Santiago Santos: A balada do óleo de soja

LOID

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Já tá saindo aí, Márcia?

Já, já, seu Robson. Um minutinho.

Na gordura as minúsculas coxinhas e bolinhas de queijo e quibes e pastéis vão ganhando cor, consistência. O cheiro é sufocante, dane-se a touca e o avental. É coisa que sempre penetra nas grutas da pele.

Todo dia compro um cigarro, um só, na distribuidora perto de casa, e deixo pra fumar entre o encerramento dos pedidos do dia, pertinho das 6, e a limpeza da cozinha. Seu Robson não gosta, mas não pode fazer nada, guardo a pausa da tarde pra isso. Ele diz que a patroa não gosta que a gente fume ou fique de bobeira na rua de uniforme, então espero dar essa hora pra tirar e saio pro calçadão. O Júnio, da loja de brinquedos vizinha, me empresta o isqueiro.

E aí, Júnio, tranquilo?

Opa, Márcia, hoje passou voando, ein.

Só se for procê, fio…

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