Se o Brasil estivesse em crise a sua vida já teria piorado

 Blog da Cidadania

Se o Brasil estivesse em crise a sua vida já teria piorado

Eduguim

Saturday, July 20, 2013, 4:05 pm

BLOGS DE POLÍTICA

 

Quem melhor definiu a atual conjuntura política do país foi, de forma surpreendentemente, o correspondente do diário espanhol El País no Brasil, Juan Arias, em meados do mês passado. Antes de abordar o que ele disse, vale explicar que a opinião desse jornalista chega a surpreender porque há anos ele vem sendo um dos grandes críticos dos governos Lula e Dilma.

Abaixo, alguns trechos do artigo de Arias em questão, publicado no diário espanhol.

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” (…) Por enquanto, o que existe é um consenso de que o Brasil, invejado internacionalmente até agora, vive uma espécie de esquizofrenia ou paradoxo que ainda deve ser analisado ou explicado.

(…)

Agora surge um movimento de protesto quando, ao longo dos últimos dez anos, o Brasil viveu como que anestesiado por seu êxito compartilhado e aplaudido mundialmente.

(…)

O Brasil está pior do que há dez anos? Não, está melhor. Está mais rico, tem menos pobres e testemunha o crescimento do seu número de milionários. É mais democrático e menos desigual.

(…)

Por que então saem às ruas para protestar contra a alta dos preços dos transportes públicos jovens que normalmente não usam esses meios porque já têm carros, algo impensável há dez anos?

(…)

Por que protestam estudantes de famílias que até pouco tempo não tinham sonhado em ver seus filhos pisarem na universidade? (…)”

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Quando se analisa a situação do país até ao menos o mês de maio, ganha sentido o uso do termo “esquizofrenia” pelo jornalista espanhol, de forma a caracterizar o sentimento que se formou entre grande parte dos brasileiros.

As pessoas parecem acreditar que as suas vidas estão piorando, daí as manifestações de insatisfação, ainda que restritas a um setor minoritário da sociedade, a classe média. Contudo, o mero olhar para indicadores sobre os setores que mais afetam a vida do cidadão comum mostra que o país vem melhorando, sim, e muito.

Vejamos os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE sobre o índice de desemprego no país de 2002 (quando foi adotada a atual metodologia de mensuração do problema) até hoje.

O gráfico abaixo foi extraído do site do IBGE e mostra que em um mundo em que a falta de postos de trabalho se tornou uma epidemia, no nosso país o nível de emprego caminha no sentido inverso, com geração de cada vez mais postos de trabalho e de salários mais altos.

Alguns dizem que a inflação teria parte da responsabilidade pelo aumento da insatisfação com o país. Contudo, ao analisarmos um dos indicadores mais usados para mensurar o impacto dos preços sobre a vida das pessoas, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), percebe-se que tampouco o aumento de preços chegou a um nível que possa explicar alguma coisa.

Abaixo, os índices anuais do IPCA entre 1998 a 2012 e os dos meses de 2013.

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Quadro inflacionário medido pelo IPCA cheio, no período 1998-2013:

1998 = 1,95%

1999 = 9,52%

2000 = 6,59%

2001 = 8,23%

2002 = 12,53%

2003 = 9,3%

2004 = 7,6%

2005 = 5,69%

2006 = 3,14%

2007 = 4,46%

2008 = 5,90%

2009 = 4,31%

2010 = 5,91%

2011 = 6,5%

2012 = 5,84%

2013 = 3,15% no ano e acumulado em 12 meses (entre janeiro e junho deste ano) é de 6,7%.

Fonte IBGE

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Como se vê, não há nenhum estouro da inflação. O nível de inflação atual permanece no patamar histórico. Contudo, o que se vê na mídia sobre o assunto induz à crença de que estaríamos à beira de uma crise de hiperinflação.

Em relação aos salários, o valor deles nunca foi tão alto. Abaixo, dados da última PME do IBGE, que mostra que, em relação a 2012, os salários continuam crescendo.

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Pessoas Ocupadas                     (abril 2012) 1.949,81   –       (maio 2013) 2.010,69

Empregados no Setor Privado (abril 2012) 1.749,34   –    (maio 2013) 1.841,51

Empregados no Setor Público  (abril 2012) 2.701,27   –    (maio 2013) 2.572,53

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O que mais impressiona é que, em 2002, o salário médio do trabalhador teve declínio de 8,3% em relação a 2001, passando a corresponder a R$ 889, valor 28,3% menor do que o registrado em 1997.

Ou seja: o Brasil de 2013 é um país infinitamente melhor do que o de 2003, quando o PT chegou ao poder.

E além dos ganhos para todos, relatório sobre as cidades latino-americanas feito pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), divulgado no ano passado, mostrou que o Brasil diminuiu a desigualdade social como nenhum outro país ao longo da última década.

Nos anos 1990, o Brasil era o mais desigual na região. Nesta década, foi o país que mais reduziu a desigualdade enquanto em outros países ela cresceu.

Nos últimos anos, a renda dos brasileiros mais pobres cresceu 70% e a dos mais ricos, cerca de 10%. E esses 10% mais pobres tiveram a renda aumentada justamente por causa do trabalho, ou seja, dos novos empregos que estão sendo gerados. E pelos aumentos reais do salário mínimo, claro.

A despeito de tudo isso, o grupo político que promoveu melhora tão expressiva na vida deste povo se encontra diante de um paradoxo que, usando o adequado termo do corresponde do jornal espanhol supracitado, pode ser considerado “esquizofrênico”.

Uma parcela imensa do povo brasileiro está sendo enganada tanto por grandes meios de comunicação quanto por partidos políticos de oposição. As pessoas acham que o país está “indo mal” apesar de estar acontecendo justamente o oposto.

Pesquisa recente do instituto MDA, feita para a Confederação Nacional dos Transportes, mostra que 84% dos brasileiros aprovam protestos de rua que desembocaram em uma imensa queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff.

Essa grande maioria dos brasileiros, que até dois ou três meses atrás dava enorme apoio ao grupo político que fez o país melhorar tanto, de repente passou a achar que vive em um país à beira da ruína.

Tudo isso decorre de um artificialismo que, conforme entrevista de Marcos Coimbra (sociólogo e diretor do instituto Vox Populi) concedida a este Blog na última quinta-feira e conforme a mesma pesquisa MDA citada acima, implantou na cabeça das pessoas uma sensação de mal-estar.

Ora, como o país pode estar indo bem se vemos cenas de guerra como as que vimos recentemente na zona Sul do Rio de Janeiro? São cenas que só se explicam por um grave descontentamento social que só poderia decorrer de o país, de fato, estar “indo mal”. É isso que o povo pensa.

Contudo, você, leitor, tem visto muita gente reclamando de ter perdido o emprego ou de seu salário não estar comprando mais o que comprava antes? A sua própria vida piorou? Muito pelo contrário. O Brasil vive uma febre de consumo porque as pessoas têm dinheiro no bolso.

As ruas estão cada vez mais entupidas de carros zero quilômetro. As residências mais humildes, hoje, estão sendo reformadas e entupidas de bens de consumo como televisões, computadores, novos móveis etc. E, hoje, só não encontra emprego quem não quer trabalhar.

O que é preciso, portanto, é fazer os brasileiros refletirem que quando um país vai mal a vida das pessoas piora. Entretanto, quem pode dizer que sua vida tem piorado? Só o que tem piorado é a percepção sobre o futuro.

Essa percepção se fundamenta, basicamente, na informação. As pessoas vêm sendo bombardeadas pelos meios de comunicação de massa com cenas de guerra e previsões catastrofistas e, juntando umas e outras, construíram essa percepção pessimista.

Urge, portanto, que seja levada a cabo uma campanha de comunicação governamental que faça os brasileiros refletirem sobre a realidade. O povo brasileiro foi posto em pânico por ação de concessões públicas de rádio e televisão que estão sendo usadas com fins políticos.

É mais simples do que parece desmontar a campanha insidiosa que foi construída na mídia e nas ruas para apavorar a sociedade. Há fartura de dados que comprovam que o país vai bem. Mas se uma campanha em sentido contrário não for feita, o brasileiro, ano que vem, irá votar por mudança daquilo que, como se vê neste texto, está dando muito certo.

Fica a dica.

Católicas lançam campanha contra discurso “conservador” da Jornada Mundial da Juventude

 Revista Fórum

Católicas lançam campanha contra discurso “conservador” da Jornada Mundial da Juventude

Glaucofaria

Saturday, July 20, 2013, 12:51 pm

REVISTAS

Para a Católicas pelo Direito de Decidir, vinda do papa pode significar um momento preocupante para o debate em torno de políticas públicas sobre aborto e direitos de homossexuais

Por Paulo Cezar Pastor Monteiro

Com uma expectativa de público superior a 2 milhões de  pessoas, a JMJ (Jornada Mundial da Juventude), que será realizada no Rio de Janeiro, entre os dias 23 e 28 de julho. Considerada um dos maiores eventos do ano, a jornada vai marcar a primeira visita oficial do papa Francisco ao Brasil.  O evento, tratado no clima de festividade, promete receber uma atenção especial da mídia, além de já contar investimentos do poder público estimado na casa dos R$ 120 milhões.

No entanto, nem todos vêm na JMJ motivos para comemorar. Para a entidade Católicas pelo Direito de Decidir, organização não governamental feminista, a vinda do papa pode significar um momento “preocupante” para o debate em torno de políticas públicas sobre o aborto e direitos de homossexuais, além de representar um “retrocesso” na discussão da liberdade sexual dos jovens.

(Reprodução)

Para criar um contraponto ao discurso defendido na JMJ, a Católicas pelo Direito de Decidir lançou a campanha “O Papa vem aí? O que muda na sua vida?”, composta por uma série de vídeos que discutem “outras possibilidades” de se posicionar em relação à visão defendida pela alta cúpula da Igreja Católica. Confira abaixo a entrevista com Valéria Melki Busin , uma da organizadoras do grupo.

Fórum – Como surgiu a ideia da campanha? Qual o objetivo?

Valéria Melki Busin – A campanha “O Papa vem aí, o que muda na sua vida” é uma série de vídeos que aborda temáticas que vão do Estado laico, passando pelo direito ao aborto e pelo comportamento sexual. Ela foi criada com o objetivo de oferecer um discurso de resistência à mensagem conservadora, direcionada para os jovens, que ganha ainda mais visibilidade e é reforçada com a realização da JMJ (Jornada Mundial da Juventude) no Rio de Janeiro.

A ideia das Católicas pelo Direito de Decidir é produzir um contra-discurso àqueles que defendem uma moral sexual ultrapassada, do preconceito ao amor homossexual e da interferência da religião na elaboração de leis e políticas públicas. É preocupante a Igreja Católica defender um discurso que coloca os jovens em riscos ao proibir o sexo sem camisinha ou uso de anticoncepcionais. Queremos oferecer à juventude a possibilidade de pensar a partir de outros pontos de vista sobre essas mesmas questões, mostrar que existem várias possibilidades de ser católico e ser religioso.

A ideia não é fazer uma lavagem cerebral, mas oferecer informações para que esses jovens possam ter elementos para decidir como vão agir.

Fórum- Quanto vídeos? Quais as temáticas?

Valéria –Ao todo, são cinco vídeos, que produzimos com apoio do Elas – Fundo de Investimento Social. Até agora já disparamos três, um sobre a legalização do aborto, a questão homoafetiva e a da importância da defesa do Estado laico. Os dois próximos vídeos, que serão divulgados semana que vem, vão abordar, separadamente, o sexo antes do casamento e uso de camisinha.

Cada vídeo faz uma pergunta diferente, mas sempre relacionada com aquilo que percebemos serem pontos chaves do discurso conservador defendido pela Igreja Católica. São temas cruciais, em relação aos quais, ao invés de avançar, ela só retrocede e impõe aos jovens uma vida sexual reprimida, a exposição a doenças sexualmente transmissíveis ou ainda serve para reforça r um discurso de homofobia.

Fórum – O que muda com a vinda do Papa? Aumento do conservadorismo?

Valéria – O Papa Francisco traz algumas coisas bem complicadas. Em termos de figura pública, ele é muito mais carismático que Bento XVI, se mostra como alguém simples e mais humilde, demonstra ser mais voltado para as pessoas mais humildes, preocupado com justiça social, que é algo que também defendemos. Por outro lado, o Papa Francisco reforça o pior do conservadorismo católico em relação aos direitos sexuais e direitos reprodutivos. Um exemplo disso é o Manual de Bioética para Jovens, que será distribuído na JMJ. Ele diz que uma mulher que fique grávida em decorrência de estupro deve levar a gravidez até o fim! Não fala sobre prevenção de gravidez e ainda informa, incorretamente, que pílula anticoncepcional é abortiva. Isso será entregue aos milhares de jovens que estarão presentes no encontro, o que é péssimo, coloca a vida dos jovens em risco, pois não lhes dá a oportunidade de tomar decisões fundamentadas em informações corretas para se proteger. Por isso, a vinda dele significa um retrocesso na discussão da moral sexual e dos direitos reprodutivos, pois a mensagem dele vai reverberar bastante na mídia. O alcance que esse discurso terá nos preocupa porque é contra essa mensagem que nos lutamos.

Fórum – Vocês esperam fazer uma disputa de discurso na JMJ?

Valéria – O nosso objetivo não é doutrinar as pessoas, não queremos fazer lavagem cerebral em ninguém. Obviamente, nos esforçamos para que mais gente pense como nós, que veja o mundo da forma como o enxergamos. Mas a ideia da Católicas é oferecer informação e conhecimento para que as pessoas sejam autônomas e tomem suas decisões bem informadas, conscientes. No domingo que antecede a JMJ, pretendemos estender algumas faixas em frente de algumas igrejas com mensagens sobre o tipo de igreja que a gente espera.

É importante ressaltar que a proibição do aborto e a homossexualidade não são dogmas da Igreja católica pois não são questões de fé. São temas da lei eclesiástica, que é o conjunto de normas feitas pela mais alta hierarquia católica relativas a moralidade que católicos devem seguir no seu dia a dia, portanto podem ser discutidos pelos fiéis.

Há um conceito importante no catolicismo que afirma que, quando você se encontra perante uma situação de dúvida, a melhor decisão que você pode tomar é aquela que é feita de acordo com os recursos da sua consciência. E ninguém pode ser considerado mau católico por isso. Isso faz parte do documento Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II. Infelizmente já faz algum tempo que a mais alta hierarquia católica não se ‘lembra’ disso.

Fórum – As igrejas, no Brasil, respeitam o Estado laico?

Valéria – Não, algumas igrejas não respeitam a laicidade do Estado. Uma coisa é fazer parte da discussão pública – quanto mais grupos tenham representantes, melhor para a democracia. Outra é querer impor, para toda a população, o que uma religião acredita ou entende como certo, é ter uma bancada religiosa que legisla de acordo com os interesses da sua denominação religiosa.

Também não vale o argumento de que maioria dos brasileiros são católicos ou cristãos. Democracia não é a imposição da vontade da maioria sobre uma minoria, democracia significa a defesa dos direitos humanos e a defesa da cidadania para todas as pessoas. Portanto, entendemos que participar do debate público é correto, convencer as pessoas com argumentos também. Agora, não faz sentido fazer uma lei para coagir alguém a agir de acordo com essa ou aquela crença religiosa, as pessoas devem aderir às crenças religiosas pelo que elas acreditam, porque querem seguir o seu coração e não por força de uma lei. Interferir nas políticas públicas de acordo com uma religião não é uma medida aceitável, é antidemocrático. Por exemplo, caso o aborto seja legalizado, quem quiser seguir a orientação da Igreja e não abortar, continua podendo levar sua gravidez até o fim. O problema é que hoje não há possibilidade de escolha para quem não acredita na crença religiosa que proibe o aborto, colocando a vida das mulheres em risco.

O post Católicas lançam campanha contra discurso “conservador” da Jornada Mundial da Juventude apareceu primeiro em Revista Fórum.

Daniela Mercury vai estrelar campanha da ONU pelo fim da homofobia

 Homorrealidade

Daniela Mercury vai estrelar campanha da ONU pelo fim da homofobia

Noreply@blogger.com (homorrealidade)

Saturday, July 20, 2013, 3:53 pm

MUNDO GAY


Publicado pelo Correio 

 
Daniela Mercury acaba de aceitar o convite para estrelar uma campanha mundial do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (Acnudh), pelo fim da homofobia. O tema será Livres e Iguais.
 
Em tempo: No ano passado, o Acnudh elaborou um guia sobre as obrigações dos governos para garantir os direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT), intitulado Nascidos Livres e Iguais. A cartilha foi lançada em português pelo Escritório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) no Brasil.

semplicità ( 2003 )

 poesiaoggi » Feed

semplicità ( 2003 )

Poesiaoggi

Saturday, July 20, 2013, 4:03 pm

LITERATURA

la semplicità è tutto.
peccato che appartenga a pochi.
essere complicati è più semplice.
confondere rende di più.
vorrei essere semplice.
la mia confusione non me lo consente.

http://www.ioarte.org/artisti/Bingo/opere/confusione-mentale/

Bingo__confusione-mentale_g

João Viana – Expandindo o legado

 Música Contemporânea

João Viana – Expandindo o legado

Noreply@blogger.com (caio Garrido)

Saturday, July 20, 2013, 3:52 pm

JAZZ E BOSSA

Independente de ser filho de Djavan, o que percebemos ao ouvir esse músico de nome próprio João, e segundo nome Viana – reitero o nome devido à magnitude de seu tocar – é uma música singular e de identidade própria.  

Atuando desde 1994, João Viana é um grande instrumentista brasileiro que vem amadurecendo dia a dia, depois de já ter participado de trabalhos com grandes nomes da música brasileira e do mundo, no estúdio e em shows, como Cássia Eller, Pedro Mariano, Nando Reis, Leila Pinheiro, Djavan, Fábio Júnior, Max Viana, Moska, Monique Kessous, Francisca Valenzuela, e muitos outros. 

Conversei com ele durante sua passagem por São Paulo, na turnê em companhia de Paulinho Moska, que não por acaso o recrutou como baterista. Através desta turnê, João mostra todo seu trato linguístico de tocar. É sempre uma surpresa cada vez que o vemos no palco com sua Yamaha. É um repertório de ideias, viradas, dinâmicas, intensidades, que com simplicidade, sempre somam a música. E na música, como na conversa, cada “comunicação” acrescenta à outra. 

Durante o show de turnê do CD “Muito Pouco” de Moska, João Viana consegue mais uma vez mostrar o bom gosto musical e escolha dos timbres de sua bateria. Tem a sabedoria em orquestrar seus arranjos – sempre se afinando aos arranjos do grupo – para impulsionar fôlego e vigor para as músicas, provando que um show é um encontro. 

— Como foi seu começo na bateria? 

O meu interesse pela bateria começou de modo bem parecido com o de todos os bateras que a gente conhece por aí, batucando em panelas, na mesa, quando eu tinha uns 7, 8 anos. Quando eu tinha 9 anos, meu irmão mais velho, Max Viana, montou uma banda (a primeira banda dele) chamada Mitra, uma banda de rock, no Rio de Janeiro. Eles ensaiavam em casa. E a bateria ficava montada lá. Uma “Pinguim” cheia de pratos, com um “Paiste” vermelho! Eu ficava impressionado, maluco com aquilo. Foi ali que eu comecei a sentar na bateria e já fazer algumas levadinhas, tudo de ouvido. Mas eu só fui ganhar a minha primeira bateria aos 12 anos. Foi aí que comecei a ter aulas com o Carlos Bala. E fiquei tendo aulas com ele por muito tempo, mas sempre no esquema de uma vez por mês, pois na época, os artistas faziam turnês gigantescas e, além disso, quando ele estava no Rio ele tinha milhões de gravações. De vez em quando conseguia ter aulas quinzenalmente. Era sempre muito proveitoso. Toda a minha base está ali naquelas aulas que tive com ele. Eu lembro que às vezes a gente nem sentava na bateria. Ele me contava histórias de gravações, de como solucionou algumas situações na estrada. Ele fazia eu me dedicar aos estudos na borracha, passava pelos exercícios técnicos obrigatórios, rudimentos. Mas na época eu era apaixonado por futebol, tudo que eu queria era jogar bola. Eu ia para aula dele já com a chuteira e o meião na bolsa. E muitas vezes ele me dava aquele puxão de orelha: “Pô, João, concentra aqui na aula, sei que você está louco pra ir jogar bola.” Eu vivia na dividida entre essas duas paixões, mas graças a Deus a bateria é que falou mais forte. 

— Ainda sobre o Carlos Bala, o que ele mudou na sua maneira de pensar a bateria e no seu jeito de tocar? 

O leque de opções e ensinamentos que o Bala me deu, foram a disciplina e o profissionalismo. Tecnicamente falando, sempre buscar o melhor timbre, tocar sempre da forma mais relaxada, dar o mínimo de esforço ao corpo, e conseguir fazer as coisas soarem bem. Ele é um mestre pra mim, um mestre para todos nós. Sem contar as aulas, só de ver ele tocando ou gravando já era um grande aprendizado; Ficar de olho nos shows, gravações, na época que ele tocava com meu pai. Eu ficava de olho nele o dia inteiro, aquela coisa de pupilo mesmo. Então acho que na minha forma de tocar é inegável que tenha ali contida várias informações que eu peguei com ele. Tenho essa influência forte dele, mas por outro lado ele sempre me orientou a procurar a minha marca, a minha assinatura, e hoje eu posso te afirmar que a maior dádiva que um músico pode ter é ter a sua assinatura, é aquela coisa de você ouvir a música no rádio e saber quem está tocando. Isso não tem preço, porque milhões de outras coisas estão aí para quem quiser, como por exemplo a técnica; O cara pode ficar cinco horas por dia e ter uma super velocidade, com um domínio absurdo. Não existe dom para a técnica, existe dedicação. Mas para você ter a sua assinatura, é aí que vem o diferencial. A minha maior busca está aí, em achar uma assinatura. O maior elogio que você pode me fazer é você virar pra mim e me dizer que ouviu um negócio que é a “sua cara”, que deixou sua marca ali naquela música. Num mundo lotado de músicos talentosos, o diferencial está em você ter esse diferencial

— E você estuda ou estudou muitas horas por dia? 

Sim. Realmente eu tive uma rotina de estudos bem intensa. Eu abdiquei de muita coisa para ficar madrugada adentro estudando, pesquisando muito, fazendo o que todo mundo tem que saber em determinado momento da vida. Alguns fazem pra sempre, conseguem manter essa rotina. Hoje eu não consigo manter uma rotina fixa de estudos, mas hoje o meu estudo é voltado mais para pesquisas do que para rudimentos, caixa… Eu não consigo mais ter essa disciplina. Até porque agora, morando em apartamento, não tenho bateria em casa. Para manter o contato com a bateria é só na estrada, quando vou dar aula, ou no estúdio. Por isso eu procuro chegar antes na passagem de som em shows, para assim eu ter algum contato com o instrumento. Mas constantemente eu pesquiso muito os bateristas, as novidades de equipamentos, timbres, etc. 

— Como foi a relação com seu pai nesse aprendizado? Como foi quando gravou o primeiro disco com ele? 

É evidente, não dá para negar, que um dia, se tudo corresse bem eu iria tocar com meu pai. Só que foi muito importante para mim, ter passado por outros artistas antes. Isso me deu uma base muito boa e mais segurança quando eu cheguei para tocar com meu pai, na primeira turnê, do CD Milagreiro. Na época, a Cássia Eller tinha acabado de falecer e eu ainda estava muito mexido com aquilo, a Cássia foi um marco na minha vida. O início das gravações foi um pouco complicado, pela questão de duas formas diferentes de trabalhar. A Cássia gostava de deixar a coisa bem solta, e o Djavan gosta de deixar tudo bem mais amarrado. Meu pai aplica aquela coisa de que menos é mais. Você consegue perceber uma diferença bem grande entre o primeiro disco que eu gravei com ele, até o último, o disco “Matizes”. No início ele me transformou num executor. No “Matizes” eu pude realmente experimentar várias coisas, influenciar a música. Meu pai é um artista com quem todo mundo quer tocar. E eu sendo filho, não é diferente. Eu, nesse caso, antes de ser filho, sou músico. E como músico, eu ouço aquilo tudo e falo “Que som! Quero tocar também esse som”. Mas tudo veio na hora certa, depois de eu ter tido uma boa experiência com outros artistas. 

— Além da questão da bateria, como funcionou essa relação musical com o Djavan no seu crescimento como músico e pessoa? 

Sempre ouvia muita música, fui muito eclético. Sempre prestei atenção nele tocando violão. Sempre fiz questão de ir aos estúdios, observar, ver como as pessoas entendiam a música dele. Sempre conversei muito com ele, e tudo isso facilitou muito, me dando vivência musical. 

— Me parece que estar na banda de Cássia Eller era como estar numa família. Quais são suas lembranças dessa fase? 

Era uma banda mesmo. A Cássia era como se fosse a vocalista da banda. Não tinha aquelas coisas de praxe de artista, como por exemplo, um carro ou um camarim pra banda e outro carro e outro camarim para o artista. Ela nunca gostou disso. Ela queria estar junto de todos, ir à praia, jogar baralho. Ela sempre foi muito ‘família’, ao mesmo tempo mãezona, filha, irmã, amiga, enfim, uma pessoa sensacional, uma artista fenomenal, hiper musical. Ela gostava muito de música. Nas passagens de som, ela tocava baixo, bateria… Só tenho lembranças maravilhosas de shows, momentos no palco, como olhares, coisas íntimas, de sintonia, coisas únicas, que aconteciam com freqüência entre nós. Nós conseguimos uma química muito forte. 

— Quais são suas maiores influências na música e na bateria? 

A primeira resposta que me vem à cabeça é Beatles. Na década da existência da banda, eles conseguiram adiantar muitas tendências que estariam por vir. É como se já tivessem apresentado uma novidade que estaria por vir, só que anos e anos antes. Novidades em termos melódicos, em termos harmônicos, por mais simples que fossem; Os ritmos: O Ringo Starr era um baterista moderníssimo para a época. Fazia levadas totalmente imprevisíveis. 
Além disso, a MPB, que vivenciei muito, por ter visto nossos grandes mestres de perto, pela convivência deles com meu pai; A música africana, a música americana, inglesa. Em casa, na época do vinil, meu pai sempre ouviu de tudo um pouco. Eu também ouvi muito rock, gosto muito de rock’n’ roll. É uma grande influência pra mim. Talvez seja o tipo de música que mais me contagia – não exatamente a que mais gosto – mas a que mais me contagia. 
Quanto aos bateras, gosto de A a Z. De diferente, dos bateristas que estão me influenciando hoje, tem os bateras de gospel dos EUA, Eric Moore, Aaron Spears, Tony Royster Jr. – embora caberia uma crítica, de que eles tocam mais ou menos igual. Mas eu tenho gostado muito do Eric Harland, batera de Jazz, Karim Ziad, baterista árabe excepcional, ultradiferente, e Jojo Mayer. Sempre vou gostar dos mestres, como Vinnie Colaiuta, Steve Gadd, Omar Hakim, Marcus Baylor, Will Kennedy do Yellowjackets. Aqui no Brasil, Carlos Bala, Márcio Bahia, Téo Lima, Cesinha. Cesinha é um batera essencial na minha carreira, por tudo o que ele já me disse, por ter estado presente nos shows que ele fez desde a época com o Caetano, Marisa Monte, agora com a Vanessa da Mata. Tudo o que ele fez eu acompanhei. Ele é um cara que sempre me ajudou e incentivou, que tem uma linguagem que gosto muito, e que aplica muito bem essa linguagem da simplicidade, de tocar para a música, com precisão, com som bom. Tem também o Pupilo, que é um cara fantástico. É muito bom ter um cara como ele na nossa música. Tem o Edu Ribeiro, Cássio Cunha. O Brasil está muito bem servido. E eu não me influencio só pelos bateras não. Ouço os baixistas, pianistas, que você pode aproveitar uma melodia, para criar um fraseado, para recriar uma melodia. 

— O seu tempo musical tem uma coisa única e precisa, que passa para quem ouve uma elegância ao tocar e um grande controle do que está fazendo. Qual é o segredo para manter essa constância de “respiração” musical, nessa quase fusionalidade com o tempo? Você usa aquele tipo de recurso de olhar para os próprios movimentos do corpo para conseguir “estar” no tempo? 

Isso é um recurso muito bom para você pensar no andamento, para conseguir manter um padrão. Porque ninguém é máquina. Ou você toca com o click, ou você vai ter que respeitar o fato de que você não é uma máquina, e que vai ter uma pequena oscilação na música, o que é super bem vindo, pois a música não nasceu para ser estática. A música nasceu para evoluir junto com a canção, evoluir dentro dela mesma. Ou seja, você vai para o refrão, a coisa anda um pouquinho, depois você volta… Você tem uma dinâmica, e depois vai tudo lá “embaixo”… É inevitável e bem vindo que de repente o andamento caia um “pontinho”, dois “pontinhos”, e se não for nada grotesco, é bem vindo para a música. E aquela coisa que após tocar tanto tempo com click, em turnês comloops, eletrônicos, etc., estou gostando muito de identificar isso, de como é prazeroso quando isso acontece com a música. Mas para você manter um padrão, independente do click, tem uma coisa que aprendi com um amigo meu que é memorizar o tempo de uma nota para outra, como por exemplo, qual é a distância do bumbo para chegar à nota da caixa. Se você prestar atenção, você começa a memorizar e interiorizar o tempo de duração de uma nota pra outra. E olhando para seus próprios movimentos, você consegue perceber se está mais rápido no contratempo do que estava antes, por exemplo. Isso é um bom exercício, começar a prestar bastante atenção nisso. Isso te dá uma boa noção de andamento, relaxamento. E o andamento tem a ver com o estar relaxado também. Se você está todo tenso a tendência é correr, oscilar muito. Então quanto mais relaxado você toca, acho que facilita em tudo, A bateria é um instrumento muito braçal, então tem que haver uma economia nos movimentos. 

— Ainda olhando para este horizonte, o diferencial de energia que você usa ao tocar, com uma certa plasticidade de ‘movimentos’, é uma das coisas que faz criar um alto-relevo de sua singularidade? 

Acho que sim, mas acho que mais do que isso, tem a ver com uma questão de personalidade. Sou um cara calmo. A gente é o que a gente toca, a gente toca o que a gente é. Então eu procuro usar essa calma na hora de tocar. Mas não foi sempre assim. Já fui um baterista ansioso, que queria tocar todas as notas. Mas eu descobri cedo que o que mais importa é a música. A gente não pode querer ganhar da música. Músico nenhum pode querer ganhar da música. Você está a serviço dela, e não ela que está a seu serviço. 

— Quais são os critérios que você utiliza para a escolha e variação de timbres do seu kit, dependendo de qual gig você vai estar? 

Como eu não consigo mais ter uma rotina de estudos, a forma que eu encontrei de tentar me reinventar, foi fazer mudanças, me obrigando a tocar de uma forma diferente em função do kit. Se eu for gravar um disco inteiro de alguém, é muito difícil eu ir da primeira música até a última com a mesma formação. Vou variar os tambores, os pratos, as caixas, as afinações. É uma coisa que me dá prazer. Eu gosto de chegar cedo às passagens de som, quando é um dia que estou a fim de fazer. Eu gosto de mexer. É uma forma de você tocar um pouco diferente em determinada noite, por exemplo. Uma coisa que gosto de fazer é inverter os tambores. A mesma virada que você faz há muito tempo, com essas variações de tambores, já vai fazê-la soar diferente. Eu já vou fazer 20 anos de carreira, então é preciso variar para manter a coisa viva, fresca. 

– Como está sendo o novo trabalho e turnê com o Paulinho Moska? 

O Moska é um grande amigo, de longa data, desde a minha adolescência. Ele acompanhou o meu início profissional. Sempre gostei muito do trabalho dele. Estou agora entrando no quarto ano com ele. Gosto muito de sua obra, ele é um artista muito tranqüilo, que dá liberdade para trabalhar. Quer te ouvir, ouvir suas ideias. 

— No show com o Moska, percebi que você consegue acrescentar muito ao som dele e da banda, com seu modo de tocar. Como você cria essa consonância para potencializar e “compor” uma nova orquestração de arranjo com a banda em um show? 
 
Primeiramente, eu escolho coisas que não podem mudar; que aquela música precisa daquela “coisa”. Aí separo essas coisas num grupo. Todo show você vai me ver fazendo aquelas coisas. E deixo e gosto que tenha um espaço para um improviso, uma vez que você já conhece tão bem aquelas músicas, que aí você se dá o direito de acrescentar uma coisa ou outra. Tem dias que não se tem muitas ideias, mas tem dias que estão fervilhando ideias. Cada baterista tem seu conceito. Este é meu conceito. Eu gosto de manter coisas que fazem bem à música. E é ideal saber que os outros músicos que estão tocando com você também tem conceitos parecidos, e vão querer aplicá-los. E aí a coisa começa a fluir de uma forma bem mais tranqüila. 

— Você está gravando um projeto pessoal no momento, certo? Quais as influências e expectativas em relação a ele? Seria um rito de passagem para você? 

Estou gravando um disco meu desde 2009. Começou só como um registro de minhas músicas. Não é nada instrumental, é cantado (eu mesmo canto). Em função dos compromissos com os artistas, acaba que fica sempre para depois. E sem apoio, o projeto acaba sendo adiado. O trabalho não tem pretensão de me lançar, não tem pretensão de nada. É para enriquecer minha carreira. Estou gravando a bateria, os violões, as programações. As músicas são minhas com muitas parcerias. Mas, sinceramente, o que eu quero é o disco pronto, não me preocupo com o que virá depois, se terá shows ou não… As influências vêm de tudo que já ouvi e toquei, do rock’n’ roll à bossa nova. Mas nada impediria que no futuro se tornasse meu projeto principal, por exemplo. Não dá para saber. A vida é imprevisível. 

— Como você vê a música e seu cenário nos dias de hoje? O que você espera da música no futuro? 

Eu procuro ser muito sincero. Está muito ruim. Está ruim não porque existam gêneros musicais que estejam predominando. Tem que ter todo tipo de gênero. Mas tem que ter pra todo mundo. E esse é o problema. Não está tendo para todo mundo. Não está tendo espaço para todos. Eu não quero que o Luan Santana deixe de ganhar milhões e deixe de fazer 25 shows por mês. Quero que ele tenha esse espaço também. O problema é quando ‘ele’ é o resultado da má distribuição de possibilidades dentro da nossa cultura. Isso está ficando insuportável. Por que ele tem que ter este acesso irrestrito, enquanto outros artistas estão numa batalha intensa e não conseguem nem uma agenda fixa de shows? É isso que precisa ser repensado. Se você me perguntar como é que isso pode ser mudado, eu não saberia te dizer, e para ser sincero, não vejo mudança a curto prazo. Se tiver alguma mudança, vai demorar muito tempo, pois o tipo de música que ‘ele’ faz gera muito dinheiro também. Mas a cultura está se perdendo de uma forma geral. Se alguém pega uma música ruim, e a coloca para tocar 40 vezes por dia na rádio, até eu saio cantando. Quando meu filho começa a ouvir isso, eu tenho que redobrar a carga de Beatles, de MPB, o que graças a Deus ele gosta também. Quando você coloca uma música ruim tocando 40 vezes ao dia, aquilo vende horrores. Então porque não fazer isso com música boa também? Vai acontecer o mesmo. Vai haver espaço novamente para os grandes artistas. Coloque música boa 40 vezes ao dia e aquilo vai se refletir em vendas, em shows. O direcionamento da cultura está errado. Em algum momento teremos que refletir sobre isso. A forma como estão lidando com a nossa cultura precisa ser revisada. Tom Jobim deve estar se revirando, se remoendo no túmulo. E isso refletiu muito na minha carreira, na carreira de qualquer músico acompanhante. Eu toco com determinado segmento de artistas que sofreu muito com isso, artistas que sofreram muito com essa baixa na cultura. Ficou ruim para todo mundo. 

— Tem dias na sua vida que você consegue não pensar em música? É possível ser feliz sem música? 

Eu procuro às vezes não pensar em música, como qualquer outro profissional, que precisa de um descanso e apreciar outras coisas. Acho saudável. Não acho ser possível viver sem música. O que faz a musica ser o que ela é, é que o ser humano pode passar a vida inteira sem ler um livro, sem ir ao cinema, etc., mas você não vai conhecer ninguém que passe a vida inteira sem música. Mesmo que você não queira, a música vai estar ao seu lado, ela vai passar por você. E a música esta dentro de nós. Todos têm aquela música que traz lembranças. A música faz você ver um filme inteiro na sua frente, faz você se recordar de coisas que estão guardadas lá no fundo. Ela tem esse poder. 

.* João Viana agradece à Vic Firth, Soultone, Yamaha e Evans. 


Links e Vídeos com João Viana

http://www.youtube.com/watch?v=bRy24iKS4LA&feature=related – Trechos de músicas do show com Moska – Sesc Pompéia

http://www.youtube.com/watch?v=GjC1aZZtK-U&feature=related – João Viana em estúdio 
http://www.youtube.com/watch?v=LriM7tYfsFM&feature=related – João Viana – Túnel do tempo 
http://www.youtube.com/watch?v=Y8iQOag5zKg&feature=related – Tributo a Cássia Eller – Maceió-bastidores 

http://www.joaoviana.com.br/#!vídeo 
http://www.joaoviana.com.br/#!áudio – Prévia do single “Sixteen” do seu primeiro trabalho a ser lançado.

Hamilton de Holanda – Reinvenção do instrumento na criação musical

 Música Contemporânea

Hamilton de Holanda – Reinvenção do instrumento na criação musical

Noreply@blogger.com (caio Garrido)

Saturday, July 20, 2013, 3:52 pm

JAZZ E BOSSA

Hamilton de Holanda, exímio bandolinista brasileiro, vem sucessivamente atingindo os ápices da música contemporânea brasileira instrumental. Uma de suas últimas grandes referências é o álbum “Brasilianos 3”, lançado no final do ano passado (2011). Hamilton não é apenas o que chamamos de instrumentista e compositor; Hamilton vai além; É um criador. Reinventando a forma de tocar bandolim, cria também um novo instrumento, que transgride as formas comuns e conhecidas, para compor uma nova música e uma nova história. Vamos a ela nesta entrevista realizada pelo Blog Música Contemporânea.
 
 
 
 
— Hamilton, você considera que já tenha atingido alguma espécie de maturidade por seus 30 anos de carreira musical? É necessário um longo período de maturação da forma de tocar para maximizar a criatividade e chegar ao que chamamos de estilo?
 
Com certeza me sinto mais maduro hoje do que 10 anos atrás. O tempo moldou o meu estilo musical e a minha pessoa. Acontece que estou sempre buscando o que gosto de fazer, de criar, através de shows, discos, parcerias, viagens, no dia a dia com a família e os amigos, para conseguir sintetizar todas essas informações e ter um resultado artístico fluente e verdadeiro. Com o tempo, você aprende a peneirar aquilo que pode somar e deixar pra lá aquilo que atrapalha.
 
 
 
— Li em uma recente entrevista no qual você diz algo sobre a importância da intimidade com o instrumento. O quanto desta intimidade é fruto de uma crescente intimidade consigo mesmo? O caminho em direção a fraseados mais simples é realizado pensando nisso ou é apenas uma consequência da exploração musical e interior?
 
O importante nesta questão é a soma da técnica com o sentimento. Quanto mais intimidade técnica você tem com o instrumento, fica mais fácil você expressar suas ideias e sentimentos. Sobre a intimidade comigo mesmo que você cita na questão, já fico sozinho o bastante em quartos de hotel. Gosto mesmo é de estar entre amigos, com a família. A solidão é importante, mas não é o que mais gosto. Não faço música só pra mim, faço pra me encontrar com as pessoas.
 
— No trabalho em grupo, a aproximação entre os músicos contribui para suas composições?
 
Eu acho que sim. Nos meus trabalhos, isso faz diferença. Já vi grupos tocarem muito bem e depois descobri que não havia nenhuma ligação afetiva entre os músicos. Isso existe; não no meu caso.
 
— Existe alguma diferença no approach/abordagem quando se mudam as formações da banda? O álbum “Brasilianos 3” tem diferenças em relação aos trabalhos anteriores?
 
Existem duas diferenças: a personalidade de cada músico influencia diretamente no resultado do trabalho, e claro, que tipo de instrumento cada um toca. Minhas decisões na hora de fazer um trabalho são tomadas em função dessas variantes, sempre buscando o máximo que pode ser feito por cada um e por cada instrumento, respeitando e trabalhando lado a lado com as peculiaridades de cada um.
 
— A reinvenção na sua forma de tocar bandolim influenciou a forma como compõe?
 
Influenciou completamente. Eu sempre faço algo que tenha um sentido musical, que passe por acordes e ritmos que possam emocionar o ouvinte, o espectador, mas sempre com um toque do desafio, de encontrar algo que ainda não fiz. Nesse último ano tenho pensado também como contribuir mais ativamente para a evolução do bandolim, então tenho composto música-estudo. Fiz uma série de Caprichos, inspirado em Paganini. Músicas que, além de músicas, são estudos, e se eu não disser que são estudos, as pessoas nem vão perceber.
 
— Você cita como influências suas desde grandes músicos até pintores e escritores. Como essas artes e artistas influenciam sua obra?
 
Na verdade, qualquer acontecimento da vida me influencia, a antena está ligada 24 horas por dia. Vejo um quadro e me transporto, o mesmo acontece com um filme, um livro. É muito bom compor após o impacto que uma obra causa em minha mente, em meu coração. É uma maneira de me comunicar com a alma das pessoas.
 
— Quais direções você acha que se encaminhará sua vida e os próximos trabalhos?
 
Também gostaria de ter essa resposta, mas minha bola de cristal é muito turva, não consigo ver com precisão o meu futuro. E gosto que seja assim. Quando decidi ser músico profissional, sabia que seria assim, cada dia uma nova história, e todas elas interligadas com o passado e com o futuro. O que me resta é viver e agradecer.
 
— Qual limitação mais te ensinou e te levou mais longe na sua vida de músico?
 
Tocar bandolim!
 
 
 
Vídeo com Hamilton de Holanda:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=vGfXYGFSgsk – Hamilton de Holanda Quinteto – Saudade do Rio (H. de Holanda) – Instrumental SESC Brasil
 
 
 
Entrevista realizada por Caio Garrido