A dor o fez assim

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Era um vagão vazio. Cheirando a mofo. Carcomido pelas ferrugens. Bonito por fora. Grandioso. Janelas sem vidros. Denso estava o ar com a porta estreita aberta. Era um vagão de dor. Um borrão no tempo. Uma vaga.

Foi assim que se sentiu naquele instante. Como se tivesse sido jogado na frente de um vulto. Uma carcaça. Um trem velho. Correram as horas pela sua pele. Mas o tempo parado o angustiava. Nada. Estava ao pé do nada.

Vivia quase sempre pelas beiradas das horas. Catando pequenos restos que sobravam delas. Como em vagões isolados. Separados do todo. Empedernidos do odor das ocupações.

Atinha-se aos outros aos bocados. Em relações vagas. Espalhadas pelos cantos dos dias. Quase restos. Sobras de sua atenção. Amar era em blocos jogados aqui ou ali… descarrilados.

Filho do tempo. Enferrujado por dentro. A dor o fez assim. Vago… vazio… insatisfeito. Olhava os vagões do trem. Era…

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