Solidão na cidade + 2 poemas por Marilia Kubota – TOTEM & PAGU

Solidão na cidade A cidade é habitada por gentes que vivem sós como vivem sós os bichos e as árvores. Mesmo a gente em multidão está só A solidão é um cachorro passeando na praça mulheres dentro da…

Fonte: Solidão na cidade + 2 poemas por Marilia Kubota – TOTEM & PAGU

Ricardo Gondim recita “Poema em linha reta” de Fernando Pessoa

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Ricardo Gondim recita “Poema em linha reta” de Fernando Pessoa
No Programa ENCONTRO COM AS LETRAS.
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Artigo: Ricardo Gondim recita “Mãos Dadas” de Carlos Drummond de Andrade | Ricardo Gondim

Ricardo Gondim recita “Mãos Dadas” de Carlos Drummond de Andrade | Ricardo Gondim

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Ricardo Gondim recita “Carta Aos Puros” de Vinícius de Moraes

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Ricardo Gondim recita “Carta Aos Puros” de Vinícius de Moraes.
Programa ENCONTRO COM AS LETRAS.
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POEMA

“Autorretrato”, de Laura Liuzzi

by Eduardo Coelho

 

Como pode água nascer
de pedra
como pode, posso eu
também ter matéria
grave e intransponível
conjugada a esta outra
transparente, irrepresável.

Basta um olhar à fotografia –
o bebê no colo
o papel envelhecido.
Ao mesmo tempo que um avança
somando anos
o outro recua, mais antigo.

Quando as tardes pareciam
maiores
quando o fim do dia
era o fim do dia
quando tatuagens não eram
para sempre.

O tapete da sala era branco
e peludo, parecia um bicho
depois da ração diária.
O sol entrava geométrico
e, espremendo-se entre as grades
desenhava escarpas
onde eu me deitava
junto ao bicho.
Eu fechava os olhos
para ver as cores no escuro.

Só o que morria era inseto.

Sorrir nunca foi fácil.
Cresço com a boca miúda
e ainda não gosto de piadas.

Conservo a interrogação
quando de frente ao espelho:
como pode ser tão diferente
o frontal do perfil?
E me pergunto, desde lá
se todos enxergamos as mesmas coisas
se a língua não é tão só
um mesmo código para coisas distintas
se entre mim e você
não há um abismo sem solução.

O que sei é o que não sei
sobre projetos de futuro.

E mesmo assim escrevo cartas
(funcionam melhor que espelhos)
para meu próprio endereço.
Me respondo como se já tivesse
arquivado toda a memória
e pudesse confortar
confrontar o porvir.

Quando escrevo me passo a limpo
sem riscar as imperfeições.

A infância ainda gravita
em mim. Não só
a minha, mas outras
que vêm com músicas
sub-reptícias, por um atalho
por onde atravessam
com a velocidade
incalculável
do tempo.

Dar nome às coisas:
primeiro passo torto
até que se deseje
as coisas puras
sem auxílio de som –
a rosa única
a pedra que se sabe pedra.
Segundo passo, falho:
inominar.

Nos retratos guardamos nos olhos
o vidro dos olhos do gato
a cama ainda desfeita
a última tempestade
e o escuro do que virá.

[Colher nas mãos o que
das mesmas mãos se extinguiu:
pedra papel tesoura.]

 

Da revista Piauí, n. 47.

POESIA

“Que os rituais podem ser mortíferos, mesmo entre cristãos,”, de Durs Grünbein

by Eduardo Coelho

 

Que os rituais podem ser mortíferos, mesmo entre cristãos,
Eis o que nos mostra uma triste nova vinda da África do Sul.
Durante um batismo num rio da Suazilândia,

Um jovem negro afogou-se. Ainda a oração
Do padre não tinha chegado ao fim, já a corrente o arrastava
Rio abaixo, por entre rochas pontiagudas. Os fiéis

Perderam-no de vista em segundos. A cabeça,
Como um melão, foi levada para o centro, afundando-se depois
Num turbilhão mais forte. Metade cristão,

Metade ainda pagão, desapareceu entre as duas margens,
Nas ondas turvas, até receber agonizante
O sacramento do crocodilo.

 

Do livro Aos queridos mortos, tradução de Fernando Matos Oliveira,
editora Angelus Novus

ALMA EXPOSTA

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Te Espero by Jorge Luiz Vargas

Haydee Cerantola (noreply@blogger.com)

Terça-feira, Julho 30, 2013, 10:24 pm

LITERATURA

 
Meu sossego é meu coração
Que chora muda a solidão
É onde eu durmo sem cerrar olhos
É onde me embriago sorvendo lágrimas
 
Meu descanso é onde minh’alma repousa
Dentro de mim com a calmaria dos anjos
Que com meu coração pulsa
Esperando o arrastar dos anos
 
Sonhando sem dormir quero momentos
Que tardam e teimam em não chegar
Na calmaria da imensidão de sentimentos
 
Não durmo, pra sonhar o que quero
E nos murmúrios que o sonho traz
Te espero… Te espero… Te espero…
 

– Jorge Luiz Vargas –