Santiago Santos: Poesia de Boteco Mora na Porta do Banheiro

LOID

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Acordou tarde e quando desceu as mesas já tavam postas, seu Batista ali, na pontinha, escondido do mundo nos óclinhos escuros, bebericando a cerveja em goles calculados, que era pra garrafa durar a tarde toda. Deu oi pra mãe limpando a chapa e pro pai atrás do caixa, seu Batista acenou, se aprumando na cadeira (ele sempre se aprumava quando ela aparecia). Pegou o balde, o pano, o rodo e os materiais debaixo da escada do depósito e começou pelo banheiro feminino. Sempre observava a marcação em caneta na porta do box, na altura dos olhos de uma pessoa que tivesse cagado ali, feita com caneta BIC, Tenho boceta rosadinha e molhadinha que só gosta de outras bocetas, me liga, e embaixo um número de celular. Tirou o saco de lixo, amaldiçoando as cagonas que conseguiam jogar os papéis emporcalhados fora do lixo, lavou a privada e o chão.

No…

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