Mais uma que não estará na Globo

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Mais uma que não estará na Globo

Saturday, July 06, 2013, 9:29 am

BLOGS DE POLÍTICA

Periódico – não digo qual -acusa a Globo de Manipulação.
Ih, o mundo descobriu o que a gente já sabia…
E agora?
Clique na imagem para ampliá-la e repare na legenda.
Colocaram a foto da jornalista agredida pela POLÍCIA, e disseram que foram os manifestantes.

(sugestão da jornalista Leo Rodrigues)

 

Globo proíbe citações sobre o Facebook e o Twitter

Globo proíbe citações sobre o Facebook e o Twitter

Enviado por luisnassif, sex, 31/05/2013 – 07:35

Da Folha

Globo proíbe citação de Facebook e Twitter

A proibiu formalmente que seus programas citem o Facebook e o Twitter. A determinação é que apresentadores e reportagens só citem as redes pelos nomes em último caso. Deverão substituir Facebook por “uma grande rede social” e Twitter por “rede social de mensagens curtas”.

A morte de Roberto Civita

A morte de Roberto Civita

Enviado por luisnassif, dom, 26/05/2013 – 23:01

Acaba de falecer Roberto Civita.

Foi o principal responsável por ter trazido os padrões jornalísticos norte-americanos para o Brasil, convencendo o pai a criar revistas informativas.

A primeira foi a Realidade. Segundo jornalistas que trabalharam com ele, como Luiz Fernando Mercadante, o jovem Civita tinha tino jornalístico, sabia trabalhar com talento as fórmulas importadas dos Estados Unidos.

 Algum tempo depois, a Veja, copiando o modelo de jornalismo-produto norte-americano.

O padrão vinha do Times. Consistia em trabalhar a notícia como se fosse um produto da dramaturgia. Na segunda-feira, havia reunião de pauta em que se escolhiam as matérias que fossem mais atraentes para os leitores. A pauta era montada de acordo com critérios que tornassem a notícia atraente. Depois, os repórteres saíam atrás de declarações que convalidassem as teses defendidas pela revista.

Teve alguns períodos áureos. O primeiro, com Mino Carta. Depois de três anos para se firmar, atingiu o ponto de equilíbrio e nos anos 70 já se tornara a mais influente publicação brasileira.

Apesar do estilo superficial – próprio para atingir a dona de casa de Botucatu (como era o lema da revista -, a revista primava pelas pautas criativas, pelo texto rigoroso embora um tanto parnasiano nas aberturas, pela capacidade de enfiar enorme quantidade de informações (nem todas essenciais) em textos curtos.

Após a saída de Mino, a revista manteve a influência e cresceu em tiragem, acompanhando o crescimento da economia brasileira.

Nos anos 90, assim como o restante da grande imprensa, experimentou seu período de maior brilho, após ajudar a construir e a demolir a imagem de Fernando Collor.

Brilhante na criação de um universo de revistas especializadas ou temáticas, Roberto Civita falhou na transição para a era digital.

Com ACM, conseguiu concessões de TV a cabo, montou alguns canais, que não lograram se desenvolver. A experiência em TV foi um desastre financeiro. Teve oportunidade de montar o primeiro grande portal brasileiro, o BOL, tendo muito mais conteúdo para expor do que a UOL, da Folha. Mas não possuía a agilidade demonstrada por Luis Frias, à frente da UOL.

Com poucos lances, Frias propôs a fusão UOL-BOL, assumiu a gestão da nova empresa e, mais à frente, aproveitou a enorme liquidez do mercado financeiro para adquirir a metade da Abril. Hoje a UOL deve valer bem mais do que a Abril inteira.

Um dos principais obstáculos para a transição da Abril foi a resistência de um corpo de conselheiros de Civita, fortemente amarrados à tradição do papel. Mesmo quando a Internet tornara-se irreversível, a Abril não acordou. Pelos menos a duas empresas de tecnologia que foram oferecer sistemas para ela – uma das quais, a IBM – a resposta dos executivos é que a Abril iria apostar todas suas fichas em gibis e revistas para a classe C.

O advento do jornalismo online acabou consagrando outros portais, a própria UOL, o G1 e dois entrantes, o Terra e o iG.

A última aposta da Abril foi tentar ganhar protagonismo político imitando o estilo de Rupert Murdoch. A campanha contra o desarmamento revelou um perfil de leitor classe média intolerante, preconceituoso, conservador até a medula. E a Abril, que sempre buscou o leitor classe média alta, apostou todas suas fichas no novo modelo.

Foi a primeira a trazer o estilo de jornalismo tosco e virulento da Fox News. E a cometer assassinatos de reputação em larga escala, cujos casos mais conhecidos foram as guerras do Opportunity e de Carlinhos Cachoeira.

Alguns anos atrás, em péssima situação financeira, a Abril recebeu aporte de capital do grupo Nasper, da África do Sul, mais 20% de empresas offshare de Delaware, afrontando a legislação brasileira. Posteriormente, quando vendeu a TV A para a Telefônica, as duas holdings desapareceram do bloco de controle da empresa.

Nos últimos anos, o grupo passou a investir todas suas sobras de caixa no setor educacional. Com a morte do seu líder, o futuro da Abril torna-se incerto.

Luis Nassif: Os últimos momentos do jornalismo de papel

Luis Nassif: Os últimos momentos do jornalismo de papel

by bloglimpinhoecheiroso

Jornalismo_Impresso_FimLuis Nassif em seu Advivo

Na sexta feira, dia 17, a editoria Poder, do jornal Folha de S.Paulo, publicou seis matérias. A primeira, sobre a votação da Lei dos Portos, dividida em algumas sub-retrancas. A mais importante descrevia a votação e as reações suscitadas, com informações que já haviam sido abundantemente exploradas no dia anterior, inclusive pela Folha online.

No Estadão, reduziram-se cadernos, notícias e equipes.

Historicamente, o produto “notícia” sempre se baseou em poucas variedades de embalagens. Nos jornais mundiais de maior peso – formadores de opinião –, buscava-se diferenciar do produto “entretenimento”. Para tanto, recorria-se a um estilo sóbrio, a um conteúdo analítico privilegiando o conceito de relevância.

Graças a isso, preservaram um público exigente, formador de opinião, que demanda do jornal o tratamento objetivo dos fatos e o exercício racional da análise, independentemente da linha política do jornal.

No caso brasileiro, desde os anos de 1990 os grandes jornais decidiram investir na notícia “entretenimento” e se valer dos recursos da dramaturgia como parte central da sua operação.

Esse estilo consistia no seguinte:

1. Privilegiar sempre o fato próximo ao universo de informações do leitor comum. Por exemplo, se há uma reunião que define pontos importantes para o destino do País, privilegie a futrica, o detalhe pitoresco (bocejo de um dos presentes, ironia de outro etc.) em detrimento do assunto tratado.

2. No caso de grandes escândalos, tratar os personagens centrais com a caracterização dos roteiros de novelas, transformando-os em vilões completos ou em heróis imaculados.

3. Na hora da dramatização, não se prender aos fatos porque, em geral, são muito menos interessantes do que a fantasia. Com isso, aboliram-se os filtros mínimos de qualidade.

Durante algum tempo, funcionou, especialmente no período da redemocratização, no qual as fórmulas sensacionalistas, após anos de censura, eram novidade.

De início, houve queda de qualidade e da credibilidade. Com a ampliação da internet, esse modelo ruiu. O jornalismo entretenimento consolidou-se na televisão – de programas mais toscos, policialescos, a programas mais elaborados, tipo Fantástico. A migração do leitor de entretenimento acelerou com a internet, oferecendo um prato para cada paladar.

Para se destacar no caos da internet, os jornais teriam de investir no rigor e no discernimento. Mas radicalizaram no show. Com isso, perderam os leitores de entretenimento e os leitores formadores de opinião. Ainda mantém o prestígio junto a setores mais refratários a mudanças, como os políticos e o Poder Judiciário. Mas é questão de tempo.

Também os grandes jornais migrarão para a internet, terminando suas operações impressas. Mas lá serão apenas mais um agente de informação, com algum peso, mas sem poder mais ditar os rumos da opinião pública.

Cada dia em sua vida, nunca é mais, será sempre menos, deixando para trás seu grande momento de glória, os anos de 1990, no qual toda a opinião pública era conduzida por um aparato extraordinariamente reduzido de publicações: Folha, Estado, Veja, devidamente repercutidos pelo Jornal Nacional.

MARACUTAIAS DO ESTADÃO…

Como o “Estadão” fez sumir sua chantagem contra Aécio

by bloglimpinhoecheiroso

Aecio_CanudoEduardo Guimarães em seu Blog da Cidadania

Em fevereiro de 2010, uma guerra fratricida foi desencadeada no PSDB. O segundo mandato de Lula chegava ao fim e ele não podia ser candidato à própria sucessão. Os tucanos e a mídia, sua aliada, estavam céticos quanto às possibilidades do “poste” que achavam que Dilma era e, assim, acreditavam que, fosse quem fosse o candidato deles, seria eleito.

Dois pré-candidatos disputavam a indicação do PSDB para a “barbada” eleitoral que a direita brasileira acreditava que se avizinhava: derrotar uma mulher sem o carisma de Lula e que jamais disputara uma eleição na vida. José Serra e Aécio Neves, então, digladiavam-se pela primazia de enfrentar Dilma.

A imprensa atucanada de São Paulo e do Rio de Janeiro (leia-se Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo) estava muito irritada com Aécio. Apesar de esses veículos e o PSDB acreditarem que Dilma, então praticamente estagnada nas pesquisas, seria mera sparring de dois políticos profissionais como Aécio e Serra, preferia o segundo.

No caso da imprensa paulista, até por Serra ser paulista também – sem falar na maior identificação ideológica com ele –, essa “imprensa” fustigou o PSDB por meses até que Aécio fosse preterido.

Serra estava melhor nas pesquisas e esses veículos, que há mais de uma década demonstram que não entendem a política brasileira, não acreditavam que alguém pudesse começar uma campanha eleitoral com percentuais de intenção de voto tão baixos quanto Dilma e o próprio Aécio tinham e chegar a vencer a eleição.

Nesse jogo, o jornal O Estado de S.Paulo fez o movimento mais ousado: chantageou Aécio com um texto literalmente criminoso, escrito por seu ex-editorialista e ex-colunista Mauro Chaves, que faleceria um ano depois.

No auge dessa disputa entre Serra e Aécio, o Estadão publicou artigo de Chaves contendo uma chantagem contra o então governador de Minas Gerais, conhecido por sua vida de “playboy” e sobre quem circulam, há anos, boatos sobre ser usuário de cocaína.

O título do artigo que Chaves escreveu e que foi publicado pelo Estadão em 28 de fevereiro de 2010 já dispensaria o resto do texto: “Pó pará, governador”. Confira, abaixo, a íntegra do artigo.

Aecio_Estadao01

Chaves era um homem bastante erudito. Seu texto era escorreito. Por que usar um título como esse? Por que não “Pode parar, governador”? Ora, porque estava mandando um recado de que os boatos sobre Aécio ser usuário de “pó” (cocaína) viriam à tona caso insistisse em criar dificuldades à candidatura Serra.

O artigo causou grande alvoroço e, pouco depois, Serra foi sagrado candidato para a “barbada” que a mídia ligada ao PSDB e o próprio partido acreditavam que seria a disputa contra o “poste de Lula”.

Faltara, entretanto, combinar com os “russos”, ou seja, com o povo.

Voltemos ao presente. Escrevendo um post sobre os ataques de Aécio ao PT durante a convenção do PSDB do sábado, dia 18, na qual o hoje senador por Minas Gerais foi eleito presidente do partido, abordei o artigo chantagista em questão.

Pretendia colocar o link para ele no texto. Fazendo a busca no portal do Estadão para localizá-lo, encontro esse link. Contudo, quando tento acessá-lo não consigo – conduz a uma página em branco.

Clique no link: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090228/not_imp331197,0.php

Cito no post, então, o fenômeno. Digo que, “estranhamente”, o link do Estadão para sua matéria conduz a lugar nenhum.

Eis que o leitor Reinaldo Luciano, intrigado como eu, usa seus conhecimentos e mostra que ninguém consegue esconder nada na internet.

O excelente trabalho de Reinaldo desvendou o mistério. Leia, abaixo, o comentário que ele colocou no post anterior, onde explica como o Estadão conseguiu fazer sumir a chantagem que fez Aécio desistir de ser o candidato do PSDB à Presidência da República em 2010 em favor de Serra.

***

Reinaldo Luciano – twitter.com/rei_lux

Comentário enviado em 20/05/2013 às 11:16

A respeito da matéria que não abre no Estadão, verifiquei a página e realmente não abria.

Usei o http://archive.org/web/web.php e localizei a dita página, que foi armazenada em cache 28 vezes desde que foi publicada.

Este é o link original, onde a matéria não abre:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090228/not_imp331197,0.php

E este é o link recuperado:

http://web.archive.org/web/20100724092328/http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090228/not_imp331197,0.php

Ao analisar o cache, notei que, em 26/8/2010, a matéria teve uma linha alterada ou acrescentada, como pode ser vista aqui:

http://web.archive.org/web/20100826060447/http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090228/not_imp331197,0.php

O fato é que, após essa mudança (quando Serra já era candidato e Aécio não representava mais problema), a página sumiu…

Fiz um print screen da página e postei no twitter:

https://twitter.com/rei_lux/status/336390621067632640/photo/1

E, para ser ainda mais chato com o Estadão, fiz um videozinho de minhas andanças pelo cache. Assista abaixo.

Globo coloca pressão sobre o STF e pede cadeia-já

Globo coloca pressão sobre o STF e pede cadeia-já

do Brasil247

Em editorial, jornal de João Roberto Marinho faz lobby para que o plenário do STF siga o ministro Joaquim Barbosa e rejeite a possibilidade dos embargos infringentes; assim, os réus não teriam assegurados um direito básico, que é o chamado "duplo grau de jurisdição"; segundo O Globo, embargos, aceitos em outras oportunidades, significam "anular julgamentos"; também em editorial, Estadão reforça pressão sobre o STF e afirma que "a luta continua"

Em editorial, jornal de João Roberto Marinho faz lobby para que o plenário do STF siga o ministro Joaquim Barbosa e rejeite a possibilidade dos embargos infringentes; assim, os réus não teriam assegurados um direito básico, que é o chamado “duplo grau de jurisdição”; segundo O Globo, embargos, aceitos em outras oportunidades, significam “anular julgamentos”; também em editorial, Estadão reforça pressão sobre o STF e afirma que “a luta continua”

O empresário João Roberto Marinho, editor do jornal O Globo, quer liquidar o quanto antes a fatura da Ação Penal 470 – o chamado mensalão. Segundo ele, que se expressou em editorial do Globo, os embargos infringentes não devem ser aceitos pelo plenário do STF (embora sejam defendidos pelo decano Celso de Mello e tenham sido admitidos em outras oportunidades), porque isso significaria anular o julgamento. Com o editorial, O Globo recoloca a faca no pescoço dos ministros do STF e deixa claro que só aplaudirá quem seguir suas teses. Também em editorial, o jornal O Estado de S.Paulo, da família Mesquita, reforça pressão sobre o STF e afirma que “a luta continua”.

Leia os dois textos abaixo:

Mensalão recoloca STF em risco – EDITORIAL O GLOBO

O noticiário em torno dos desdobramentos jurídicos da condenação dos mensaleiros pelo Supremo transcorreu até agora em torno do alcance dos embargos, “infringentes” e/ou “declaratórios”, impetrados pela defesa. Termos herméticos, esses instrumentos jurídicos têm, na verdade, um alcance bastante amplo, por colocar em questão a própria imagem da mais alta Corte do país e do Poder Judiciário, revigorada pela demonstração de profissionalismo e independência — como estabelece a Constituição —, ao condenar poderosos atuantes na estrutura política que manda nos últimos onze anos em Brasília.

A defesa tem todo o direito de usar o arsenal que o emaranhado de leis da Justiça brasileira oferece. Ousadia pelo menos não falta a ela e clientes, pois até já foi defendido o afastamento do ministro Joaquim Barbosa da relatoria do processo, nesta fase final, pelo fato de ele ter assumido a presidência da Corte. Exemplo acabado de Jus esperniandi, na fronteira da provocação.

A decisão, anunciada segunda-feira por Joaquim Barbosa, de rejeitar embargos infringentes de Delúbio Soares, ex-caixa do PT, condenado a oito anos e 11 meses de prisão, abre esta rodada final do julgamento do mensalão. Dela a Corte pode sair desmoralizada se passar a ideia de que tudo não passou de uma encenação para, no final, livrar mensaleiros de maiores punições.

Barbosa foi firme ao rejeitar o recurso que pede para o réu ser novamente julgado. Caso contrário, será uma derrota para o Ministério Público, o relator e todos que votaram por alguma condenação num julgamento minucioso, técnico, tendo sido garantido amplo direito de defesa.

O caminho dos embargos infringentes será explorado por mensaleiros que obtiveram pelo menos quatro votos a favor em qualquer condenação. Entre eles, as figuras estreladas de José Dirceu, José Genoíno, João Paulo Cunha. Delúbio foi apenas o primeiro.

Joaquim Barbosa se alinha àqueles que consideram não existir mais a possibilidade de embargos infringentes, embora constem do regimento interno da Corte, de 1990. Sucede que a lei 8.038, posterior, deixou de prever este tipo de recurso ao tribunal. É possível, apenas, o “embargo declaratório”, para tirar dúvidas de interpretação do acórdão, mesmo assim a depender de aceitação do Pleno. O Ministério Público Federal (Procuradoria-Geral da República) já se colocou contrário à admissibilidade deste recurso, embora os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Levandowski tenham afirmado que mesmo os embargos de declaração podem levar à alteração de penas.

Caberá ao Pleno do STF decidir se acolhe a ideia de anular julgamentos. É imprescindível haver a consciência do que isso significará num processo que ajudou a consolidar o desenho republicano da democracia brasileira, com a devida independência entre Poderes e a Constituição acima dos interesses político-partidários ou quaisquer outros.

A luta continua – O Estado de S.Paulo

O resultado do julgamento da Ação Penal 470 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) inoculou na consciência cívica dos brasileiros a esperança de que uma nova era no funcionamento da Justiça relegue à condição de mera má lembrança a impunidade dos poderosos que historicamente tem comprometido a consolidação do pleno sistema democrático entre nós. Poucos meses após a condenação dos criminosos de colarinho branco que quiseram transformar a política em balcão de negócios, em benefício de interesses partidários, no entanto, já se começa a recear que o julgamento do mensalão se transforme em enorme frustração nacional.

Na última segunda-feira o ministro Joaquim Barbosa, relator da ação penal e hoje presidente da Suprema Corte, rejeitou o embargo infringente apresentado pela defesa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, condenado a mais de oito anos de prisão, que pleiteava novo julgamento com base no argumento de que a condenação pelo crime de formação de quadrilha foi decidida contra o voto de 4 ministros.

Para Barbosa, a legislação que rege os processos no Supremo deixou de prever a existência de embargos infringentes: “Não estando os embargos infringentes no rol dos recursos penais previstos na Lei 8.038/90, que regula taxativa e inteiramente a competência recursal desta Corte, não há como tal recurso ser admitido”.

Além disso, Joaquim Barbosa denunciou a clara intenção protelatória dos recursos que objetivam apenas “eternizar o feito” e advertiu para o fato de que o êxito de iniciativas desse tipo conduziria inevitavelmente “ao descrédito da Justiça brasileira, costumeira e corretamente criticada justamente pelas infindáveis possibilidades de ataques às suas decisões”.

Tem razão o presidente do STF. Mas o Direito não é uma ciência exata e, portanto, depende sempre da interpretação da norma legal – o que é, aliás, a função precípua dos magistrados. Além disso, existem poderosos interesses políticos por detrás desse julgamento.

A isso se soma a circunstância de que o STF tem hoje, e terá no futuro próximo, uma composição diferente daquela que decidiu majoritariamente pela condenação dos réus do mensalão.

Tudo isso indica que não se pode deixar de considerar a hipótese de que venham a ser aliviadas as penas originalmente impostas aos mensaleiros, poupando alguns deles – e não é difícil adivinhar quais – pelo menos do cumprimento da fase inicial da pena em regime fechado.

Diz a sabedoria popular que quanto maior a altura, maior o tombo. Ao contrariar todos os prognósticos e, numa decisão histórica, condenar figurões da política pela compra de apoio parlamentar para o governo de turno, o STF levou às alturas o brio e o orgulho cívico dos brasileiros que entendem que a coisa pública deve ser espaço privativo de homens honrados e, com a mesma convicção, acreditam que numa sociedade democrática todos são iguais perante a lei.

A reversão dessas expectativas no emblemático caso do mensalão, se ocorrer, terá o efeito inevitável e absolutamente lamentável de fazer despencar das alturas a que foram alçados nesse episódio tanto o prestígio da Suprema Corte quanto a recuperada fé dos brasileiros no manto protetor da Justiça.

A construção de uma sociedade justa e desenvolvida não é responsabilidade apenas do poder público. É meta inatingível sem a adesão de toda a sociedade, que só supera a tendência natural do indivíduo de, na adversidade, pensar antes em si próprio, se realmente acreditar nos valores a serem perseguidos e tiver fé naqueles que a conduzirão nessa jornada. O descrédito nos governantes é um atalho para o caos.

Assim, a recente decisão de Joaquim Barbosa significa mais um revés para os mensaleiros e a confirmação de que a Suprema Corte continua dando uma contribuição importante para manter o País no rumo da verdadeira Justiça.

Mas ela não é a palavra final nesse lamentável e rumoroso episódio, o maior escândalo da história recente da política brasileira. É aí que reside o perigo.

BARBOSA QUER POSAR DE PAI DA LIBERDADE DE IMPRENSA

BARBOSA QUER POSAR DE PAI DA LIBERDADE DE IMPRENSA

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Não é de hoje que a agenda do presidente do STF é voltada para a defesa da atividade da mídia. Recentemente, Joaquim Barbosa participou de Conferência da Unesco em comemoração ao Dia Mundial pela Liberdade de Imprensa. Agora, tem marcada presença em congresso de jornalismo investigativo, onde falará sobre a relação do judiciário com a imprensa e o desafio da cobertura jornalística sobre o assunto. Mas como ele, que chamou um jornalista de “palhaço” e o mandou “chafurdar no lixo”, poderá abordar o tema?

 

12 DE MAIO DE 2013 ÀS 17:37

 

247 – Há meses o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) tenta posar de grande defensor da liberdade de imprensa. Se olharmos sua agenda recente, encontraremos eventos como o do último dia 3, na Costa Rica, onde Joaquim Barbosa foi o principal orador da Conferência Internacional em Comemoração ao Dia Mundial pela Liberdade de Imprensa, promovida pela Unesco, braço de Educação da ONU. Antes disso, ele chegou a receber, em seu gabinete, o relator especial da ONU sobre Liberdade de Expressão, Frank de La Rue, e jornalistas que o entregaram um relatório do Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ) sobre a situação dos países americanos em relação às ameaças à liberdade de imprensa.

Nada mais correto para um presidente da Corte Suprema de um país, não fosse o seu comportamento contraditório. No início de março, Barbosa chamou de “palhaço” e mandou “chafurdar no lixo” o repórter do jornal O Estado de S.Paulo Felipe Recondo. Tudo porque ele tentava fazer perguntas sobre críticas feitas a Barbosa por entidades que representam os magistrados. As associações se incomodaram com a declaração do presidente do Supremo em uma entrevista coletiva, quando ele disse que os juízes brasileiros têm cultura pró-impunidade. Mas Barbosa se revoltou e não quis responder. Na presença de jornalistas de vários veículos, se voltou para Recondo, aos gritos: “Me deixa em paz, rapaz. Me deixa em paz. Vá chafurdar no lixo como você faz sempre”.

Se Joaquim Barbosa não é capaz de receber tranquilamente uma simples pergunta sobre o Judiciário – a respeito de algo que ele próprio havia dito – difícil será discorrer sobre o tema do próximo evento que estará junto à imprensa. Em outubro, o ministro participará do 8º Congresso da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), no Rio de Janeiro, onde irá abordar a relação do judiciário com a imprensa e o desafio da cobertura jornalística sobre o assunto. O encontro acontecerá com outros dois eventos internacionais sobre jornalismo investigativo. Será que ele dará exemplos da relação da corte que ele preside com os jornalistas dos veículos brasileiros?

 

 

COMENTÁRIOS

86 comentários em “Barbosa quer posar de pai da liberdade de imprensa”

  1. paulista 12.05.2013 às 20:06

    A gente faz das tripas coração para dar conta de atender o público. Muitas vezes fazemos muito mais do que a nossa obrigação, por compaixão do público. Não ganhamos nada a mais, a não ser um “deus lhe pague”. Nunca nos queixamos, nem demonstramos mal humor com o público, mas, ouvir esse tipo de coisa que falou essa Leninha, tenha a santa paciência ! é uma patricinha, ou uma invejosa, que não consegue passar nos concursos públicos. Claro, com a cultura adquirida através da Globo, não vai passar em concurso algum, nem em vestibulares das universidades públicas.

  2. Observador 12.05.2013 às 20:05

    Já foi esclarecido pelo Barbosa o monitoramento eletrônico das suas atividades, implementada pelos agentes do GSI sob o comando do general Elito e sem o conhecimento do Governo?

  3. ATENÇÃO SRS. FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS 12.05.2013 às 20:01

    “Brasileiro 12.05.2013 às 19:53 A imprensa deve ter sempre total liberdade, se existe alguem contra é porque está de rabo preso. O que devemos combater e acabar neste País, é o excesso de sindicatos e centrais que só tem serventia para cabide de emprego e roubo do dinheiro público.” – VOCÊS LERAM ISSO, srs. funcionários públicos? Pois é o que a Veja, a Globo e os jornalões da imprensa irresponsável incute na cabeça dos cidadãos, 24 horas por dia. Segundo a nossa “imprensa investigativa” vocês todos não passam de um bando de parasitas que não valem o que comem. Se os neoliberais retornarem ao governo, vocês podem ir dando adeus aos vossos cargos e empregos. Abram o olho enquanto é tempo.

  4. Fabio Fubuia 12.05.2013 às 19:59

    Esse Barbosinha já apareceu demais da conta. Overexposição. Já chega. Não acham?

  5. nina 12.05.2013 às 19:57

    Leninha 12.05.2013 às 19:42 Informe-se. Os funcionários públicos não só têm que bater ponto, como são sujeitos a modernos controles de frequência, eu bato ponto biométrico, aquele por impressões digitais. Verifique se vc acha muita gente sem fazer nada nos postos de atendimento ao público, na saúde, no judiciário, por exemplo; cada funcionário público tem que atender a milhares, e o faz, e faz bem. Só quem só vê Globo é que pensa isso, acredita mais nas novelas do que no que vê com seus próprios olhos.

  6. ATENÇÃO SRS. FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS 12.05.2013 às 19:55

    “Leninha 12.05.2013 às 19:42 Estranha a obsessão dos esquerdopatas que adoram viver as custas de cargo público, ONGs e sindicatos (ou seja, qquer coisa q ñ precisa bater o ponto)…” – VOCÊS LERAM ISSO, srs. funcionários públicos? Pois é o que a Veja, a Globo e os jornalões da imprensa irresponsável incute na cabeça dos cidadãos, 24 horas por dia. Segundo a nossa “imprensa investigativa” vocês todos não passam de um bando de parasitas que não valem o que comem. Abram o olho enquanto é tempo.

  7. Brasileiro 12.05.2013 às 19:53

    A imprensa deve ter sempre total liberdade, se existe alguem contra é porque está de rabo preso. O que devemos combater e acabar neste País, é o excesso de sindicatos e centrais que só tem serventia para cabide de emprego e roubo do dinheiro público.

  8. Adryana 12.05.2013 às 19:51

    A minha opinião sobre o comportamento desse sr.JB e qui e mais falta de carate mesmo não tem haver com a cor da pele não veja o caso do Gilmar mendes ele e branco mais e um mal caratismo pelas coisa que vem fazendo no seus longos anos, a mesma coisa e o torquimanda .

  9. Definição Perfeita 12.05.2013 às 19:50

    Pai? Talvez padrasto.

  10. ATENÇÃO SRS. FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS 12.05.2013 às 19:47

    nina 12.05.2013 às 19:39 – O ministro Joaquim Barbosa seria “funcionário público” no sentido lato da palavra. Na verdade ele é membro de poder, e não agente administrativo. Portanto ele estaria livre do “enxugamento” decorrente do Choque de Gestão que implantaria o “estado mínimo”. Quando uso a expressão “funcionário público” estou empregando o sentido restrito do termo, ou seja, agentes administrativos, que o Cheque de Gestão neoliberal botaria no OLHO DA RUA.