Mermão

Duas Fridas

Em inglês se diz brother-in-law; em francês, beau-frère – diferença que sempre achei interessante: o que uma língua determina pela lei a outra define pela beleza. Em português há uma palavra específica, cunhado – que a sabedoria popular diz que não é parente, enfraquecendo um parentesco já meio frouxo. Pois o Laerte foi todos esses e mais alguns. Cariocamente bróder, parceiro na alegria e no perrengue; legalmente cunhado, irmão no amor pela beleza das canções. Por um longo tempo fomos também brothers in arms, unidos numa feliz, debochada e resistente trincheira flamenguista, cercada de alvinegros por todos os lados.

Mas eu e Laerte fomos, somos – e desconfio que seremos sempre – irmãos em notas. Não as monetárias (que a gente não dispensa), mas as musicais, para nós vitais porque nos alimentam, orientam, constituem. No mundo mágico da música estabelecemos um território de entendimento, livre de preconceitos e dogmas: ouvíamos de tudo, gostávamos de…

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