atual das coisas.

Em 1983, Muhammad Yunus fundou no Bangladesh o Grameen Bank, especializado na concessão de microcréditos. Ele explica essa prática do microfinanciamento:

“Ela teve um desenvolvimento a nível mundial. Mais de 160 milhões de pessoas em diversos países conseguiram obter microcréditos. No Bangladesh, nós concedemos empréstimos a partir dos 20 dólares, incluindo a pessoas na miséria e mendigos. Isso dá um apoio às pessoas, ajuda-os a começar uma atividade própria, apesar de pequena.”

Os microcréditos são necessários no Bangladesh, na Índia e noutros países asiáticos, assim como em África e na América Latina. Além disso, as filiais do Grameen Bank, fundado por Muhammad Yunus, também funcionam na Europa e até nos EUA. Claro que aí as dimensões dos créditos variam de acordo com o nível de bem-estar da população local:

“Em Nova York temos seis dependências do nosso banco. O empréstimo médio é de mil e quinhentos dólares. Para os Estados Unidos isso não é nada, é um valor muito pequeno. Aí nós temos 12 mil mutuários e todos eles são mulheres. No total, por toda a parte, 97% dos nossos mutuários são mulheres. O sistema de concessão de microcréditos também se estendeu à Rússia. Eu vim por diversas vezes à Rússia para participar em conferências e para consultas sobre o microcrédito. Esse sistema é suficientemente eficaz e permite às pessoas com poucos rendimentos se tornarem financeiramente independentes.”

Neste novo mundo globalizado, a base do seu bem-estar financeiro, que é o sistema bancário, deverá sofrer alterações substanciais e realizar um apoio real ao desenvolvimento das capacidades criativas de cada indivíduo, considera o laureado com o Prêmio Nobel. Ele participou no simpósio internacional “Espírito Global”, que se realizou a 11 e 12 de julho na cidade russa de Ekaterinburgo. Muhammad Yunus saúda a ideia de se realizar a Expo 2020 nesse grande centro econômico, científico e cultural dos Urais:

“Eu apoio essa ideia. Esse é um local formidável! O mundo pouco conhece sobre Ekaterinburgo e poderá vir a conhecer essa cidade e a sua rica história. Estou convencido que o mundo irá descobrir uma nova região surpreendentemente interessante.”

No simpósio internacional “Espírito Global” de Ekaterinburgo participaram conhecidos representantes do mundo de negócios, políticos, economistas, cientistas de todos os continentes. Na opinião do Prêmio Nobel Muhammad Yunus, a sua tarefa é unir esforços para que o espírito global se sobreponha aos estreitos interesses corporativos.

 

 

União Internacional das Telecomunicações alerta sobre a necessidade de a comunidade reagir à guerra cibernética

 Agência Brasil

União Internacional das Telecomunicações alerta sobre a necessidade de a comunidade reagir à guerra cibernética

Jose.romildo

Tuesday, July 16, 2013, 8:04 am

BRASIL

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O secretário-geral da União Internacional das Telecomunicações (UIT), Hamadoun Toure, ressaltou que a comunidade tem que buscar mecanismos de combate aos ataques virtuais na internet. Toure chamou esse combate de “guerra cibernética”. A afirmação dele ocorre no momento em que o Brasil e o mundo discutem mecanismos de proteção a dados na internet após a divulgação as denúncias de espionagem por agências norte-americanas.

“Há uma ‘ciberguerra’ em curso”, disse Hamadoun Toure. “Tal como na guerra convencional, não há vencedores, só destruição”, destacou ele, durante conferência em Genebra, na Suíça.

Segundo Toure, as consequências de uma “guerra cibernética” podem causar “enormes perdas financeiras ou mesmo o caos social”. De acordo com ele, os governos e as empresas mundiais têm que pensar em conjunto como enfrentar a ameaça. “Ninguém pode conseguir fazê-lo por si. Temos que mudar a mentalidade”, disse.

Para Toure, na liderança do que considera uma guerra cibernética “não existem superpotências”, uma vez que vírus e outros ataques podem ser desencadeados a baixos custos. “Temos que tratar o ciberespaço tal como tratamos o mundo real”, ressaltou.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse na semana passada que o governo do Brasil pretende encaminhar a preocupação com o monitoramento de contatos eletrônicos e telefônicos às instâncias internacionais.

O chanceler quer recorrer à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) na tentativa de definição de normas claras de comportamento para os países quanto à privacidade das comunicações dos cidadãos e a preservação da soberania dos demais Estados e também à União Internacional de Telecomunicações (UIT). Na UIT, Patriota pretende apelar para o aperfeiçoamento de regras multilaterais sobre segurança das telecomunicações.
*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa

Edição: José Romildo
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil. É necessário apenas dar crédito à Agência Brasil

A liberdade do indivíduo está em jogo

 Início

A liberdade do indivíduo está em jogo

Cepat.cepat@terra.com.br (jonas)

Tuesday, July 16, 2013, 4:56 am

COMPORTAMENTO, CULTURA

No final de semana, duas ONGs com sede na França, a Liga de Direitos Humanos(LDH) e a Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH), apresentaram uma denúncia contra X (desconhecidos) ao promotor da República, apontando para aAgência Nacional de Segurança (NSA, sigla em inglês) norte-americana e várias empresas transnacionais de InternetGoogleYahoo!, FacebookMicrosoftPatalk,SkypeYouTubeAOL e Apple. As duas ONGs consideram que estas empresas estão envolvidas na espionagem mundial organizada por Washington através do sistemaPrisma e cuja metodologia foi revelada pelo ex-agente da CIA e da NSA, Edward Snowden. Até agora, esta é a única ação empreendida na Europa contra os Estados Unidos ou suas empresas. Todo o sistema político do Velho Continente se escondeu como coelhos assustados diante da prepotência tecnológica da Casa Branca. Cúmulo do ridículo e da servidão, o governo socialista (enfim…) do presidente François Hollandeimpediu, junto com Itália, Espanha e Portugal o sobrevoo do avião do presidente bolivianoEvo Morales no território francês. Algum serviço secreto inepto fez circular a informação segundo a qual Snowden estava no avião de Morales. Mais vergonhoso é o papel que foi desempenhado pela imprensa diante de uma violação tão colonial do direito internacional. Chacotas, títulos como “os latinos estão irritados”, ou boicote da informação marcaram a cobertura deste escândalo. Na França, sobram os dedos de uma mão para contar os jornais que mencionaram a última cúpula do Mercosul e a convocação dos embaixadores dos países envolvidos no bloqueio do avião.

Nesta entrevista com o jornal Página/12, realizada em Paris, o advogado Patrick Baudouin, presidente de honra da FIDH, explica as bases da denúncia judicial na França e analisa tanto a prepotência norte-americana, como o perfil de criado de Washington, assumido pela União Europeia.

 
Fonte: http://goo.gl/zkrNi  

A entrevista é de Eduardo Febbro, publicada no jornal Página/12, 15-07-2013. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Este episódio de espionagem planetária, violação do direito internacional contra um chefe de Estado e postura rebaixada da Europa é um caso de escola. No entanto, apesar de sua intensidade e suas múltiplas conexões, apenas vocês recorreram à justiça contra os envolvidos.

É assombroso que a nossa denúncia seja a primeira apresentada. Iniciamos esse processo porque as revelações de Snowden permitiram descobrir a existência de um sistema de vigilância generalizado, em escala planetária, através da Internet. A NSA, aCIA e o FBI podem entrar nos programas dos gigantes da informática como Google,Yahoo!, Facebook, Microsoft e outros e coletar os dados. Com isto, podem conhecer o nome do autor, o destinatário e o conteúdo das mensagens. No entanto, isto não se limita ao território norte-americano, mas os Estados Unidos se dão o direito de colocar em prática esse sistema em todo o mundo, na Europa, na América Latina, na Ásia. Isto é intolerável porque se opõe totalmente às legislações nacionais. Aqui, o que está em jogo é a liberdade do indivíduo. Nossa denúncia aponta para a NSA, a CIA e, por cumplicidade, aponta também para os gigantes da informática. Estes não podem ignorar o que acontece. GoogleFacebook e os demais dizem hoje que, talvez, caso houve espionagem, foi sem que eles percebessem. Isto é uma brincadeira! É claro, a base legal da denúncia é constituída pelas revelações de Snowden. O mais incrível está no fato dos próprios responsáveis destes abusos não colocarem em questão a informação sobre os mesmos. Os Estados Unidos não negaram a veracidade das revelações. Pelo contrário. Washington disse: “Senhor Snowden, você é culpado por ter dito a verdade. E nós não queremos que essa verdade seja dita”.

Os números sobre o volume de dados coletados é de ficção científica: são bilhões de informações.

Desde que o sistema Prisma começou a funcionar houve 97 bilhões de comunicações controladas em todo o mundo. Entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013, na França, controlaram-se dois milhões de comunicações. E o que nós queremos saber com este processo judicial é quantas desses dois milhões de comunicações foram utilizadas e para quais fins. O escandaloso não reside em ativar um sistema de vigilância em torno de pessoas ligadas ao terrorismo ou ao crime organizado, não. Todo Estado democrático deve proteger e ter sistemas de controle. O escandaloso está em que, em nome dessa luta contra o terrorismo, violaram-se todas as regras. Ao invés de se controlar as pessoas que podem ser perigosas, controlou-se todo o mundo, sem medida. Assim, a liberdade de cada cidadão entrou em questão. Podemos imaginar o que poderia acontecer caso essas informações cheguem às mãos de governos ditatoriais. Nada nos garante que amanhã, na Espanha ou na França, não exista um governo de extrema direita, autoritário, ditatorial, que recorrerá a essa informação para controlar todos os indivíduos. Na Líbia vimos que o coronel Khadafi tinha um sistema assim, que o permitiu deter os opositores e torturá-los. Nós buscamos justamente limitar a intensidade desses sistemas. Queremos que se tenha consciência do risco que esses dispositivos fazem a liberdade individual correr.

Em meio a este escândalo, o jornal Le Monde revelou que a França também tinha um sistema de vigilância semelhante.

Os chamados Estados democráticos reagiram timidamente quando as revelações deSnowden vieram à luz. Podemos nos perguntar se essa reação tímida não se deve exatamente ao fato dos responsáveis dessas democracias se sentirem um pouco responsáveis porque atuam da mesma forma.

A América Latina foi também objeto da mesma espionagem. Estamos novamente diante de um império ao qual nada pode se opor e que, com sua potência tecnológica, atropela todo o planeta.

O imperialismo norte-americano é uma prática bem conhecida na América Latina. E justamente o que provocou um choque na Europa Ocidental foi que esta história foi como uma descoberta. Na América Latina, o imperialismo e suas consequências são frequentes. Na Europa não. Há algo que pode ser vantajoso em tudo isto: que a mobilização e a reação passem a se ativar em todas as partes contra o imperialismo norte-americano. Ao contrário do que se acredita, não há nenhum ocaso do imperialismo norte-americano. Acredito, ao contrário, que a potência dos Estados Unidos nunca foi tão importante como hoje. Desde os atentados do dia 11 de setembro, os Estados Unidos passaram por cima de todas as regras e as leis. Há vários artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos que foram violados de maneira freqüente e com toda impunidade. É isso o que nós queremos denunciar. E esperamos que em outros países existam outras ONGs que façam denúncias contra os responsáveis pela espionagem.

A Europa, ao invés de atuar contra os Estados Unidos, acabou castigando a América Latina quando bloqueou o avião do presidente boliviano. É uma forma de abuso colonial e de servidão em relação à Casa Branca.

Sim, absolutamente. Se este episódio fosse um filme seria cômico, mas não é. Trata-se de política internacional. Entre os países que impediram o sobrevoo de seu território, a França se ridicularizou com esta história. Houve, de fato, um medo imediato de incomodar os Estados Unidos e provocar com isso medidas de retaliação. Para evitar um problema com os Estados Unidos, em razão da possível passagem de Snowden em um avião, decidiu-se proibir o sobrevoo do território. Aqui temos a prova evidente de que somos como um caudatário dos Estados Unidos. Inclusive, com um governo socialista do qual esperaríamos uma atitude menos admirativa que a de seu predecessor, o conservadorNicolas Sarkozy, repito, inclusive com um governo socialista que continua a mesma linha. Lamentavelmente, na França e em muitos países europeus, nós continuamos sendo os serventes daquele que ainda é preciso continuar de chamando imperialismo norte-americano. É uma situação desastrosa.