Conto | Asa Branca

Conte Histórias

Por: Cesar Gaglioni

Ele não podia ver nada além da secura. O sol do meio-dia fazia com que o suor ensopasse sua roupa, que já grudava em seu corpo como uma segunda pele. No horizonte, ele podia ver a fumaça da queimada. Sentiu uma melancolia dentro de si e seguiu seu caminho. Na estrada, conseguiu ver o corpo do Alazão já cercado de moscas. O gado dava seu último suspiro nesse mundo com olhar pesado.

Andou por mais alguns minutos até o centro da cidadela. O sorriso das pessoas desaparecera há meses, mas ele ainda era capaz de manter a gentileza que dava algum alívio pra vida daquela gente. Entrou na capelinha tirando o chapéu. Com os joelhos fracos e franzinos, colocou-se aos pés do Criador.

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Existencialismo em Clarice Lispector

Miscelânea Pontual

Uma imersão filosófica em “A Hora da Estrela”

 Umas das piores coisas que se faz ao escrever (eu sinceramente detesto fazê-lo) é o sedutor vício de tirar o autor de seu contexto em escrita. O autor está munido de uma linha de raciocínio e diálogo com a temática trabalhada em sua obra, sendo uma “heresia” isolar uma frase ou parágrafo e aplicá-lo até num viés em que o próprio autor discorda, ou antes, nunca pensou. Perigosa é tal prática, onde podemos usar os “clássicos” para teorizar formulações distantes e excêntricas que estão aquém do real discurso do autor em questão.
   Porém, embora eu – particularmente – não seja fã de tal prática, acredito que, em alguns casos, a contribuição descontextualizada de um autor pode ilustrar o ponto chave do pensamento ali desenvolvido. Nesse caso, apresento aqui sete parágrafos da obra “A Hora da Estrela” de Clarice Lispector, ilustrando assim…

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Dakota Access Pipeline and Amy Goodman

nomadruss in words and photos

I’d been photographing in North Dakota when I stopped in the small town of Mandan at a little diner. I’d driven through a town where the Dakota Access Pipeline had been in the news due to Native Americans protecting their ancestral lands, but all was quiet. However, in that little diner I saw a gathering of people at one table that didn’t seem to be local.  After a time it became clear that they were journalists. One of them, who was intriguingly dressed as a homeless woman I thought, turned out to be Amy Goodman from Democracy now. I heard her explaining on the phone that she’d be at the courthouse that day as a case was being heard against her for trespassing. She’d been arrested while covering the protests along with several others.

I was present as an interested observer, neither protesting, nor advocating, on behalf of anyone. I…

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Lisbon in twelve years, twelve pictures, twelve stories

Jules Verne Times Two

I remember walking about one of Lisbon’s cobbled streets with my dad, many years ago. We came up to a gentleman selling Borda D’Água, an old almanac created in the 1920s. I wondered what sort of use could somebody living in Lisbon have for a farming calendar and other agricultural tidbits. Apparently, alfacinhas (the nickname given to Lisbon residents, literally meaning lettuces) are indeed interested in agriculture because, to this day, the old almanac is still sold on Lisbon’s streets, virtually unchanged.

Maybe we need the almanac to plant lettuces on all those urban vegetable gardens that are popping up all around the city. The truth though is that there’s a lot I don’t know about Lisbon, the city where I was born and currently live on. Nevertheless, given that this blog is filled with stuff we blabber on about after visiting a place for just a few days, I…

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Viviane Vergueiro: “Estes tempos de golpe são tempos para encararmos as pseudo-virilidades fascistas que acham mais legitimadas para atuar”

Blog da Boitempo

viviane-vergueiro

Entrevista especial com Viviane Vergueiro.

Viviane Vergueiro é ativista transfeminista, professora e pesquisadora em identidades de gênero e diversidades corporais no Grupo de Pesquisa em Cultura e Sexualidade da Universidade Federal da Bahia (CuS-UFBA). Graduada em Ciências Econômicas, é mestra pela Universidade Federal da Bahia no Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos. Nesta entrevista, Viviane discorre sobre múltiplos temas, como o conceito de cisgeneridade, embates e tensões acerca dos colonialismos, o processo transexualizador, o golpe parlamentar instalado no Brasil ao longo do ano de 2016 e possíveis consequências para a população LGBT.

Esta conversa, conduzida por Fernando Luiz Salgado da Silva (doutorando em psicanálise pela Universidade de Paris 7) e Maria Luiza Rovaris Cidade (doutoranda em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro)dá sequência à série de entrevistas do Movimento Democrático 18 de Março (MD18) com grandes intelectuais…

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