Necropolítica na metrópole: extermínio de corpos, especulação de territórios — Blog da Boitempo

Por Juliana Borges / “Ao mobilizar centenas de policiais e manifestar expressiva violência naquele território da Luz, a atual política da administração municipal de São Paulo tem por objetivo não apenas o controle, mas visa limpar pessoas e abrir caminho aos interesses corporativos e financeiros. É a “Cidade linda” operando na lógica da limpeza social e racial do território e abrindo-o para interesses mercadológicos. São as dominações racista e classista em funcionamento interseccionado.”

via Necropolítica na metrópole: extermínio de corpos, especulação de territórios — Blog da Boitempo

Somos do bem: podemos tudo!

“O espetáculo midiático promovido pelo promotor Dallagnol– um fervoroso fiel religioso que prega o combate à (um determinado tipo de) corrupção em templos pelo país afora – mostra que o fanatismo de base política e religiosa contaminou parte das instituições do sistema de justiça brasileiro”, diz o cientista político Robson Sávio Reis Souza, professor da PUC-MG; “Quando a acusação em doses cavalares e à revelia do devido processo legal é transformada em evidências de culpa, convicção, chantagem e difusão do medo e do ódio, mesmo não havendo investigações suficientes, provas cabais e apresentação do contraditório; quando a justiça não age de forma isonômica; quando o objetivo é destruir carreiras e reputações e promover caça às bruxas flerta-se com um estado totalitário”

Fonte: Somos do bem: podemos tudo!

A vida depois do golpe | Brasil 24/7

“Com a vitória da coalizão golpista na votação da pronúncia de Dilma como ré, só falta o juiz apitar: fim de jogo, tudo dominado, o golpe prevaleceu”, diz a colunista Tereza Cruvinel; com a vitória do interino Michel Temer, ela prevê um cenário com escalada autoritária, repressão das oposições e do contraditório, uma grande pizza para salvar políticos aliados da Lava Jato, a continuidade da caçada ao ex-presidente Lula, retrocesso social e política externa subserviente; no entanto, com a tendência de que Temer se torne a cada dia mais impopular, ela imagina ainda a hipótese de que avance a cassação da chapa Dilma-Temer no ano que vem, abrindo espaço para uma eleição indireta; a única saída viável para pacificar o País, diz ela, seria a realização de novas eleições presidenciais; “Teríamos assim, ao final da conflagração, de duração imprevisível, o desfecho para a crise e alguma pacificação”

Fonte: A vida depois do golpe | Brasil 24/7

A prisão arbitrária dos alunos em SP é um aperitivo do estilo no novo Ministro da Justiça. Por Mauro Donato

As declarações de Alexandre de Moraes, novo Ministro da Justiça, a respeito de como tratar os movimentos sociais e, sobretudo, a demonstração prática de seu legado na Secretaria de Segurança de São Paulo na manhã de ontem quando a PM invadiu ocupações de escolas sem precisar mais contar com mandado judicial e conduzir 89 estudantes para a delegacia, deixou boquiaberta a parcela pensante da população. Enquanto os alunos que restaram soltos faziam uma assembléia para decidir o futuro das ocupações, uma manifestação chamada pela página O Mal Educado reunia diversos movimentos sociais, membros da Gaviões, o MPL, SINTUSP, movimentos por moradia e outros na avenida Paulista. Todos em solidariedade aos estudantes dura e covardemente reprimidos e preocupados com o que está por vir. Foi um episódio emblemático. Menores de idade foram acordados e arrastados para fora, enfiados em ônibus e impedidos de comunicar a quem quer que fosse. Muitos pais, revoltados, ficaram sabendo o que ocorria através da TV. As acusações incluem, entre outras coisas, “esbulho possessório”, invasão de propriedade alheia. Escola é propriedade alheia a estudantes desde quando? Só mesmo no novo Brasil que escalou para a pasta da Educação um ministro como Mendonça Filho (DEM) que tem em seu currículo ser a favor da redução da maioridade penal, ser contra as cotas raciais e que já foi à justiça contra o ProUni. Com um ministro desses não é de se estranhar que estudantes e menores de idade estejam sendo tratados como criminosos. Afinal, em que país vivemos desde às 6:30 da manhã do dia 12 de maio? “Estamos sob condições muito mais duras porque essa mudança de governo autorizou setores mais à direita a abrir uma guerra de reconquista de território que perderam por 12 anos. O que aconteceu hoje de manhã deve ser lido junto com as declarações do novo Ministro da Justiça. É um sinal claro de que a repressão será bem mais dura a partir de agora”, afirmou Pablo Ortellado, filósofo professor de Gestão de Políticas Públicas, presente ao ato. Um estado que trata reivindicações legítimas com repressão policial e atropela direitos constitucionais é filme reprisado mas sempre assombra. Até porque, as justificativas são acintosas. Adalberto Robert Alves, autor do parecer da Procuradoria-Geral do Estado que respaldou as reintegrações das escolas sem mandado judicial, alegou que recorrer à justiça significa demora para resolver problemas. “Muitas vezes o Judiciário não aprecia o nosso pedido com a urgência necessária. É um procedimento que acaba atrapalhando.” Como o judiciário é lento, vamos com as próprias mãos. É isso? Recado assimilado, foi isso que fez o governo de São Paulo, foi isso o que fizeram populares em outras ocupações. Invadiram, bateram, ameaçaram de morte os alunos. No Rio de Janeiro a escola Mendes de Moraes, ocupada há 50 dias, foi palco de uma batalha sangrenta que durou quase uma hora e deixou quatro feridos. Dois deles precisaram ser levados a hospitais. Em São Paulo outras escolas foram retomadas com violência protagonizada por diretores, pais, alunos e milicianos contrários às ocupações. O legado de Alexandre de Moraes e o argumento do assessor jurídico da PGE liberaram o vale-tudo. “As coisas ficaram mais difíceis mas a gente não vai se desmobilizar por causa disso não. Está uma perseguição grande tanto policial quanto politicamente dentro das escolas. Alguns BOs foram enviados diretamente da polícia para o Centro Paula Souza”, declarou Douglas de Oliveira, aluno da ETEC Guaracy. O protesto em solidariedade aos estudantes marchou pela cidade e no final juntou-se às Mães de Maio que faziam um ato em memória dos dez anos da perda seus filhos. Em 2006, 505 civis foram assassinados para vingar a morte de 59 policiais pelo PCC. Dez anos depois, que país vivemos? Enquanto estudantes eram presos e agredidos, as atenções da grande mídia estavam voltadas para os pronunciamentos e entrevistas do novo ministro da Economia sobre mercado, câmbio, finanças. A sexta-feira 13 mostrou ao mundo a tradução do lema do governo Michel Temer. ‘Ordem’ só para manter a periferia onde está, e ‘progresso’ apenas o financeiro, para os barões de sempre. Aqueles que inflam um pato mas não querem pagar.

Fonte: A prisão arbitrária dos alunos em SP é um aperitivo do estilo no novo Ministro da Justiça. Por Mauro Donato