Over 16,000 Syrians killed by US-backed rebels since February – Russian UN mission — RT News

Over 16,000 people have fallen victim to opposition groups meant to be under US control, Russia’s Permanent Mission to the United Nations said in a statement assessing how Russia-US agreements on Syria are being implemented.

Fonte: Over 16,000 Syrians killed by US-backed rebels since February – Russian UN mission — RT News

Esquadrões da morte: de El Salvador ao Afeganistão

16 DE JULHO DE 2013 – 8H07 

Esquadrões da morte: de El Salvador ao Afeganistão

 

Edward Snowden fez lembrar mais uma vez ao mundo que os serviços de inteligência têm a possibilidade de espiar qualquer pessoa. Bradley Manning, que apoia suas ideias, já espera nos Estados Unidos um veredito por ter revelado publicamente testemunhos da imposição da “nova ordem” no Iraque.

Por Vadim Fersovich, na Voz da Rússia

 

Ministério da Defesa da França

Esquadrões da morte - randômica

Esquadrões da morte treinados por militares estadunidenses e europeus atuam em vários países

Em março, o jornal britânico The Guardian publicou materiais de Manning (Iraq War Logs), que mostram como instrutores militares americanos preparavam destacamentos especiais da polícia iraquiana à conta do Pentágono. Entre jornalistas, estes destacamentos têm o nome de “esquadrões da morte”.

Este termo foi utilizado pela primeira vez nos anos 1930 em relação aos destacamentos da Guarda de Ferro romena, que intimidavam e matavam sem distinção seus adversários políticos.

Contudo, os “esquadrões da morte” ganharam maior fama nos anos 1970-1980, quando tais grupos foram formados em muitos países da América Latina e, em alguns casos, com ajuda externa.

No Salvador e Honduras, estes destacamentos foram compostos e treinados por instrutores militares americanos e financiados pela CIA. Em resultado deflagrou um escândalo e os Estados Unidos foram obrigados de reduzir ajuda a esses países. 

Mas “esquadrões da morte” continuam a existir também no século 21 sem alcançar seus objetivos: aqueles contra quem eles lutavam são ou serão presidentes.

Assim, em 2009, Mauricio Funes, representante da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), uma organização de esquerda, foi eleito presidente do Salvador. 

Na República das Honduras, o antigo presidente Manuel Zelaya, que em tempos abandonou o país após ameaças de matá-lo, hoje é o principal pretendente ao posto de presidente. Pelos vistos, raids noturnos, campos de filtração, justiças sumárias, assassinatos e torturas já não são eficazes para impor a ordem necessária.

No entanto, a julgar por materiais de Manning e do The Guardian, tais métodos ainda não perderam sua popularidade. Quando em 2006 os confrontos armados entre comunidades religiosas no Iraque ameaçavam início de uma guerra civil, conselheiros americanos com “experiência salvadorenha” formaram no Exército e na polícia destacamentos especiais para impor a ordem. 

Em 2008, o conselheiro do grupo antiterrorista iraquiano, coronel em reserva Roger Carstens, disse à revista The Nation que os serviços especiais dos EUA “criaram a mais potente força na região”.

De fato, a sua estrutura contava com cerca de 6.000 pessoas em 2006. Seus métodos não foram diferentes dos aplicados no Salvador. Nas palavras de Carstens, “tudo de que gostam estes rapazes é matar dias inteiros ‘más pessoas’”.

Na altura, no país, foram encontrados mensalmente até 3.000 cadáveres. Torturas cruéis, assassinatos ocultos e intimidação maciça da população com a ajuda de destacamentos especiais do Exército e da polícia apenas aproximaram a guerra civil no país.

Em maio último, o presidente do Iraque declarou que não admitirá a formação de destacamentos militarizados de proteção de cidadãos por caraterísticas religiosas, mas estes destacamentos apareceram já em junho. 

Atualmente, dezenas de pessoas são mortas diariamente no Iraque, enquanto o programa de formar uma polícia eficaz no país fracassou totalmente.

 

 

William Waack sai do armário

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William Waack sai do armário

Wednesday, July 10, 2013, 9:01 am

BLOGS DE POLÍTICA

JANIO DE FREITAS

Espiados e indignados

Cumpramos o ritual de fingir-nos surpresos e indignados com a espio-nagem agora revelada

Vamos fingir que nos sentimos surpresos e indignados. Vamos à ONU com um protesto contra a espionagem com que o governo dos Estados Unidos invadiu mensagens eletrônicas no Brasil. Vamos cobrar do governo americano explicações sobre a central de espionagem instalada em Brasília pelo combinado CIA-NSA.

Faz parte da boa educação cívica mostrar-se surpreso e indignado. Tal como os franceses do presidente François Hollande, pouco antes de ele se sujeitar aos EUA e proibir o sobrevoo da França pelo avião em que supunham estar Edward Snowden, o revelador das espionagens americanas naquele, no nosso e em numerosos outros países.

Cumprido o ritual da surpresa e da indignação, podemos reconhecer que estamos entre os países de maior hospitalidade, senão a maior de todas, a agentes de informação, de subversão antidemocrática e de espionagem dos EUA. Qualidade nacional de que há provas sem conta. Mas, para ficar só em exemplos poucos e notórios, lembremos que o golpe de 1964 foi articulado em três frentes –a militar, a empresarial e a política.

A primeira foi montada pelo adido militar da embaixada dos EUA, general Vernon Walters, especialista em golpes mandado ao Brasil para mais um.

A segunda foi executada pelo próprio embaixador Lincoln Gordon, junto ao grande empresariado e a meios de comunicação. E a terceira ficou a cargo de uma entidade da CIA chamada Ibad, montada e dirigida por um tal Ivan Hasslocher, deslocado para a Suíça logo depois do golpe.

Antes disso, outro embaixador americano, Adolf Berle Jr., orientou, com sua equipe, uma conspiração militar para derrubada de Getúlio.

Repórteres americanos como John Gerassi e ex-agentes da CIA como Phillip Agee, entre muitos outros, publicaram artigos, reportagens e livros sobre a atividade de agentes na América Latina e, em particular, no Brasil. Foram muito pouco publicados aqui.

Não se esperariam atitudes, contra essa liberdade de invasão da CIA, por parte dos seus aliados-beneficiários brasileiros, fossem ainda conspiradores ou já governo. Mesmo os alvos da ação, porém, jamais usaram dos seus poderes legais para contê-la. Todo o governo Jango sabia das atividades de Gordon e de Walters. Em Pernambuco e em Goiás foram identificados agentes insuflando lavradores. O governo nada fez. Desde sempre consta da legislação brasileira que os militares são responsáveis pela soberania nacional. Nenhum dos seus chefes se moveu contra as violações praticadas pelos americanos.

Mais recentemente, a criação do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) foi entregue à Raytheon, empresa que presta serviços ao Departamento de Defesa (nome do departamento que superintende o planejamento e a execução dos ataques militares e invasões de países pelos EUA). A concorrência foi tão limpa, que a precedeu até a invasão dos escritórios da então Thomson no Rio, multinacional francesa que era a mais provável vencedora e teve todos os seus estudos e projetos roubados.

Declarada “vencedora” a Raytheon, Fernando Henrique telefonou ao presidente Bill Clinton para informá-lo a respeito. Depois explicaria o resultado e o telefonema: “O Clinton pediu pela Raytheon…”.

Desde então, todos os dados sobre espaço aéreo, solo e subsolo da Amazônia são transmitidos, em rede e equipamentos criados pela Raytheon, para a central do Sivam. Se você quiser, pode acreditar que a transmissão termina aí.

Os espiões e agentes de americanos são íntimos nossos. Mas cumpramos o ritual de fingir-nos surpresos e indignados com a espionagem agora revelada.

AS AMEAÇAS…

 Com Texto Livre

Congresistas estadounidenses amenazan a países que ofrecen asilo a Snowden

Monday, July 08, 2013, 1:36 pm

BLOGS DE POLÍTICA

Republicanos y demócratas consideran fundamental sancionar económicamente al país que se atreva a brindarle asilo político al exagente de inteligencia Edward Snowden, porque, a su juicio, constituyen acciones “en contra de los Estados Unidos”.
Titular del Comité de Inteligencia de la Cámara
de Representantes, Mike Rogers
Legisladores estadounidenses lanzaron este domingo amenazas contra aquellos países latinoamericanos que consideran la posibilidad de otorgarle asilo político al exagente de inteligencia Edward Snowden, entre ellas la imposición de sanciones económicas y comerciales por “ponerse a sí mismos en contra de Estados Unidos”.
El presidente del Comité de Inteligencia de la Cámara de Representantes,el republicano Mike Rogers, fue el primero en amenazar con sancionar al país que otorgue asilo al excontratista de la Agencia de Seguridad Nacional (NSA, por su sigla en inglés).
Por ello, Rogers llamó a la acción del Gobierno de Estados Unidos para sancionar el hecho de los países latinoamericanos “utilicen a Snowden como herramienta de relaciones públicas”.
“No debemos permitir que esto suceda y cruzarnos de brazos. Este es un asunto serio. Algunas empresas latinoamericanas gozan de los beneficios del comercio con Estados Unidos y vamos a tener que revisarlos”, manifestó.
De igual manera, el titular del Comité de Relaciones Exteriores del Senado, el demócrata Robert Menendez, adelantó que el otorgamiento de asilo y protección a Snowden provocaría serias implicaciones políticas y económicas.
“Es evidente que cualquier aceptación de Snowden de algún país, cualquiera de estos tres u otro, va a ponerlos directamente en contra de Estados Unidos. Necesitan saber eso”, dijo Menéndez, en referencia a Venezuela, Nicaragua y Bolivia.
“Es muy claro que cualquiera de estos países que aceptan ofrecerle asilo político están dando un paso en contra de Estados Unidos. Es una declaración muy clara. No estoy sorprendido por los países que le están ofreciendo asilo”, aseveró el senador.
Las declaraciones tienen lugar después que los gobiernos de Venezuela, Nicaragua y Bolivia ofrecieron asilo político al también exagente de la Agencia Central de Inteligencia (CIA), acusado de espionaje por revelar a la prensa programas secretos de espionaje de la NSA.
Por otro lado, Roger añadió que la Casa Blanca debe presionar a Rusia para que entregue a Snowden a la justicia norteamericana, posibilidad rechazada por el presidente Vladimir Putin, quien ha reiterado que el exempleado de seguridad es un hombre libre.
Snowden llegó a la terminal aérea de Moscú el pasado 23 de junio, procedente de Hong Kong y ha pedido asilo político a 27 países, la mayoría de los cuales rechazaron su solicitud, o pusieron como condición que el demandante se encuentre en su territorio.

ORDENS DO OBAMA!

 


 É o que diz o governo boliviano; o avião em que o presidente da Bolívia, Evo Morales, voltava para casa foi impedido de sobrevoar alguns países europeus devido à suspeita de que pudesse estar transportando Edward Snowden, responsável por denunciar programas secretos de espionagem do governo norte-americano; “Não temos dúvidas de que isso foi uma ordem da Casa Branca”, diz o embaixador boliviano na ONU, Sacha Llorenti Soliz; governo Barack Obama não quis comentar as reclamações da Bolívia

 
Por Angelika Gruber e Emma Farge
VIENA/GENEBRA, 3 Jul (Reuters) – A Bolívia acusou na quarta-feira os Estados Unidos de tentarem sequestrar seu presidente, Evo Morales, cujo avião foi impedido de sobrevoar alguns países europeus devido à suspeita de que pudesse estar transportando Edward Snowden, responsável por denunciar programas secretos de espionagem do governo norte-americano.
O avião de Morales foi impedido de sobrevoar a França e Portugal, e acabou fazendo uma escala em Viena, onde autoridades locais declararam que Snowden não estava a bordo. O governo boliviano disse que o incidente representou uma agressão e uma violação do direito internacional.
Snowden supostamente permanece no setor de trânsito de um aeroporto de Moscou, aonde chegou no final de junho. Os Estados Unidos pressionam a Rússia e outros países a entregá-lo para que responda judicialmente por ter revelado segredos nacionais, aos quais teve acesso como prestador de serviços na Agência de Segurança Nacional.
A Casa Branca não quis comentar as reclamações da Bolívia.
Morales havia ido a Moscou para participar de uma conferência sobre energia. Autoridades austríacas disseram que Morales convidou agentes locais a vistoriarem o avião, mas o ministro boliviano da Defesa, Ruben Saavedra, negou que o convite e a revista tenham acontecido.
O embaixador boliviano na ONU, Sacha Llorenti Soliz, manifestou indignação com o incidente. “Estamos falando do presidente em uma viagem oficial, após uma cúpula oficial, sendo sequestrado” disse ele em Genebra.
“Não temos dúvidas de que isso foi uma ordem da Casa Branca. De maneira nenhuma deveria um avião diplomático com o presidente ser desviado da sua rota e forçado a pousar em outro país”.
O diplomata disse que a indignação boliviana era dirigida aos EUA e aos países que proibiram o sobrevoo, e prometeu fazer uma queixa formal à ONU.
O avião deixou Viena a caminho de La Paz, mas fez uma escala de reabastecimento nas ilhas Canárias (território espanhol na costa africana) e outra em Fortaleza, no início da noite desta quarta-feira.
Líderes do bloco regional sul-americano Unasul exigiram uma explicação pelos “atos “injustificáveis”” dos países europeus.
Em nota do governo peruano, que preside a Unasul atualmente, o bloco manifestou indignação pela recusa de Portugal e França em autorizar o sobrevoo.
A Bolívia está entre os mais de dez países aos quais Snowden solicitou asilo político, e Morales disse que cogitaria a concessão do benefício ao norte-americano.
(Reportagem adicional de Michael Shields, em Viena; Jean-Baptiste Vey, em Paris; Teresa Cespedes, em Lima; Daniel Ramos, em La Paz; Anthony Boadle, em Brasilia; e Mark Hosenball em Washington)
 

COMO OS EUA CONQUISTARAM O BRASIL USANDO A MÍDIA

Como os EUA conquistaram o Brasil usando a mídia

 
 
 


Em 1957, uma CPI da Câmara dos Deputados, comprovou que O Estado de São Paulo, O Globo e Correio da Manhã foram remunerados pela publicidade estrangeira para moverem campanhas contra a nacionalização do petróleo.



Por Leandro Severo*

Nelson Rockfeller, governador de Nova York,
recebido pelo ditador Costa e Silva.

Em momentos cruciais para o país se inclinaram para o golpismo e a traição aos interesses nacionais: contra Getúlio, a Petrobrás, JK, contra Jango, apoiando a ditadura, Collor, FHC e suas privatizações, atacando Lula.

Em 1941, enquanto milhões de homens e mulheres derramavam seu sangue pela liberdade nos campos da Europa e da União Soviética, a elite dos círculos financeiros dos Estados Unidos já traçava seus planos para o pós-guerra.

Nelson Rockefeller 

Como afirmou Nelson Rockefeller, filho do magnata do petróleo John D. Rockefeller, em memorando que apresentava sua visão ao presidente Roosevelt:“Independente do resultado da guerra, com uma vitória alemã ou aliada, os Estados Unidos devem proteger sua posição internacional através do uso de meios econômicos que sejam competitivamente eficazes…”(COLBY, p.127, 1998).

Seu objetivo: o domínio do comércio mundial, através da ocupação dos mercados e da posse das principais fontes de matéria-prima.

Anos mais tarde o ex-secretário de imprensa do Congresso americano, Gerald Colby, sentenciava sobre Rockefeller: “No esforço para extrair os recursos mais estratégicos da América Latina com menores custos, ele não poupava meios” (COLBY, p.181, 1998).

Henry Luce

Neste mesmo ano, Henry Luce, editor e proprietário de um complexo de comunicações que tinha entre seus títulos as revistas Time, Life e Fortune, convocou os norte-americanos a“aceitar de todo o coração nosso dever e oportunidade, como a nação mais poderosa do mundo, o pleno impacto de nossa influência para objetivos que consideremos convenientes e por meios que julguemos apropriados”(SCHILLER, p.11, 1976).

Ele percebeu, com clareza, que a união do poder econômico com o controle da informação seria a questão central para a formação da opinião pública, a nova essência do poder nacional e internacional.

 Evidentemente para que os planos de ocupação econômica pelas corporações americanas fossem alcançados havia uma batalha a ser vencida: Como usurpar a independência de nações que lutaram por seus direitos? Como justificar uma postura imperialista do país que realizou a primeira insurreição anticolonial?

Herbert Schiller

A resposta a esta pergunta foi dada com rigor pelo historiador Herbert Schiller:“Existe um poderoso sistema de comunicações para assegurar nas áreas penetradas, não uma submissão rancorosa, mas sim uma lealdade de braços abertos, identificando a presença americana com a liberdade – liberdade de comércio, liberdade de palavra e liberdade de empresa. Em suma, a florescente cadeia dominante da economia e das finanças americanas utiliza os meios de comunicação para sua defesa e entrincheiramento onde quer que já esteja instalada e para sua expansão até lugares onde espera tornar-se ativa” (SCHILLER, p.13, 1976).

Foi exatamente ao que seu setor de comunicações se dedicou. Estava com as costas quentes, já que as agências de publicidade americanas cuidavam das marcas destinadas a substituir as concorrentes europeias arrasadas pela guerra.

O setor industrial dos EUA havia alcançado um vertiginoso aumento de 450% em seu lucro líquido no período 1940-1945, turbinado pelos contratos de guerra e subsídios governamentais.

Com esta plataforma invadiram a América Latina e o mundo.

Com o suporte do coordenador de Assuntos Interamericanos (CIIA), Nelson Rockefeller, mais de mil e duzentos donos de jornais latinos recebiam, de forma subsidiada, toneladas de papel de imprensa, transportada por navios americanos.

Além disso, milhões de dólares em anúncios publicitários das maiores corporações eram seletivamente distribuídos. É claro que o papel e a publicidade não vinham sozinhos, estavam acompanhados de uma verdadeira enxurrada de matérias, reportagens, entrevistas e releases preparadas pela divisão de imprensa do Departamento de Estado dos EUA.

A vontade de conquistar as novas “colônias” e ocupar novos territórios como haviam feito no século anterior, no velho oeste, não tinha limites.

No Brasil, circulava desde 1942, a revista Seleções (do Reader’s Digest), trazida por Robert Lund, de Nova York.
A revista, bem como outras publicações estrangeiras, pagavam os devidos direitos aduaneiros por se tratarem de produtos importados, mas solicitou, e foi atendida pelo procurador da República, Temístocles Cavalcânti, o direito de ser editada e distribuída no Brasil, com o argumento de ser uma revista sem implicações políticas e limitada a publicar conteúdos culturais e científicos. Assim começou a tragédia.


Logo chegou o grupo Vision Inc., também de Nova York, com as revistas Dirigente Industrial, Dirigente Rural, Dirigente Construtor e muitos outros títulos que vinham repletos de anúncios das corporações industriais.

Um fato bastante ilustrativo foi o da revista brasileira Cruzeiro Internacional, concorrente da Life International, que apesar de possuir grande circulação, nunca foi brindada com anúncios, enquanto a concorrente americana anunciava produtos que, muitas vezes, nem sequer estavam à venda no Brasil.



Ficava claro que os critérios até então estabelecidos para o mercado publicitário, como tempo de circulação efetiva, eficiência de mensagem e comprovação de tiragem, de nada adiantavam. O que estava em jogo era muito maior.

Um papel importantíssimo na ocupação dos novos mercados foi desempenhado pelas agências de publicidade americanas. McCann-Erickson e J. Warter Thompson eram as principais e tinham seu trabalho coordenado diretamente pelo Departamento de Estado. Para se ter uma ideia a McCann-Erickson , nos anos 60, possuía 70 escritórios e empregava 4619 pessoas, em 37 países, já a J. Warter Thompson tinha 1110 funcionários, somente na sede de Londres.

Os Estados Unidos tinham 46 agências atuando no exterior, com 382 filiais. Destas 21 agências em sociedade com britânicos, 20 com alemães ocidentais e 12 com franceses. No Brasil atuavam 15 agências, todas elas com instruções absolutamente claras de quem patrocinar.

Adolf Berle

No início dos anos 50, Henry Luce, do grupo Time-Life, já estava luxuosamente instalado em sua nova sede de 70 andares na área mais nobre de Manhattan, negócio imobiliário que fechou com Nelson Rockefeller e seu amigo Adolf Berle, embaixador americano no Brasil na época do primeiro golpe contra o presidente Getúlio Vargas.

Victor Civita

Luce mantinha fortes relações com os irmãos Cesar e Victor Civita, ítalo-americanos nascidos em Nova Iorque. Cesar foi para a Argentina em 1941 onde montou a Editorial Abril, como representante da companhia Walt Disney, já Victor, em 1950, chega ao Brasil e organiza a Editora Abril.

Victor Civita e seu filho Roberto Civita

Neste mesmo período seu filho, Roberto Civita, faz um estágio de um ano e meio na revista Time, sob a tutela de Luce e logo retorna para ajudar o pai. Poucos anos depois, o mercado editorial brasileiro está plenamente ocupado por centenas de publicações que cantavam em prosa e verso o american way of life.


Somente a Abril, financiada amplamente pelas grandes empresas americanas, edita diversas revistas: Claudia, Quatro Rodas, Capricho, Intervalo, Manequim, Transporte Moderno, Máquinas e Metais, Química e Derivados, Contigo, Noiva, Mickey, Pato Donald, Zé Carioca, Almanaque Tio Patinhas, a Bíblia Mais Bela do Mundo, além de diversos livros escolares.


Em 1957, uma Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados, comprova que O Estado de São Paulo, O Globo e Correio da Manhã foram remunerados pela publicidade estrangeira para moverem campanhas contra a nacionalização do   petróleo.



Em 1962, o grupo Time-Life encontra seu parceiro ideal para entrar de vez no principal ramo das comunicações, a Televisão. A recém-fundada TV Globo, de Roberto Marinho. Era uma estranha sociedade.


Roberto Marinho


O capital da Rede Globo era de 600 milhões de cruzeiros, pouco mais de 200 mil dólares, ao câmbio da época. O aporte dado “por empréstimo” pela Time-Life era de seis milhões de dólares e a empresa tinha um capital dez mil vezes maior.

 


João Calmon

Como denunciou o deputado João Calmon, presidente da Abert (Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão):“Trata-se de uma competição irresistível, porque além de receber oito bilhões de cruzeiros em doze meses, uma média de 700 milhões por mês, a TV Globo recebe do Grupo Time-Life três filmes de longa metragem por dia – por dia, repito… Só um ‘package’, um pacote de três filmes diários durante o ano todo, custa na melhor das hipóteses, dois milhões de dólares” (HERZ, p.220, 2009).

O Brasil e o mundo estão em efervescência. A tensão é crescente com revoluções vitoriosas na China e em Cuba. A luta pela independência e soberania das nações cresce em todos continentes e os EUA colocam em marcha golpes militares por todo o planeta. A Guerra Fria está em um ponto agudo.

É nesse quadro que a Comissão de Assuntos Estrangeiros do Congresso dos EUA, em abril de 1964, no relatório “Winning the Cold War. The O.S. Ideological Offensive” define: “Por muitos anos os poderes militar e econômico, utilizados separadamente ou em conjunto, serviram de pilares da diplomacia. Atualmente ainda desempenham esta função, mas o recente aumento da influência das massas populares sobre os governos, associado a uma maior consciência por parte dos líderes no que se refere às aspirações do povo, devido às revoluções concomitantes do século XX, criou uma nova dimensão para as operações de política externa. Certos objetivos dessa política podem ser colimados tratando-se diretamente com o povo dos países estrangeiros, em vez de tratar com seus governos. Através do uso de modernos instrumentos e técnicas de comunicação, pode-se hoje em dia atingir grupos numerosos ou influentes nas populações nacionais – para informá-los, influenciar-lhes as atitudes e, às vezes, talvez, até mesmo motivá-los para uma determinada linha de ação. Esses grupos, por sua vez, são capazes de exercer pressões notáveis e até mesmo decisivas sobre seus governos” (SCHILLER, p.23, 1976).

A ordem estava dada: “informar”, influenciar e motivar. A rede está montada, o financiamento definido.

O jornalista e grande nacionalista, Genival Rabelo, exatamente nesta hora, denuncia no jornal Tribuna da Imprensa do Rio de Janeiro: “Há, por trás do grupo (Abril), recursos econômicos de que não dispõem as editoras nacionais, porém muito mais importante do que isso está o apoio maciço que a indústria e as agências de publicidade americanas darão ao próximo lançamento do Sr. Victor Civita, a exemplo do que já fizeram com as suas 18 publicações em circulação, bem como as revistas do grupo norte-americano Vision Inc.” (RABELO, p.38, 1966)
Mas é necessário mais. É preciso enfraquecer, calar e quebrar tudo que seja contrário aos interesses dos monopólios, tudo que possa prejudicar os interesses das corporações. A General Eletric, General Motors, Ford, Standard Oil, DuPont, IBM, Dow Chemical, Monsanto, Motorola, Xerox, Jonhson & Jonhson e seus bancos J. P. Morgan, Citibank, Chase Manhattan precisam estar seguros para praticar sua concorrência desleal, para remeter lucros sem controle, para desnacionalizar as riquezas do país se apossando das reservas minerais.

Robert Sarnoff

Várias são as declarações, nesta época, que deixam claro qual o caminho traçado pelos EUA. Nas palavras de Robert Sarnoff, presidente da RCA – Radio Corporation of America – “a informação se tornará um artigo de primeira necessidade equivalente a energia no mundo econômico e haverá de funcionar como uma forma de moeda no comércio mundial, convertível em bens e serviços em toda parte” (SCHILLER, p.18, 1976).


Já a Comissão Federal de Comunicações (FCC), em informe conjunto dos Ministérios do Exterior, Justiça e Defesa, afirmava: “As telecomunicações evoluíram de suporte essencial de nossas atividades internacionais para ser também um instrumento de política externa” (SCHILLER, p.24, 1976).

George W. Ball

É esclarecedor o pensamento do delegado dos Estados Unidos nas Nações Unidas, vice-ministro das Relações Exteriores, George W. Ball, em pronunciamento na Associação Comercial de Nova Iorque: “Somente nos últimos vinte anos é que a empresa multinacional conseguiu plenamente seus direitos. Atualmente, os limites entre comércio e indústria nacionais e estrangeiros já não são muito claros em muitas empresas. Poucas coisas de maior esperança para o futuro do que a crescente determinação do empresariado americano de não mais considerar fronteiras nacionais como demarcação do horizonte de sua atividade empresarial” (SCHILLER, p.27, 1976).

 A ação desencadeada pelos interesses externos já havia produzido a falência de muitos órgãos de imprensa nacionais e, por outro lado, despertado a consciência de muitos brasileiros de como os monopólios utilizam seu poder de pressão e de chantagem.

 Marcus Pereira


Em 1963, o publicitário e jornalista Marcus Pereira afirmava em debate na TV Tupi, em São Paulo: “Em última análise, a questão envolve a velha e romântica tese da liberdade de imprensa, tão velha como a própria imprensa. Acontece que a imprensa precisa sobreviver, e, para isso, depende do anunciante. Quando esse anunciante é anônimo, pequeno e disperso não pode exercer pressão, por razões óbvias. É o caso das seções de ‘classificados’ dos jornais. Mas poucos jornais têm ‘classificados’ em quantidade expressiva. A maioria dos jornais e a totalidade das revistas vivem da publicidade comercial e industrial, dos chamados grandes anunciantes. Acho que posso parar por aqui, porque até para os menos afoitos já adivinharam a conclusão” (RABELO, p.56, 1966).

Não é difícil perceber o quanto a submissão aos interesses econômicos estrangeiros levou a dita “grande mídia” brasileira a se afastar da nação. A se tornar, ao longo dos anos, em uma peça chave da política do Imperialismo.

Em praticamente todos os principais momentos da vida nacional se inclinaram para o golpismo e a traição. Já no primeiro golpe contra Getúlio, depois, contra sua eleição, contra sua posse, contra a criação da Petrobrás, contra a eleição de Juscelino, contra João Goulart, contra as reformas de base, apoiando a Ditadura, apoiando a política econômica de Collor, apoiando Fernando Henrique e suas privatizações, atacando Lula.

Hoje, ela novamente tem lado: o das concessões de estradas, portos e aeroportos, o dos leilões de privatização do petróleo e da necessidade da elevação das taxas de juros, do controle do déficit público com evidentes restrições aos investimentos governamentais, ou seja, da aceitação de um neoliberalismo tardio.

Porque atuam desta forma?

Genival Rabelo deu a resposta: “Um industrial inteligente desta cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro me fez outro dia, esta observação, em forma de desafio: ‘Dou-lhe um doce, se nos últimos cinco anos você pegar uma edição de O Globo que não estampe na primeira página uma notícia qualquer da vida americana, dos feitos americanos, da indústria americana, do desenvolvimento científico americano, das vitórias e bombardeios americanos. A coisa é tão ostensiva que, muita vez, sem ter o que publicar sobre os Estados Unidos na primeira página, estando o espaço reservado para esse fim, o secretário do jornal abre manchete para a volta às aulas na cidade de Tampa, Miami, Los Angeles, Chicago ou Nova Iorque. Você não encontra a volta às aulas em Paris, Nice, Marselha, ou outra cidade qualquer da França, na primeira pagina de O Globo, porque, de fato, isso não interessa a ninguém. Logo, não pode deixar de haver dólar por trás de tudo isso…’ Outro amigo presente, no momento, e sendo homem de publicidade concluiu, deslumbrado com seu próprio achado: ‘É por isso que O Globo não aceita anúncio para a primeira página. Ela já está vendida. É isso. É isso!’. ‘E muito bem vendida, meu caro – arrematou o industrial – A peso de ouro’ ” (RABELO, p.258, 1966).


*Delegado à Conferência Nacional de Comunicação, Secretário Municipal de Comunicação em São Carlos entre 2007 e 2012 .

Saiba quais são e onde estão os drones usados pelos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, realizará nesta quinta-feira um discurso no qual defenderá o uso de drones (aeronaves não-tripuladas) no exterior e estabelecerá um caminho para o fechamento da prisão militar na baía de Guantánamo (Cuba). Saiba mais sobre os equipamentos americanos:

  Editoria de Arte/Folhapress  

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