SÃO GONÇALO NOTÍCIAS

CONTRA A GLOBO PODE PROTESTAR?

Noreply@blogger.com (robério Soares)

Monday, July 29, 2013, 7:25 am

BRASIL

 
 
 

Globo tenta reforçar uma mensagem política do papa Francisco em sua passagem pelo Brasil; perguntado sobre os protestos que tomaram as ruas, ele afirmou que “o jovem que não protesta não me agrada”; manchete desta segunda destaca estímulo papal aos protestos; mas será que isso vale também para as diversas manifestações contra a Globo e a sua capacidade de manipulação?

 
29 DE JULHO DE 2013
 
Em sua passagem pelo Brasil, o Papa Francisco quebrou o protocolo, foi ao contato da multidão no Rio de Janeiro, criticou a corrupção, rechaçou a legalização da maconha e chamou os jovens às ruas para se exprimir. O tom politizado de seu discurso foi explorado em seu último momento em solo brasileiro pela Globo. Questionado pelo repórter Gerson Camarotti, da GloboNews, sobre os protestos de junho que tomaram as ruas do Brasil, o Papa incentivou manifestações mas fez um alerta contra a manipulação:
“Com toda a franqueza lhe digo: não sei bem por que os jovens estão protestando. Esse é o primeiro ponto. Segundo ponto: um jovem que não protesta não me agrada. Porque o jovem tem a ilusão da utopia, e a utopia não é sempre ruim. A utopia é respirar e olhar adiante. O jovem é mais espontâneo, não tem tanta experiência de vida, é verdade. Mas às vezes a experiência nos freia. E ele tem mais energia para defender suas ideias. O jovem é essencialmente um inconformista. E isso é muito lindo! É preciso ouvir os jovens, dar-lhes lugares para se expressar, e cuidar para que não sejam manipulados.”
 
Será que isso vale também para as diversas manifestações contra a Globo e a sua capacidade de manipulação?
 
Durante os protestos de junho, a emissora foi alvo da Marcha Ocupe a Rede Globo, evento confirmado por mais de 2 milhões de internautas pelo Facebook. Na mesma época, foi revelado um caso de sonegação de impostos da empresa, em um processo que corria em segredo de Justiça até ser vazado ao jornalista Miguel do Rosário, editor do blog O Cafezinho. “A dívida é a soma do impostos mais juros e multa, resultantes de um auto de infração no qual a Receita detectou a intenção da Globo de fraudar o fisco. Em valores atualizados, chegaria perto de R$ 1 bilhão.”
 

RADICALISMO SEM CONTROLE E, ORGANIZADOS, APENAS O CRIME E OS PENTECOSTAIS

 Hildegard Angel

RADICALISMO SEM CONTROLE E, ORGANIZADOS, APENAS O CRIME E OS PENTECOSTAIS

Hildegard Angel

Wednesday, July 17, 2013, 2:49 pm

COMPORTAMENTO

O que me impressionou não foi o índice alto de acessos à crônica publicada aqui sobre o casamento “Bastilha” no Copacabana Palace, mas a reação raivosa, odienta, sangue na boca, de tantos e tantos que se manifestaram e ainda se manifestam.

Isso se fez reforçar minha convicção de que o momento é extremamente grave, e precisamos ter consciência disso. O radicalismo está tomando conta do país. Digo mais: estamos às vésperas de entrar numa guerra civil.

Fomentado pela grande mídia, o ódio da classe média manifesta-se nas mídias sociais, nas ruas, nas cartas aos jornais, nos bares, nas conversas.

Num projeto golpista, temendo a continuidade do governo PT, uma mídia irresponsável, inconsequente, com sua curta visão, fez sua audiência acreditar que todos os males crônicos do Brasil advêm da era Lula.

Corrupção, crise hospitalar, deficiência de ensino, saneamento, mazelas que somam pelo menos cinco décadas de gestões sucessivas, se é que podemos chamá-las de “gestões”, são debitadas aos governos petistas, justamente aqueles que apresentaram e apresentam os melhores resultados no desenvolvimento econômico, na política externa, na qualidade de vida, na justiça social, no reconhecimento internacional, na distribuição da renda e tantos outros méritos.

Tanto fizeram, tanto insistiram, numa campanha tão poderosa, insidiosa, obstinada, continuada, que conseguiram chegar ao cenário que pretendiam: o país desmoralizado internacionalmente, a presidenta impopular, a economia em queda, manifestações nas ruas.

Cegos, imprevidentes, imprudentes, os donos desta mídia, os membros desta sigla, PIG, de Partido da Imprensa Golpista, acabam por dar o Golpe neles próprios, pois a primeira vítima é a própria mídia. Ela acendeu o fósforo, mas quem jogou a gasolina foi o Facebook, foi o Google. Só então a grande e forte mídia brasileira percebeu o quão é pequena e frágil, uma formiguinha, perto das redes sociais.

E deu no que deu: para cobrirem as manifestações, só com os repórteres no alto dos prédios,  dialogando com os cinegrafistas no alto dos helicópteros. Se chegassem às ruas, eram escorraçados, enxovalhados, linchados. Os microfones, pelados: não podiam exibir logo de emissora.

Daí que essa campanha que agora vemos em grandes jornais e redes de TV contra a espionagem americana não é por nacionalismo, é por interesses econômicos. Nossos big shots da imprensa abriram, enfim, os olhos e  se deram conta de que o Google já fatura 50 bi contra 120 bi da mídia mundial. É uma fatia muito grande, não?

Porém, o leite derramado está: como frear esse ódio, essa sede incontrolável de vingança contra os ricos, e de modo indiscriminado, misturando o joio e o trigo? Corruptos e íntegros? Tudo junto e misturado: dinheiro ganho por debaixo dos panos sujos e dinheiro conquistado sob o lenço encharcado do suor do trabalho.

Na hora da raiva generalizada, a riqueza dos outros é toda igual. Com a ódio vem o ressentimento das classes, das diferenças, da inveja, da ganância do bem do próximo. É o vale tudo de rua contra rua, bairro contra bairro, vizinho contra vizinho, parente contra parente, irmão contra irmão.

E quando, da classe média, esse ódio se alastrar até os pobres, os muito pobres, os miseráveis, os iletrados, quem vai conduzi-los? Quem tem liderança, neste momento, em nosso país? Quem são nossas lideranças?

Os movimentos nas ruas já mostraram que não há quem os guie. As centrais sindicais convocaram geral e foi um fiasco. Não lideram mais. Os movimentos estudantis, igual. Acomodaram-se nestes 10 anos de ante sala do poder. O PT, nem se fala, bem como os partidos aliados do governo. Acostumados a ser oposição desde sua origem, desmobilizaram suas bases e não as entusiasmam mais.

Os partidos de oposição, DEM, tucanos e correlatos, de elite, não têm liderança popular, nem sabem ter. Botam na rua, se muito, alguns gatos pingados. Agem na base da intriga dos punhos de renda, dos corredores, cochichando coisas nos ouvidos e celulares dos editores de revistas e colunistas de jornais. Não são povo.

As únicas lideranças com poder de mobilização no país na atualidade são: 1) O Crime Organizado.; 2) As Seitas Pentecostais (as Igrejas Evangélicas). Escolha seu líder…

O Crime Organizado já disse a que veio nas manifestações. São as milícias que vandalizam, a Polícia Federal já identificou. Há vídeo de policiais trocando a farda por roupas civis para em seguida se misturarem às passeatas. Na agitação em frente do Maracanã, no dia do jogo da Copa das Confederações, o grupo era de milicianos, a Polícia apurou.

Com o povo nas ruas, as milícias no Rio de Janeiro retomaram sua força, se reorganizaram. A ausência do secretário Beltrame neste processo está sendo vista, pelos observadores, como sua recusa de participar de qualquer tipo de “acordo” com essa turma para restabelecer a “ordem”.

Um retrocesso. É isso que a grande mídia do golpe conseguiu produzir para o país. O PIG. Manipulando a atração juvenil pelas ruas. Incensando, insuflando o ódio da classe média contra a classe operária, contra o analfabetismo dos “lulas”.  Projetando uma imagem desfocada da realidade nacional, ao atribuir aos governos do PT as mazelas absolutas e a primazia da corrupção da Nação em toda a sua História.

O PIG atirou no próprio pé. Se a palavra, em inglês, não significasse Porco, eu o chamaria de Burro.

Por tudo isso, recomendo muita calma nesta hora. Sugiro cautela. Bom senso, cabeça fria. O momento é tenso. Estamos às vésperas de o povo, o verdadeiro povão, embarcar nessa onda revoltosa, que poderá se transformar numa Tsunami avassaladora.

No Dia 7 de Setembro haverá uma manifestação nacional. Está sendo convocada. Vão tentar uma “Primavera Brasileira”. Depois disso, tudo poderá acontecer.

A Peste: O que Albert Camus e Luis Buñuel diriam sobre a Revolução do Vinagre

A Peste: O que Albert Camus e Luis Buñuel diriam sobre a Revolução do Vinagre | Livros pra macho #14

Posted: 21 Jun 2013 08:00 PM PDT

Para entender as manifestações sociais e todo o complexo de modificações que elas levam para a população, é necessário um tempo ­de reflexão, que pode ser mais curto ou mais longo, dependendo da proposta de quem pensa e de quem lê. Assim, milhares de pessoas conseguem expressar suas opiniões por meio de textos, vídeos, fotos e podcasts, principalmente no tempo em que as informações circulam num fluxo incessante e imediato.

 

Mar de gente na Brigadeiro Luiz Antônio, em São paulo (Foto: Guilherme Burgos)

Mar de gente na Brigadeiro Luiz Antônio, em São paulo (Foto: Guilherme Burgos)

A reflexão é imprescindível para o melhor caminhar das manifestações, pois, com ela, a sociedade define para onde quer ir, ou pelo menos para onde não deve ir. Mas, apesar da importância do tema, esse texto não foi escrito para definir o foco das manifestações, mas, sim, mostrar aos leitores o que a literatura pode ensinar com suas histórias escritas.

Alguns meses atrás, usei o exemplo do livro de George Orwell para explicar como 1984 podia ser transportado à nomeação de um pastor racista e preconceituoso para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Agora, como forma de reflexão sobre as forças que movimentam o Brasil nos dias atuais, decidi falar sobre a obra de um escritor existencialista bastante famoso: o argelino Albert Camus*.

E o que Albert Camus (1913-1960), que viveu durante a Primeira Guerra Mundial e presenciou a Segunda, diria sobre essa que está sendo carinhosamente chamada de A Revolução do Vinagre?

Essa pergunta surgiu em minha cabeça durante uma das marchas do Passe Livre – se é que podemos reduzi-la a apenas uma reclamação – em São Paulo, quando constatei que, caminhando ao meu lado, havia uma imensa variedade de pessoas e de comportamentos totalmente diferentes uns dos outros. Comigo, caminhavam playboys e patricinhas, punks e metaleiros, góticos e engravatados, médicos e advogados. Enfim, vi muita gente que, se não fosse a insatisfação coletiva, nunca topariam dividir o mesmo espaço entre si com civilidade e respeito.

Foi então que me lembrei de um livro do Albert Camus que gosto muito e que se encaixa perfeitamente no contexto brasileiro hoje. O dito cujo seria: A peste.

No livro, o escritor argelino narra a história de uma cidade que vive calma e ordeiramente seu cotidiano sem novidades, mas que, aos poucos, vai sendo infectada por uma peste. Os primeiros a serem atingidos são animais menores como ratos, gatos e cachorros de rua, mas, conforme vai se proliferando, passa também para os humanos. Com isso, instaura-se um clima de desespero na sociedade e nada mais resta ao bloco maior, que pode ser o estado ou o país, do que isolar a cidade para que resolva sua peste (problema) ou morra sem prejudicar quem estiver fora do isolamento.

É então que todos os indivíduos componentes daquela cidade se veem condenados a viver no mesmo barco podre em que a doença e a morte imperam. A riqueza e a pobreza, que antes separavam as classes sociais, agora já não servem para nada, porque a pestilência não tem preferência na escolha das vítimas.

Camus-La-Peste-Poche-1

Peço aos meus queridos leitores licença para fazer uma breve interrupção. Prometo que ela será pertinente e que enriquecerá a experiência de catarse literária implementada nessa postagem. O hiato consiste em citar outra obra de arte, dessa vez cinematográfica, feita por um de meios diretores favoritos. Luis Buñuel**, um espanhol muito amigo de Salvador Dalí, fez um filme que, para mim, traça um retrato parecido com o de Camus.

Em O anjo exterminador, ele mostra um jantar tipicamente aristocrata, no qual os ricos personagens se veem, sem nenhuma explicação, presos por uma barreira invisível e imaginária. Com o passar dos dias, as pessoas vão se despindo de suas máscaras e mostram a quem assiste que, apesar dos requintados artigos que revestem suas vidas, eles são humanos e, consequentemente, fedem, defecam, urinam e podem ser tão podres, segundo seus próprios critérios, quanto aqueles para quem apontam e com quem não querem se misturar, ou seja, as camadas pobres da sociedade.

Feito o adendo, retomo os escritos de Camus.

Em A Peste, Camus ultrapassa os limites imaginários da sala de jantar de O anjo exterminador e mostra como seria uma cidade condenada a viver com uma pestilência que atinge a todos, sem distinção. Nesse cenário, o desespero e a dor unem personagens bem diferentes entre si e fica visível a intenção do autor em inverter o sistema que configura o animalesco humano quando em estado de necessidade. Ele afirma que, na necessidade, pessoas que nunca conseguiriam conviver próximas se unem em busca do mesmo ideal.

E foi a partir disso que recebi uma mensagem enviada por Camus diretamente do mundo dos espíritos – tudo bem, ele era ateu, mas acho que não se importaria com essa licença poética – e  visualizei a analogia com a Revolução do Vinagre.

Assim como em A peste, também vivemos em um estado adoentado e moribundo, que precisa urgentemente de remédios para se curar. A corrupção que suga as energias do Brasil deixa sua população triste e revoltada, mesmo que alguns acreditem ter havido melhoras socioeconômicas significativas nos últimos anos. Talvez essas tão aclamadas melhoras tenham apenas estimulado a vontade do povo de mais. Ou a tristeza esteja no sentimento de que poderia ser muito melhor se não houvesse tanto desperdício de dinheiro público com eventos internacionais supervalorizados financeiramente.

As reclamações são diversas e, dependendo de quem as manifesta, podem ter interesses específicos bem divergentes. Embora alguns analistas políticos ainda insistam em não entender, todos sabem que essa revolta não foi apenas pelos vinte centavos, pela revogação da PEC 37, pela saída do Renan Calheiros ou pela causa gay.

Ela é muito maior.

E o povo deve ter muito cuidado com o caminho para o qual ela pode levar o país. Já escutei alguns pedindo a saída da presidenta Dilma Rousseff. Outros chamando o Geraldo Alckmin de fascista. Quem entende pelo menos um pouquinho de política partidária, sabe que os dois vêm de bandeiras políticas adversárias.

Então, por que manifestantes que gritam por motivos contrários estão caminhando juntos?

"O triunfo da morte", do pintor belga Peter Breugel

“O triunfo da morte”, do pintor belga Peter Breugel

Camus responderia que a podridão fede para todos e a peste corrói a sociedade independente de onde você estiver. Até os mais ricos já estão cansados de viver isolados em seus condomínios de luxo ou de frequentar restaurantes caros com risco de serem assaltados. Então, para curar a coletividade da doença, é necessário haver união, do mesmo jeito que vi andando juntos o advogado engravatado e o punk com cabelo moicano. Os dois têm as mesmas revoltas e sofrem as mesmas consequências de um estado corrupto e virulento.

É claro que as soluções de cada um serão diferentes quando chegar o momento de mudança, mas, enquanto isso não ocorrer, eles continuarão se encontrando nas marchas pelo país afora e poderão discutir suas ideias, e, talvez, reunir suas opiniões em denominadores cada vez mais comuns. Ou não…

Segundo o próprio Camus, a euforia da cidade ao ver-se livre da peste apenas escondia o fato de que novos focos de doença – ou insatisfação – ressurgiriam, mais cedo do que imaginavam. Assim, concluía que os problemas da sociedade não se resolvem com tanta facilidade e o maior erro é acreditar que tudo fica perfeito ao se destruir um foco, quando, na verdade, o que se faz é somente substituir uma peste por outra.

O perigo reside justamente nesse ponto, num reducionismo ideológico que, na história recente da humanidade, resultou inúmeras vezes em regimes totalitários muito prejudiciais para a livre discussão de ideias, elemento tão importante para a boa convivência entre os indivíduos.

Para me despedir, deixo com vocês as últimas palavras escritas por Camus no livro A peste:

“Na verdade, ao ouvir os gritos de alegria que vinham da cidade, Rieux lembrava-se de que esta alegria estava sempre ameaçada. Porque ele sabia o que esta multidão eufórica ignorava e se pode ler nos livros: o bacilo da peste não morre nem desaparece nunca, pode ficar dezenas de anos adormecido nos móveis e na roupa, espera pacientemente nos quartos, nos porões, nos baús, nos lenços e na papelada. E sabia, também, que viria talvez o dia em que, para a desgraça e ensinamento dos homens, a peste acordaria os seus ratos e os mandaria morrer numa cidade feliz.”

*Albert Camus (1913-1960) foi um escritor e dramaturgo francês, nascido na Argélia. Militante da Resistência Francesa, construiu suas obras a partir de discussões morais e existencialista sobre o mundo destruído e miserável do pós-guerra, principalmente em seu continente natal, África. Recebeu o Prêmio Nobel em 1957

**Luis Buñuel (1900-1983) foi um diretor e roteirista espanhol, nacionalizado mexicano. Junto com seu amigo Salvador Dalí, influenciou sobremaneira a estética surrealista de sua época. 

Slogans em protestos revelam consumismo e alienação, diz FT

Slogans em protestos revelam consumismo e alienação, diz FT

Atualizado em  27 de junho, 2013 – 04:47 (Brasília) 07:47 GMT
Foto: AFP

À esquerda da foto, manifestante empunha slogan de uísque

Em longo artigo assinado pela colunista Samantha Pearson, o jornal britânico Financial Times examina a adoção de slogans publicitários pelos manifestantes que vêm tomando as ruas de diversas cidades brasileiras no último mês.

A publicação lembra que o uso de motes de campanhas em protestos não é uma novidade em protestos em todo o planeta.

“Mas os manifestantes no Brasil tomaram um caminho incomum, usando os populares slogans para defender causas não relacionadas (aos slogans). É um sinal, dizem sociólogos, de excessivo consumismo e alienação política”, observa o FT.

Ao se referir às frases “O gigante acordou”, extraída da campanha do uísque Johnny Walker, e “Vem pra rua, vem”, dos anúncios da Fiat, o FT diz que os slogans se converteram em “um dos poucos elementos a unificar os direferentes grupos que tomaram as ruas de mais de 100 cidades no Brasil este mês”.

“Sem esforço, a italiana Fiat e a britânica Diageo, dona da marca de uísque Jonnhy Walker, se tornaram patrocinadores não oficiais dos maiores protestos no Brasil desde o movimento pelo impeachment de Fernando Collor de Melo, em 1992”.

“Mas a publicidade gratuita vale a pena?”, questiona a publicação, antes de afirmar que no fim das contas as empresas acabam vendo suas marcas conectadas a protestos pacíficos mas também a vandalismo e saques.

No caso da Fiat, destaca o jornal, a prioridade dada pelo governo ao transporte individual particular – e não ao coletivo – é parte da origem dos protestos, originados pelo aumento das tarifas de transporte público.

O professor de mídia da Universidade de São Paulo Dennis de Oliveira explicou o fenômeno ao FT.

“Muitos dos manifestantes não têm qualquer conexão com partidos políticos, então eles tomam emprestadas expressões do mundo no qual eles estão imersos- e nos últimos anos este tem sido o mundo do consumo”, diz o acadêmico.

“Depois de uma década de alto crescimento econômico, não surpreende a adoção de slogans” que, além de ajudar a traduzir “o desencanto com o sistema político”, “são também uma expressão do mal-estar do modelo de desenvolvimento baseado no consumo”, sublinha o jornal, ao citar a avaliação do professor da Fundação Getúlio Vargas Rafael Alcadipani.

“Carros, máquinas de lavar, e TV de plasma não são mais suficientes: Brasileiros querem melhores serviços públicos e governo”, conclui oFinancial Times.

VIROU MODA!