PM interrompe apresentação teatral e prende ator em Santos – Portal Fórum

Pessoas que filmaram o momento tiveram seus celulares apreendidos; equipamentos de som e instrumentos musicais da equipe também foram confiscados.

Fonte: PM interrompe apresentação teatral e prende ator em Santos – Portal Fórum

Outro caso de censura togada no Brasil

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Outro caso de censura togada no Brasil

Thursday, July 11, 2013, 11:08 am

CULTURA

por Repórteres sem Fronteiras

Foi com incredulidade e consternação que Repórteres sem Fronteiras tomou conhecimento da condenação, no dia 4 de julho de 2013, a sete meses e dezasseis dias de prisão do jornalista José Cristian Góes (foto), por ter escrito um artigo de opinião em estilo literário, publicado em seu blogue Infonet em maio de 2012.

Nessa crônica, intitulada “Eu, o coronel em mim”, o autor troçava dos vícios do coronelismo brasileiro – governo clientelista das oligarquias locais – e de sua relação com o atual regime democrático (ler o relatório sobre o Brasil). Dando a palavra a um coronel imaginário falando em primeira pessoa, José Cristian Góes não mencionava nomes, datas ou cargos públicos. Porém, sua prosa provocou a cólera do vice-presidente do Tribunal de Justiça de Aracaju (capital do Sergipe, Nordeste), Edson Ulisses, que ingressou com duas ações, uma criminal e outra cível, por “injúria”. De acordo com o magistrado, a crônica teria ferido sua honra e sobretudo a honra de seu cunhado e governador de Sergipe, Marcelo Dedá (PT), que em nenhum momento prestou queixa.

“Esse caso deixa bem patente aquelas práticas de poder que José Cristian Góes denuncia em seu texto de ficção. É certo que a pena de prisão aplicada ao jornalista foi imediatamente convertida em serviços comunitários e que a sentença é de primeira instância. Ainda assim, trata-se de um desvario judicial e de um insulto aos princípios fundamentais da Constituição democrática de 1988. A decisão de recurso deve reverter esse precedente. A justiça estadual não pode, por interesses pessoais e servilismo, espezinhar as liberdades fundamentais”, declarou Repórteres sem Fronteiras.

Desde a revogação da lei de imprensa de 1967, legada pelo regime militar, as autoridades judiciais, sobretudo no âmbito local, têm feito uso com crescente frequência da chamada censura “preventiva”, atacando especificamente um meio de comunicação ou um jornalista, no intuito de proteger os círculos de poder dos quais dependem essas autoridades. Ultimamente, esse fenómeno se alastrou pela internet.

A esse respeito, Repórteres sem Fronteiras se congratula pela recente vitória judicial do jornalista da TV Bandeirantes e blogueiro Fábio Pannunzio. Após ter publicado, em junho de 2012, um artigo considerado difamatório pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, o jornalista fora obrigado por um juiz a retirar seu blogue da internet, ainda antes do julgamento sobre a matéria de fundo do processo. Na sequência desse julgamento, o Tribunal de Justiça de São Paulo anulou quer essa medida quer o pedido de indenização interposto por Antônio Ferreira Pinto.

“Um desenlace favorável como esse é, infelizmente, raro no meio dos vários casos de censura que atingem a liberdade de informação no Brasil. Essa liberdade precisa de ser consolidada, a todos os níveis. Os acontecimentos da “Primavera brasileira” serviram para relembrar tanto os flagrantes problemas de segurança que os jornalistas enfrentam como os graves desequilíbrios em termos de pluralismo que muitos cidadãos denunciam. Estes desafios continuam necessitando uma resposta, como também a luta contra a impunidade, num ano de 2013 em que o Brasil se assume como o país mais mortífero do continente para os jornalistas, com quatro assassinatos”, assinalou Repórteres sem Fronteiras.

(Repórteres sem Fronteiras, 8/7/2013)

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Roberto Carlos, o Rei da Censura

Kiko Nogueira 23 de abril de 201

 

Como o maior cantor popular do Brasil se transformou numa máquina de proibir livros sobre ele.

 

A capa do livro censurado

A capa do livro censurado

 

Roberto Carlos é o chamado control freak. Sempre foi, mas piorou nos últimos anos. Sua obsessão por controlar sua imagem é notória e o leva a tomar decisões absurdas, na melhor das hipóteses, ou autoritárias, na pior. Cercado de agentes e aspones que o protegem de tudo, ou tentam protege-lo, Roberto vive num mundo de fantasia, uma casca de ovo que ele pretende inexpugnável.

 

A nova de RC e seu time foi a notificação extrajudicial ordenando o recolhimento de um livro chamado Jovem Guarda: Moda, Música e Juventude, de Maíra Zimmermann. É a tese de mestrado de Maíra, professora da FAAP, e fala do surgimento do, na opinião da autora, mercado consumidor adolescente nos anos 60. Tiragem: mil exemplares. Mil.

 

Os advogados do cantor alegam que ele traz detalhes sobre a trajetória de sua vida e de sua intimidade e que a capa “contém caricatura do notificante e dos principais integrantes da Jovem Guarda sem que eles nem sequer fossem notificados”. Seu empresário declarou à Folha que recebe todo mês vários casos desse tipo e que “já passa direto para o escritório jurídico”.

 

Roberto se especializou no papel de censor. Não adianta o empresário dizer que “a lei nos protege” (o artigo 5º da Constituição veda a violação da intimidade e da vida privada e sua “exploração indevida”).

 

Em 2007, ele já havia proibido a boa biografia Roberto Carlos em Detalhes, de Paulo César de Araújo, com os mesmos argumentos. Roberto se cerca de gente amedrontada que segue essa omertá. Há dois anos, numa matéria para a revista Alfa, o repórter Marcelo Zorza Netto entrevistou um músico de sua banda. Durante algumas semanas, ele ligou para a redação, preocupadíssimo com o que havia contado sobre Roberto (uma história sobre uma manifestação do TOC, o transtorno obsessivo compulsivo de que RC sofre).

 

Censor

Censor

 

Para Roberto, a amputação de sua perna, na altura da canela direita, aos 6 anos, é um tabu que ganhou dimensões gigantescas. Em sua melhor fase, meados dos anos 70, ele mesmo abordou esse drama na canção O Divã. O roteiro de seu famoso cruzeiro leva sua condição em consideração. Os shows precisam acontecer em águas calmas para que ele não se desequilibre. Mas isso não pode ser dito (aliás, foi dito numa reportagem da Viagem e Turismo. A antiga assessora de imprensa passou também alguns dias telefonando).

 

Por isso as entrevistas de Roberto são sempre insossas. Sua participação no documentário Uma Noite em 67, sobre um festival da Record, é frustrante. Ele não sabia de nada, ele não tem nada a dizer que não seja protocolar. Faz uma piada sobre o fato de que havia uma turma organizada para vaiá-lo quando defendeu sua música, Maria, Carnaval e Cinzas, dando sua clássica risada. Só. Existe um acerto anterior de não se tocar em qualquer assunto que não seja de seu agrado. Não é que ele seja recluso ou avesso à mídia. Ele aparece bastante na Caras ou na Contigo, mas sempre do jeito que quer.

 

Você já deve ter lido ótimos livros, e outros nem tanto, sobre Frank Sinatra, John Lennon, Billie Holiday, Keith Richards etc. No ano passado, os Stones completaram 50 anos de carreira. Houve uma enxurrada de biografias. Uma delas, a de Mick Jagger, escrita pelo bom crítico Philip Norman, dava um excelente panorama dos anos 60 e 70 e dissecava, claro, o vocalista dos Stones: suas mulheres, a prisão por posse de drogas e por aí vai. Não houve nenhum movimento do escritório de Jagger para proibi-la ou tirá-la de circulação (continua sendo vendida na Amazon, aliás).

 

Você pode achar que Roberto Carlos, bem, quem se importa com Roberto Carlos? Isso é uma questão. Outra, bem diferente, é como o maior cantor popular do Brasil virou um campeão da censura. Ele afirma que está preparando sua biografia. Maravilha, bicho. Uma coisa é certa: de tudo o que ele não vai dizer, suas proibições maníacas a livros não serão encontradas em página alguma.