Cinco poemas de Daniela Delias

LOID

‘Moonlight’ (1895), de Edvard Munch

LANÇAS

aconteceu de chover tanto
que cogumelos imensos
nasceram no concreto

justo hoje que não diria
dos punhais sobre o sonho
vesti minhas luvas
cerquei-me de lanças
vi meu coração partido

há coisas
que simplesmente nascem:
não se pode dissuadir a vida
de sua natureza terrível

ROTEIRO

armar as palavras não ditas
com o metal de nossos sonhos

beijá-las vertiginosamente
antes que nasçam
antes que quebrem
antes que partam

não dizer que uma língua que cala
é uma língua que sangra

escrever um poema de amor
que por não saber
o diga

ENTRE

a fera repousa agora
no imenso deserto que invento
entre a boca e o colo

mas quando suas garras
cruzarem o escuro
abrirei a porta
e beijarei seus olhos

até que me queira
até que me cale
até que me diga

tenho, tenho que acordar

Ver o post original 161 mais palavras

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