A DELICADEZA DOS DIAS

Talis Andrade

por Eliane Brum

Brutalizados pelo mundo que criamos, somos reduzidos a consumidores de acontecimentos presos no pesadelo da repetição

Farhad Foroutanian indivualidade robô

“Mãe, sabia que, quando a gente cresce, pode voltar a brincar com os brinquedos de criança?”, anunciou minha afilhada Catarina, três anos e oito meses. E seguiu, em sua primeira declaração de Ano-Novo. “A gente precisa dos brinquedos pra ir na faculdade. Eu vou ser escrevista.” Escrevista?, pontuou a mãe, interrogativa. “Escrevista, mãe. Aquela pessoa que escreve pra ler.”

Catarina é assim. Cercada de princesas, porque ela também é uma princesista praticante, ela às vezes silencia os adultos ao redor, arrancando-nos da repetição neurótica dos dias. É visível que sente compaixão por nós, a ponto de, neste Natal, ter fingido acreditar no Papai Noel para não nos decepcionar. Fizemos coisas ridículas, na falta de chaminés o Papai Noel teria descido por uma janela pela qual não passaria um duende com anorexia…

Ver o post original 1.723 mais palavras

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.