Os que perderam até o mínimo

Nem bem se deitou na cama, às 23 horas da última sexta-feira (29), Taelton Alison Amaral, de 27 anos, pegou num sono pesado. Entregador de um aplicativo de delivery, ele calculava ter pedalado mais de 100 km ao longo do dia, sob uma chuva fina. A mulher dele, Michelle Cristina dos Santos, de 30 anos, no entanto, não conseguia dormir. A ocupação em que o casal mora com os dois filhos – o Jardim Veneza, no bairro Tatuquara, extremo Sul de Curitiba – está com os dias contados: a Justiça determinou a reintegração de posse do local. A comunidade se formou em dezembro de 2020, no auge da pandemia, composta por trezentas famílias em extrema vulnerabilidade social, que estavam desempregadas e/ou não conseguiam pagar o aluguel, graças ao descontrole da inflação. Seis dos lotes do Jardim Veneza são ocupados por parentes de Michelle – irmãs, tia, primas… Uma família inteira prestes a perder o teto. “Ou a gente come ou a gente paga aluguel. Não tem como se manter, ainda mais agora, que subiu tudo. É impossível”, disse Michelle. “A gente precisa comprar fralda, leite… O gás foi minha sogra quem deu, mas está no fim. Quando acabar, sabe Deus como vamos cozinhar. A gente está à beira de ir morar na rua, com duas crianças pequenas. Isso tem tirado o sono de todo mundo”, lamentou.

Fonte: Os que perderam até o mínimo

Brasileiros vivem cada vez mais de “bico”, ganhando cada vez menos – Brasil 247

Fenômeno é resultado da precarização do trabalho, produzida pela destruição de empregos causada pela Lava Jato e pela reforma trabalhista do governo golpista de Michel Temer

Fonte: Brasileiros vivem cada vez mais de “bico”, ganhando cada vez menos – Brasil 247