Graça Foster diz que negócio da gestão FHC foi pior do que Pasadena

Em depoimento à CPMI da Petrobras, residente da estatal avaliou que a compra da refinaria de Bahia Blanca, na Argentina, feita durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso, foi menos interessante que a de Pasadena, nos Estados Unidos, feita quando Lula era presidente; “Pasadena é um investimento menor para uma capacidade maior”, disse

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O que a ilha dos Marinhos mostra sobre eles e sobre o Brasil

Os três irmãos Marinhos dividiram o poder assim. Roberto Irineu, o primogênito, é o presidente. João Roberto, o segundo, é o editor, e dele emanam as diretrizes a serem seguidas por todas as mídias do grupo. José Roberto, o caçula, cuida da Fundação Roberto Marinho, e é tido, nas Organizações, como um cruzado do ambientalismo. Mas parece que seu cuidado com o meio ambiente vale para o mundo, mas não para a família Marinho. Veio à luz espetacularmente, ontem, uma ilha dos Marinhos na região de Paraty. Quem a tornou assunto nacional foi o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, suspeito de irregularidades, em depoimento na CPI da empresa. Antes de seguir, um registro cômico. A Globonews vinha dando ao vivo o depoimento até Costa falar na ilha. Ele disse que, em suas novas atividades, tem um contrato firmado para vender a ilha. “É um projeto chamado Zest”, afirmou. Neste momento, a Globonews interrompeu a transmissão da CPI da Petrobras e foi para outro lugar. Os editores mostraram agudo senso de sobrevivência. Pausa para rir. A ilha, em si, é um retrato do Brasil. A melhor matéria feita sobre ela – e as polêmicas que a rondam — não veio da Folha, ou da Veja, ou do Estadão. Veio de fora, da Bloomberg. A Globo não goza, com a Bloomberg, do esquema de proteção que Folha, Veja e Estadão lhe garantem no Brasil. “Os herdeiros de Roberto Marinho, que criou as Organizações Globo, maior grupo de mídia da América do Sul, construíram (em sua ilha) uma casa de 1 300 metros quadrados, um heliponto e uma piscina numa área da Mata Atlântica que a lei, supostamente, preserva para manter intocada sua ecologia”, disse a Bloomberg, numa reportagem de 2012. José Roberto, o homem-natureza da Globo, aparentemente não se importou em derrubar árvores em sua propriedade, e muito menos se intimidou diante da lei. A Bloomberg foi ouvir o Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade. Falou com Graziela Moraes Barros, inspetora do instituto. Ela foi investigar a casa, que recebeu diversos prêmios arquitetônicos. “Os Marinhos quebraram a lei ao construir a casa”, disse ela. Dois guardas armados, ela contou, impedem que outras pessoas usem a praia — pública — em frente da casa. De certa forma, isso lembra a infame ocupação de um terreno público pela Globo ao lado de sua sede em São Paulo. Um juiz ordenou em 2010 que a casa fosse derrubada, mas evidentemente que não foi. E então Graziela se saiu com uma frase que é especialmente dolorosa, porque verdadeira. “Muita gente diz que os Marinhos mandam no Brasil. A casa mostra que eles certamente pensam que estão acima da lei.”

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