Se o Brasil estivesse em crise a sua vida já teria piorado

 Blog da Cidadania

Se o Brasil estivesse em crise a sua vida já teria piorado

Eduguim

Saturday, July 20, 2013, 4:05 pm

BLOGS DE POLÍTICA

 

Quem melhor definiu a atual conjuntura política do país foi, de forma surpreendentemente, o correspondente do diário espanhol El País no Brasil, Juan Arias, em meados do mês passado. Antes de abordar o que ele disse, vale explicar que a opinião desse jornalista chega a surpreender porque há anos ele vem sendo um dos grandes críticos dos governos Lula e Dilma.

Abaixo, alguns trechos do artigo de Arias em questão, publicado no diário espanhol.

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” (…) Por enquanto, o que existe é um consenso de que o Brasil, invejado internacionalmente até agora, vive uma espécie de esquizofrenia ou paradoxo que ainda deve ser analisado ou explicado.

(…)

Agora surge um movimento de protesto quando, ao longo dos últimos dez anos, o Brasil viveu como que anestesiado por seu êxito compartilhado e aplaudido mundialmente.

(…)

O Brasil está pior do que há dez anos? Não, está melhor. Está mais rico, tem menos pobres e testemunha o crescimento do seu número de milionários. É mais democrático e menos desigual.

(…)

Por que então saem às ruas para protestar contra a alta dos preços dos transportes públicos jovens que normalmente não usam esses meios porque já têm carros, algo impensável há dez anos?

(…)

Por que protestam estudantes de famílias que até pouco tempo não tinham sonhado em ver seus filhos pisarem na universidade? (…)”

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Quando se analisa a situação do país até ao menos o mês de maio, ganha sentido o uso do termo “esquizofrenia” pelo jornalista espanhol, de forma a caracterizar o sentimento que se formou entre grande parte dos brasileiros.

As pessoas parecem acreditar que as suas vidas estão piorando, daí as manifestações de insatisfação, ainda que restritas a um setor minoritário da sociedade, a classe média. Contudo, o mero olhar para indicadores sobre os setores que mais afetam a vida do cidadão comum mostra que o país vem melhorando, sim, e muito.

Vejamos os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE sobre o índice de desemprego no país de 2002 (quando foi adotada a atual metodologia de mensuração do problema) até hoje.

O gráfico abaixo foi extraído do site do IBGE e mostra que em um mundo em que a falta de postos de trabalho se tornou uma epidemia, no nosso país o nível de emprego caminha no sentido inverso, com geração de cada vez mais postos de trabalho e de salários mais altos.

Alguns dizem que a inflação teria parte da responsabilidade pelo aumento da insatisfação com o país. Contudo, ao analisarmos um dos indicadores mais usados para mensurar o impacto dos preços sobre a vida das pessoas, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), percebe-se que tampouco o aumento de preços chegou a um nível que possa explicar alguma coisa.

Abaixo, os índices anuais do IPCA entre 1998 a 2012 e os dos meses de 2013.

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Quadro inflacionário medido pelo IPCA cheio, no período 1998-2013:

1998 = 1,95%

1999 = 9,52%

2000 = 6,59%

2001 = 8,23%

2002 = 12,53%

2003 = 9,3%

2004 = 7,6%

2005 = 5,69%

2006 = 3,14%

2007 = 4,46%

2008 = 5,90%

2009 = 4,31%

2010 = 5,91%

2011 = 6,5%

2012 = 5,84%

2013 = 3,15% no ano e acumulado em 12 meses (entre janeiro e junho deste ano) é de 6,7%.

Fonte IBGE

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Como se vê, não há nenhum estouro da inflação. O nível de inflação atual permanece no patamar histórico. Contudo, o que se vê na mídia sobre o assunto induz à crença de que estaríamos à beira de uma crise de hiperinflação.

Em relação aos salários, o valor deles nunca foi tão alto. Abaixo, dados da última PME do IBGE, que mostra que, em relação a 2012, os salários continuam crescendo.

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Pessoas Ocupadas                     (abril 2012) 1.949,81   –       (maio 2013) 2.010,69

Empregados no Setor Privado (abril 2012) 1.749,34   –    (maio 2013) 1.841,51

Empregados no Setor Público  (abril 2012) 2.701,27   –    (maio 2013) 2.572,53

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O que mais impressiona é que, em 2002, o salário médio do trabalhador teve declínio de 8,3% em relação a 2001, passando a corresponder a R$ 889, valor 28,3% menor do que o registrado em 1997.

Ou seja: o Brasil de 2013 é um país infinitamente melhor do que o de 2003, quando o PT chegou ao poder.

E além dos ganhos para todos, relatório sobre as cidades latino-americanas feito pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), divulgado no ano passado, mostrou que o Brasil diminuiu a desigualdade social como nenhum outro país ao longo da última década.

Nos anos 1990, o Brasil era o mais desigual na região. Nesta década, foi o país que mais reduziu a desigualdade enquanto em outros países ela cresceu.

Nos últimos anos, a renda dos brasileiros mais pobres cresceu 70% e a dos mais ricos, cerca de 10%. E esses 10% mais pobres tiveram a renda aumentada justamente por causa do trabalho, ou seja, dos novos empregos que estão sendo gerados. E pelos aumentos reais do salário mínimo, claro.

A despeito de tudo isso, o grupo político que promoveu melhora tão expressiva na vida deste povo se encontra diante de um paradoxo que, usando o adequado termo do corresponde do jornal espanhol supracitado, pode ser considerado “esquizofrênico”.

Uma parcela imensa do povo brasileiro está sendo enganada tanto por grandes meios de comunicação quanto por partidos políticos de oposição. As pessoas acham que o país está “indo mal” apesar de estar acontecendo justamente o oposto.

Pesquisa recente do instituto MDA, feita para a Confederação Nacional dos Transportes, mostra que 84% dos brasileiros aprovam protestos de rua que desembocaram em uma imensa queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff.

Essa grande maioria dos brasileiros, que até dois ou três meses atrás dava enorme apoio ao grupo político que fez o país melhorar tanto, de repente passou a achar que vive em um país à beira da ruína.

Tudo isso decorre de um artificialismo que, conforme entrevista de Marcos Coimbra (sociólogo e diretor do instituto Vox Populi) concedida a este Blog na última quinta-feira e conforme a mesma pesquisa MDA citada acima, implantou na cabeça das pessoas uma sensação de mal-estar.

Ora, como o país pode estar indo bem se vemos cenas de guerra como as que vimos recentemente na zona Sul do Rio de Janeiro? São cenas que só se explicam por um grave descontentamento social que só poderia decorrer de o país, de fato, estar “indo mal”. É isso que o povo pensa.

Contudo, você, leitor, tem visto muita gente reclamando de ter perdido o emprego ou de seu salário não estar comprando mais o que comprava antes? A sua própria vida piorou? Muito pelo contrário. O Brasil vive uma febre de consumo porque as pessoas têm dinheiro no bolso.

As ruas estão cada vez mais entupidas de carros zero quilômetro. As residências mais humildes, hoje, estão sendo reformadas e entupidas de bens de consumo como televisões, computadores, novos móveis etc. E, hoje, só não encontra emprego quem não quer trabalhar.

O que é preciso, portanto, é fazer os brasileiros refletirem que quando um país vai mal a vida das pessoas piora. Entretanto, quem pode dizer que sua vida tem piorado? Só o que tem piorado é a percepção sobre o futuro.

Essa percepção se fundamenta, basicamente, na informação. As pessoas vêm sendo bombardeadas pelos meios de comunicação de massa com cenas de guerra e previsões catastrofistas e, juntando umas e outras, construíram essa percepção pessimista.

Urge, portanto, que seja levada a cabo uma campanha de comunicação governamental que faça os brasileiros refletirem sobre a realidade. O povo brasileiro foi posto em pânico por ação de concessões públicas de rádio e televisão que estão sendo usadas com fins políticos.

É mais simples do que parece desmontar a campanha insidiosa que foi construída na mídia e nas ruas para apavorar a sociedade. Há fartura de dados que comprovam que o país vai bem. Mas se uma campanha em sentido contrário não for feita, o brasileiro, ano que vem, irá votar por mudança daquilo que, como se vê neste texto, está dando muito certo.

Fica a dica.

Católicas lançam campanha contra discurso “conservador” da Jornada Mundial da Juventude

 Revista Fórum

Católicas lançam campanha contra discurso “conservador” da Jornada Mundial da Juventude

Glaucofaria

Saturday, July 20, 2013, 12:51 pm

REVISTAS

Para a Católicas pelo Direito de Decidir, vinda do papa pode significar um momento preocupante para o debate em torno de políticas públicas sobre aborto e direitos de homossexuais

Por Paulo Cezar Pastor Monteiro

Com uma expectativa de público superior a 2 milhões de  pessoas, a JMJ (Jornada Mundial da Juventude), que será realizada no Rio de Janeiro, entre os dias 23 e 28 de julho. Considerada um dos maiores eventos do ano, a jornada vai marcar a primeira visita oficial do papa Francisco ao Brasil.  O evento, tratado no clima de festividade, promete receber uma atenção especial da mídia, além de já contar investimentos do poder público estimado na casa dos R$ 120 milhões.

No entanto, nem todos vêm na JMJ motivos para comemorar. Para a entidade Católicas pelo Direito de Decidir, organização não governamental feminista, a vinda do papa pode significar um momento “preocupante” para o debate em torno de políticas públicas sobre o aborto e direitos de homossexuais, além de representar um “retrocesso” na discussão da liberdade sexual dos jovens.

(Reprodução)

Para criar um contraponto ao discurso defendido na JMJ, a Católicas pelo Direito de Decidir lançou a campanha “O Papa vem aí? O que muda na sua vida?”, composta por uma série de vídeos que discutem “outras possibilidades” de se posicionar em relação à visão defendida pela alta cúpula da Igreja Católica. Confira abaixo a entrevista com Valéria Melki Busin , uma da organizadoras do grupo.

Fórum – Como surgiu a ideia da campanha? Qual o objetivo?

Valéria Melki Busin – A campanha “O Papa vem aí, o que muda na sua vida” é uma série de vídeos que aborda temáticas que vão do Estado laico, passando pelo direito ao aborto e pelo comportamento sexual. Ela foi criada com o objetivo de oferecer um discurso de resistência à mensagem conservadora, direcionada para os jovens, que ganha ainda mais visibilidade e é reforçada com a realização da JMJ (Jornada Mundial da Juventude) no Rio de Janeiro.

A ideia das Católicas pelo Direito de Decidir é produzir um contra-discurso àqueles que defendem uma moral sexual ultrapassada, do preconceito ao amor homossexual e da interferência da religião na elaboração de leis e políticas públicas. É preocupante a Igreja Católica defender um discurso que coloca os jovens em riscos ao proibir o sexo sem camisinha ou uso de anticoncepcionais. Queremos oferecer à juventude a possibilidade de pensar a partir de outros pontos de vista sobre essas mesmas questões, mostrar que existem várias possibilidades de ser católico e ser religioso.

A ideia não é fazer uma lavagem cerebral, mas oferecer informações para que esses jovens possam ter elementos para decidir como vão agir.

Fórum- Quanto vídeos? Quais as temáticas?

Valéria –Ao todo, são cinco vídeos, que produzimos com apoio do Elas – Fundo de Investimento Social. Até agora já disparamos três, um sobre a legalização do aborto, a questão homoafetiva e a da importância da defesa do Estado laico. Os dois próximos vídeos, que serão divulgados semana que vem, vão abordar, separadamente, o sexo antes do casamento e uso de camisinha.

Cada vídeo faz uma pergunta diferente, mas sempre relacionada com aquilo que percebemos serem pontos chaves do discurso conservador defendido pela Igreja Católica. São temas cruciais, em relação aos quais, ao invés de avançar, ela só retrocede e impõe aos jovens uma vida sexual reprimida, a exposição a doenças sexualmente transmissíveis ou ainda serve para reforça r um discurso de homofobia.

Fórum – O que muda com a vinda do Papa? Aumento do conservadorismo?

Valéria – O Papa Francisco traz algumas coisas bem complicadas. Em termos de figura pública, ele é muito mais carismático que Bento XVI, se mostra como alguém simples e mais humilde, demonstra ser mais voltado para as pessoas mais humildes, preocupado com justiça social, que é algo que também defendemos. Por outro lado, o Papa Francisco reforça o pior do conservadorismo católico em relação aos direitos sexuais e direitos reprodutivos. Um exemplo disso é o Manual de Bioética para Jovens, que será distribuído na JMJ. Ele diz que uma mulher que fique grávida em decorrência de estupro deve levar a gravidez até o fim! Não fala sobre prevenção de gravidez e ainda informa, incorretamente, que pílula anticoncepcional é abortiva. Isso será entregue aos milhares de jovens que estarão presentes no encontro, o que é péssimo, coloca a vida dos jovens em risco, pois não lhes dá a oportunidade de tomar decisões fundamentadas em informações corretas para se proteger. Por isso, a vinda dele significa um retrocesso na discussão da moral sexual e dos direitos reprodutivos, pois a mensagem dele vai reverberar bastante na mídia. O alcance que esse discurso terá nos preocupa porque é contra essa mensagem que nos lutamos.

Fórum – Vocês esperam fazer uma disputa de discurso na JMJ?

Valéria – O nosso objetivo não é doutrinar as pessoas, não queremos fazer lavagem cerebral em ninguém. Obviamente, nos esforçamos para que mais gente pense como nós, que veja o mundo da forma como o enxergamos. Mas a ideia da Católicas é oferecer informação e conhecimento para que as pessoas sejam autônomas e tomem suas decisões bem informadas, conscientes. No domingo que antecede a JMJ, pretendemos estender algumas faixas em frente de algumas igrejas com mensagens sobre o tipo de igreja que a gente espera.

É importante ressaltar que a proibição do aborto e a homossexualidade não são dogmas da Igreja católica pois não são questões de fé. São temas da lei eclesiástica, que é o conjunto de normas feitas pela mais alta hierarquia católica relativas a moralidade que católicos devem seguir no seu dia a dia, portanto podem ser discutidos pelos fiéis.

Há um conceito importante no catolicismo que afirma que, quando você se encontra perante uma situação de dúvida, a melhor decisão que você pode tomar é aquela que é feita de acordo com os recursos da sua consciência. E ninguém pode ser considerado mau católico por isso. Isso faz parte do documento Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II. Infelizmente já faz algum tempo que a mais alta hierarquia católica não se ‘lembra’ disso.

Fórum – As igrejas, no Brasil, respeitam o Estado laico?

Valéria – Não, algumas igrejas não respeitam a laicidade do Estado. Uma coisa é fazer parte da discussão pública – quanto mais grupos tenham representantes, melhor para a democracia. Outra é querer impor, para toda a população, o que uma religião acredita ou entende como certo, é ter uma bancada religiosa que legisla de acordo com os interesses da sua denominação religiosa.

Também não vale o argumento de que maioria dos brasileiros são católicos ou cristãos. Democracia não é a imposição da vontade da maioria sobre uma minoria, democracia significa a defesa dos direitos humanos e a defesa da cidadania para todas as pessoas. Portanto, entendemos que participar do debate público é correto, convencer as pessoas com argumentos também. Agora, não faz sentido fazer uma lei para coagir alguém a agir de acordo com essa ou aquela crença religiosa, as pessoas devem aderir às crenças religiosas pelo que elas acreditam, porque querem seguir o seu coração e não por força de uma lei. Interferir nas políticas públicas de acordo com uma religião não é uma medida aceitável, é antidemocrático. Por exemplo, caso o aborto seja legalizado, quem quiser seguir a orientação da Igreja e não abortar, continua podendo levar sua gravidez até o fim. O problema é que hoje não há possibilidade de escolha para quem não acredita na crença religiosa que proibe o aborto, colocando a vida das mulheres em risco.

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Daniela Mercury vai estrelar campanha da ONU pelo fim da homofobia

 Homorrealidade

Daniela Mercury vai estrelar campanha da ONU pelo fim da homofobia

Noreply@blogger.com (homorrealidade)

Saturday, July 20, 2013, 3:53 pm

MUNDO GAY


Publicado pelo Correio 

 
Daniela Mercury acaba de aceitar o convite para estrelar uma campanha mundial do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (Acnudh), pelo fim da homofobia. O tema será Livres e Iguais.
 
Em tempo: No ano passado, o Acnudh elaborou um guia sobre as obrigações dos governos para garantir os direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT), intitulado Nascidos Livres e Iguais. A cartilha foi lançada em português pelo Escritório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) no Brasil.