Dobradinhas Literário-Pictóricas: Clarice Lispector & Van Gogh

A CASA DE VIDRO

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” – Escute-me, amigo, a lua está alta no céu. Você não tem medo? O desamparo vem da natureza. Esse luar, pense bem, esse luar mais branco que o rosto de um morto, tão distante e silencioso, esse luar assistiu aos gritos dos primeiros monstros sobre a terra, velou sobre as águas apaziguadas dos dilúvios e das enchentes, iluminou séculos de noites e apagou-se em seculares madrugadas… Pense, meu amigo, esse luar será o mesmo espectro tranquilo quando não mais existirem as marcas dos netos dos seus bisnetos. Humilhe-se diante dele. Você apareceu um instante e ele é sempre. Não sofre, amigo? Eu… eu por mim não suporto. Dói-me aqui, no centro do coração, ter que morrer um dia e, milhares de séculos depois, indiferenciado em húmus, sem olhos para o resto da eternidade, eu, EU, sem olhos para o resto da eternidade… e a lua indiferente e triunfante…

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“Onde quer que um negro esteja, dentro da política que aí está, será a casa grande, e nunca o quilombo! “

Da Cor do Universo

Por Fernando Senzala:

Tem muita gente falando muita coisa a respeito do fato de Fernando Holiday ter sido eleito. Bom, eu penso que o problema seja muito mais complexo do que as emoções de enquadrar o cara em uma esfera política da casa grande, em contraposição de um suposto quilombo, que seriam os partidos de esquerda. Onde quer que um negro esteja, dentro da política que aí está, será a casa grande, e nunca o quilombo! O que acontece com o Fernandinho é que o cômodo que ele está alocado funciona como sala de estar, não é onde fica o cofre, lá não entram negros, mas na sala de estar ele transita. O lugar do negro na Casa Grande Chamada Brasil, é entre a sala de estar (onde ele serve os seus senhores), a cozinha (onde ele cozinha e matuta com outros negros as estratégias de boa convivência com…

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Minhocas

Sorria!

O avô observa o neto brincando no quintal e vai perguntar o que é que ele está fazendo. O neto diz:
– Enfiando as minhocas de volta para o toca delas…
– E como é que você consegue, meu neto, o bicho é todo molengo?…
Te dou dez reais para você me ensinar a fazer isso.
– Bem eu passo cola de madeira, espero secar esticando a minhoca… aí é só colocar no buraco.
– Toma os dez reais…
Duas horas mais tarde o avô chega para o neto, tira dez reais do bolso, dá na mão do neto e o neto fala:
– Tá ficando caduco, vô? O senhor já me deu os 10 reais.
– Eu sei. Esses 10 foi a tua vó quem mandou.

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Vereador eleito pelo PMDB é preso com quase 300 kg de drogas na Bahia – Portal Fórum — Brasdangola Blogue

Messias Aguiar foi o segundo mais votado no município de Ubaitaba (BA), com 571 votos. Fonte: Vereador eleito pelo PMDB é preso com quase 300 kg de drogas na Bahia – Portal Fórum

via Vereador eleito pelo PMDB é preso com quase 300 kg de drogas na Bahia – Portal Fórum — Brasdangola Blogue

A morning in good company

Eiwawar

It’s migration time again, and “migration in Grenoble” rhymes with “Col du Fau”, the pass at the end of the valley, to the south, where all migrating birds have to go in the autumn. On a sunny Sunday morning, I arrived there at 8, shortly after sunrise. The light, low and warm, was beautiful, and a constant flow of swallows, mainly Barn swallows (Hirundo rustica), was crossing the pass. Four or five European stonechats (Saxicola rubicola) and a Whinchat (Saxicola rubetra) took a break along the fence, looking for insects then plunging to the ground to catch them. From time to time, a Yellowhammer (Emberiza citrinella) and a Common redstart (Phoenicurus phoenicurus) joined them.
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Nova Iorque, outubro de 2016

Contos do interior

Não me sobraram palavras bonitas, mesmo que tudo ao redor seja, e não é tristeza, não é desânimo, não é fome, não é porque a moça do post office riu de mim, ou porque o personal trainer saracutiou qualquer coisa quando perguntei se eu iria ganhar o crédito por ter indicado dois amigos. Você me diz que eu realizo um sonho, que sonhos valem todos os sorrisos do mundo e por isso, toda noite, eu treino a abertura correta dos lábios, ensaio não mostrar muitos os dentes e às vezes tento até fazer de um jeito em que a minha boca fique um pouco aberta, como se eu estivesse no meio de uma gargalhada. Eu ainda ando pelas ruas esperando uma coisa que eu não sei o que é e ao mesmo tempo que essa coisa não aparece, tudo acontece e tudo é muito; toda essa novidade me arrebata como…

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