!Agosto das Letras”

Barrados no Braille

Eu não era propriamente uma criança alegre. Tinha muita energia guardada, e, uma timidez absurda, o que as vezes me fazia ficar paralisada. Havia poucas coisas que me deixavam completamente em paz, feliz, entregue. Uma dessas coisas eram os livros.

Livros, na minha infância, eram sinônimos para grandes maços de papéis encadernados em capas muito duras, folhas completamente crivadas de sulcos, sulcos que eu percorria com minhas mãos pequenas, as palavras fazendo sentido na polpa dos meus dedos indicadores.

Com o tempo aprendi a identificar em mim mesma uma espécie de fome, suave, funda, inadiável. Era fome de leitura.

A frase que mais se ouvia em torno de mim, dita pelos adultos, era: Essa menina é magra de tanto ler!

Lia muito mesmo. Por dias inteiros eu me deslocava por entre as palavras, abria páginas e páginas, crivadas daqueles sulcos mágicos, e voava por mundos surpreendentes, absurdos e trágicos: De…

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