Diário do Centro do Mundo Temer demorou uma semana e 121 mortos no Espírito Santo para divulgar uma nota falando nada. Por Kiko Nogueira

  Temer levou uma semana e 121 mortos para se manifestar sobre o horror no Espírito Santo. Diretamente de seu gabinete, ditou para algum estafeta a seguinte nota: “O presidente Michel Temer acompanha, desde os primeiros momentos, todos os fatos relacionados à segurança pública no Espírito Santo. Condena a paralisação ilegal da polícia militar que atemoriza o povo capixaba. Ao saber da situação, determinou o imediato envio de dois mil homens para reestabelecer a lei e a ordem no Estado. O presidente tem se informado todos os dias com o governador Paulo Hartung e vai fazer todos os esforços para que o Espírito Santo retorne à normalidade o quanto antes. Agirá da mesma forma sempre que necessário, em todos os locais onde for preciso. O presidente ressalta que o direito à reivindicação não pode tornar o povo brasileiro refém. O estado de direito não permite esse tipo de comportamento inaceitável. O presidente conclama aos grevistas que retornem ao trabalho como determinou a Justiça e que as negociações com o governo transcorram dentro do mais absoluto respeito à ordem e à lei, preservando o direito e as garantias do povo que paga o salário dos servidores públicos, sejam eles civis ou militares.” Na sexta-feira, o governo do Espírito Santo afirmou que 703 policiais militares serão indiciados. No Rio de Janeiro, mulheres cercam batalhões tentando impedir soldados de sair. O clima é de pânico. Temer é o rei do escuro e do timing, como gosta o pessoal da Lava Jato. Seu negócio não é a luz do sol. Vive de manobrar na sombra. Dá trabalho fazer a costura da indicação de um Alexandre de Moraes para o STF. Dá trabalho tentar se manter no cargo que usurpou. Dá trabalho tentar estancar a sangria da Lava Jato com sua curriola. Custa tempo e dinheiro. No meio do caminho, tem um Eduardo Cunha jogando areia no ventilador em depoimento a Moro. Como é que podem exigir que, no meio disso tudo, ele ainda encontre algumas horas para, por exemplo, nomear um outro ministro da Justiça? Como exigir que ele se compadeça de um pobre capixaba? Nelson Rodrigues passou alguns maus bocados por causa uma crônica em que cravava que “o Piauí não existe”. A reação o fez se desculpar. “Os patriotas de Teresina estão ventando fogo por todas as narinas”, escreveu. “Sabemos mais do esquimó que do piauiense.” Para Temer, o Espírito Santo não existe. Nem o Brasil, aliás. O que existe para ele é uma ilha no nada chamada Brasília, habitada por seus iguais, com um love boat no meio onde seu ex-ministro faz “sabatinas informais” com senadores.

Fonte: Diário do Centro do Mundo Temer demorou uma semana e 121 mortos no Espírito Santo para divulgar uma nota falando nada. Por Kiko Nogueira

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