Dia 4 de Outubro

belíssimo texto. lembrei de amigos. idos. esquecidos.

Cássio Serafim

Duas esquinas. Exatamente duas esquinas alcançadas no trajeto da morada dos meus pais ao barbeiro. Um homem sentado numa cadeira de balanço, feita de ferro, com assento e encosto de palha entrançada, debaixo de uma varanda que protegia a fachada da residência.

Por vezes, vínhamos da universidade, parávamos e sentávamos ali, debaixo da varanda, a conversar e a esquecer as horas. Depois de longa resistência a interromper o papo, despedíamo-nos com a certeza de que, se poupássemos minutos imediatos, teríamos outros tantos para usufruir na jornada seguinte. E, assim, lá estávamos no outro dia… e no outro… e no outro… se brincasse, a semana toda.

Era a nossa amizade ainda incipiente que tecíamos. Com frequência, a sua mãe, mesmo cansada e meio adormecida, surgia à porta, a recordar que estava tarde. A minha mãe geralmente levantava ao ouvir a chave na porta. E, então, lembrava-me de que já era…

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