O mundo humano é o reino do acaso e o do erro

Para espíritos livres

SCHOPENHAUER, A., 1788-1860. O mundo como vontade e representação. Tradução de M. F. Sá Coreia. Rio de Janeiro: Contraponto, 2001. 439p.

[…] O homem fabrica para si, à sua semelhança, demônios, deuses, santos; depois tem que lhes oferecer sem cessar sacrifícios, orações, ornatos para os templos, votos, cumprimentos de votos, peregrinações, homenagens, adornos para as suas estátuas, e o resto. O  serviço destes seres mistura-se perpetuamente com a vida real, eclipsa-a mesmo: cada acontecimento torna-se o efeito da ação destes seres; o comércio que se mantém com eles enche metade da vida, alimenta em nós a esperança, e, pelas ilusões que suscita, torna-se-nos  por vezes mais interessante do que o comércio com os seres reais. Aí está o efeito e o sintoma de uma verdadeira necessidade do homem, necessidade de socorro e de assistência, necessidade de ocupação para abreviar o tempo; muitas vezes, sem dúvida o resultado vai diretamente…

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