GUEST POST: O SELINHO DE SHEIK E A CORAGEM DE DEMONSTRAR CARINHO

 
79 Escreva Lola Escreva by lola aronovich  /  4h  //  keep unread  //  preview

GUEST POST: O SELINHO DE SHEIK E A CORAGEM DE DEMONSTRAR CARINHO

 
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Como não acompanho futebol fora da Copa do Mundo, não estava sabendo dessa “polêmica” envolvendo um jogador do Corinthians, Emerson Sheik, que colocou numa rede social uma foto sua dando selinho num amigo. 
É impressionante. A heterossexualidade dos homens hétero deve ser uma coisa muito frágil se um mero selinho seja capaz de destruí-la! Já escrevi sobre isso algumas vezes: de como homens não poderem demonstrar afeição física um pelo outro seja uma espécie de “pedágio” que eles precisam pagar em troca de seus muitos privilégios. Não poder abraçar, dar bitoquinhas, tocar em quem se ama (desde que consentido) faz com que vários homens tornem-se emocionalmente deficientes. É o que eu chamei de “o preço da eterna vigilância“. Ser machão tem um preço, e bem alto.
Tem um livro que li faz tempo e que não consigo me lembrar o autor ou o título de jeito nenhum. Ele levanta uma tese que não deve ser nova, mas que, na época, me pareceu uma grande novidade: que as comemorações dos atletas homens — os beijos, abraços, um se jogando em cima do outro etc quando celebram um gol — são uma forma de compensar essa enorme lacuna, essa castração. 
E depois dizem que feministas são castradoras, né? Ninguém castra os homens tanto quanto o machismo
Foi a Evelyn Ramos, estudante de Comunicação e Multimeios na PUC-SP, que me falou sobre o “caso Sheik”, e que me enviou o guest post que publico abaixo.
 
O jogador do Corinthians Emerson Sheik postou anteontem uma foto no Instagram na qual aparece dando selinho em seu amigo Isaac. O que era apenas para ser uma demonstração de carinho e luta por respeito acabou causando a maior polêmica. 
Se já não bastassem os comentários homofóbicos, o que infelizmente já era previsível, um grupo de cinco rapazes de uma torcida organizada do Corinthians resolveu protestar levando cartazes dizendo “Viado não” e “Vai beijar a PQP! Aqui é lugar de homem”. 
Um dos membros da torcida ainda exigiu que o jogador pedisse desculpas pela foto, como se ela tivesse conteúdo ofensivo. [Felizmente, algumas torcidas de futebol lutam contra a homofobia e o sexismo, não a favor. Vem à mente a Cruzeiro Anti-Homofobia e a Galo Queer. E existe a Corinthians Livre.]
Emerson Sheik, que é hétero, disse que Isaac é casado e sua esposa está grávida, mas os preconceituosos se recusam a acreditar que eles não sejam gays porque “homem que é homem não faz essas coisas”. 
Muitos homens têm a fantasia sexual de ver mulheres trocando carícias entre si, mas se uma mulher tiver a mesma fantasia em relação aos homens é vista como estranha (e tem bastante mulher que gosta de filme pornô gay com homens). Uma mulher dando selinho em outra é considerado normal na maior parte das vezes, mas um homem dando selinho em outro é “coisa de viado”. 
O próprio Emerson comentou que no seu Instagram há fotos dele beijando seu filho e dando selinho em amigas, e ninguém falou nada: “A Hebe beijava todo mundo”. 
Pois é, a apresentadora Hebe costumava cumprimentar seus convidados do programa dando-lhes um selinho, inclusive em mulheres, mas e se um apresentador do sexo masculino fizesse o mesmo?!  O que diriam de um apresentador que dá selinho nos homens convidados?
Homens costumam ser mais fechados ao demonstrar afeto com os amigos do mesmo sexo, principalmente no toque. O abraço precisa ser aquele abraço rápido e duro, às vezes até com um leve soco de mão fechada nas costas, jamais um abraço longo e caloroso. Alguns talvez até possam sentir vontade de estender um pouco mais o tempo do abraço, mas sentem que precisam se conter, afinal, “homem com homem não dá”. 
A presença da imagem do homem “machão” em nossa sociedade não permite que homens demonstrem carinho com outros homens. Emerson teve a coragem de mostrar através de uma rede social que não é influenciado por essa imagem. A foto em que postou não revela apenas uma demonstração de afeto com um amigo, mas um olhar sensível que confronta a visão do machismo e da homofobia.
A faixa levada pela torcida organizada diz “Aqui é lugar de homem”, desprezando não só os homossexuais, como também as mulheres. Mulher pode jogar futebol? Aliás, mulher sabe jogar futebol?! Se jogar bem é estranho, viu… Deve ser sapata. Só é permitido que mulher jogue futebol se ela for linda, dentro dos padrões de beleza estabelecidos. E aí não tem que jogar nada. É só aparecer com pouca roupa.
Um dos torcedores da torcida organizada disse “”A gente não quer ser homofóbico, mas tem de ter respeito com a camisa do Corinthians”. Esses torcedores são o que eu costumo chamar de homofóbicos enrustidos. Aquele cara que diz “Nada contra gays, desde que fiquem longe de mim”. É a mesma coisa de dizer “Nada contra negros, desde que minha filha não namore um”. Ora, isso não seria racismo?! 
Essa torcida organizada faz parte dos torcedores que chamam os são paulinos de “bambis”, apelido de deboche com conotação homossexual, como se ser gay fosse ser inferior, delicado, o oposto da virilidade “necessária” para jogar futebol. O torcedor homofóbico enrustido diz que não tem nada contra homossexuais, que cada um faz o que quer da vida, mas quando chega a hora de zombar o colega da outra torcida de viadinho, faz com maestria. 
E não é porque você não bate em homossexuais que nãoé homofóbico. Homofobia é qualquer tipo de intolerância aos homossexuais por conta de sua orientação sexual. Levantar uma faixa com o dizer “Viado Não” se não for homofobia, é o quê?! 
E agora, eu vos pergunto: e se Emerson fosse mesmogay? Sua orientação sexual interferiria em seu talento? Faria qualquer diferença ele ser gay ou não em campo?
Os homofóbicos não deveriam se preocupar: beijar alguém do mesmo sexo não te faz gay, o que te faz gay é ter a certeza de sentir atração por pessoas do mesmo sexo que você. Liberte-se. Carinho é como respeito: é bom e todo mundo gosta. Ou deveria gostar.
 

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BEIJO GAY… E DAÍ?!

 
Náufrago da Utopia by Celso Lungaretti  /  3h  //  keep unread  //  preview

BEIJO GAY… E DAÍ?!

 
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São chocantes as reações ao beijo trocado entre o jogador Emerson e um amigo na noite do último domingo. Expõem a enorme carga de preconceitos ainda existente na sociedade brasileira. 
 
A rejeição extremada do homossexualismo perdeu a razão de ser quando uma das maiores ameaças à sobrevivência da nossa espécie passou a ser o excesso de pessoas, e não a falta. Antes, era importante direcionar-se o sexo para a procriação, atendendo à prioridade de se gerar mais braços para o trabalho e repor as perdas com guerras e pestes; agora, o planeta agradeceria se, digamos, 75% dos humanos virassem homossexuais da noite para o dia, deixando de se reproduzirem.
 
As religiões expressam realidades remotas e, como tais, são péssimas guias comportamentais para a atualidade. O veto aos anticoncepcionais e abortos por parte da Igreja Católica é, no mínimo, asnático (para não dizermos criminoso!). 
 
Hoje –e enquanto persistir o quadro presente– não há prejuízo real nenhum para a sociedade com a ausência de quaisquer restrições à busca do prazer, salvo os sensatos princípios de que ninguém deve ser coagido a coisa nenhuma e impúberes precisam ser resguardados de práticas para as quais não estão amadurecidos.  
 
O resto são grotescas tentativas de limitar a liberdade alheia. Extremamente condenáveis, como todo e qualquer autoritarismo.
 

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Daniela Mercury vai estrelar campanha da ONU pelo fim da homofobia

 Homorrealidade

Daniela Mercury vai estrelar campanha da ONU pelo fim da homofobia

Noreply@blogger.com (homorrealidade)

Saturday, July 20, 2013, 3:53 pm

MUNDO GAY


Publicado pelo Correio 

 
Daniela Mercury acaba de aceitar o convite para estrelar uma campanha mundial do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (Acnudh), pelo fim da homofobia. O tema será Livres e Iguais.
 
Em tempo: No ano passado, o Acnudh elaborou um guia sobre as obrigações dos governos para garantir os direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT), intitulado Nascidos Livres e Iguais. A cartilha foi lançada em português pelo Escritório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) no Brasil.