Os motivos da demissão da apresentadora da TVeja. Por Paulo Nogueira

Estava na cara que Joice Hasselmann ia durar pouco na Veja. Não por ela. Joice fez o que se esperava que fizesse. No comando dos vídeos da Veja conseguiu ser mais antipetista do que Rachel Sheherazade. Derrubou Dilma algumas vezes – na fantasia, mas a Veja gosta desse tipo de ficção. Os plágios também não podem ter contado muito para uma revista cuja política editorial aceita barbaridades infinitamente maiores como atribuir contas no exterior sem checar, como no caso Romário. Joice teve um bom desempenho de acordo com o que a Veja queria dela. O que levou seu emprego estava completamente fora de seu controle. Primeiro, foi o estapafúrdio modelo de televisão adotado pela Veja. Na Era Digital, os vídeos são curtos, agudos. Os vídeos da Veja são o oposto disso. Longos, maçantes, monótonos. São uma mostra da dificuldade mortal que a Veja encontra para se adaptar à internet. É como se a Veja, em sua arrogância obtusa, quisesse que a internet se adaptasse a ela. Uma ida ao canal de vídeos da Veja no YouTube conta tudo. As audiências são famélicas. Ou alguém acha que o internauta está disposto a ouvir Serra e congêneres por uma hora? Num dos momentos mais desgovernados da TVeja o blogueiro Ricardo Setti foi objeto de uma interminável homenagem logo depois de ter sido desligado. Joice recebeu uma encomenda absurda, e entregou o que lhe pediram. Não daria certo nem se Ophra estivesse no lugar de Joice. O segundo fator é a agonia da Abril. As receitas caem brutalmente sem que haja nenhuma chance de retorno. Menos publicidade, menos vendas em bancas, menos assinaturas. E, importante, menos publicidade oficial. O governo Alckmin prestigia os amigos, como sempre, mas o Planalto deixou de anunciar na Veja depois de anos de gangsterismo editorial impune. Nenhuma grande empresa jornalística brasileira sobrevive sem o dinheiro do povo, sobretudo os mensalões milionários derivados da publicidade federal. E ainda mais uma empresa como a Abril, que vive de uma mídia obsoleta, as revistas impressas, sem saber fazer a mídia nova, que é a internet. Foi dentro desse quadro que, pouco tempo atrás, Rodrigo Constantino perdeu o emprego. (Magoado, sem classe nenhuma, previu uma morte horrível para a Veja, não sem antes, numa ciclotimia de doente, rogar a seus leitores que não cancelassem a assinatura da revista em retaliação ao chute que lhe deram.) A Abril vai ficar menor, menor e menor. Quem puder sair vai sair, como fez Lauro Jardim ao se transferir para o Globo. Daqui a pouco os donos se perguntarão se faz sentido manter executivos e jornalistas caros – os que sobraram. Joice não tinha mesmo futuro no Titanic. A rigor, ela entrou no Titanic quando já fazia água, depois do triste encontro com o iceberg. Não havia chance mesmo de uma viagem melhor do que a que teve.

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Globo encontra “especialista” para convencer anunciantes a não migrar para a internet. Por Leo Mendes

O desespero da Globo com a queda vertiginosa e constante de sua audiência produziu nessa semana uma das entrevistas mais patéticas da história da televisão. Acostumada a manipular a audiência, a Globo tenta agora enganar também os anunciantes. No programa Milênio da Globo News, o “especialista” em mídias Michael Wolff tentava de todo modo convencê-los a continuar a investir em anúncios na TV e não na internet. Mas os canais de televisão se tornam aos poucos canais de internet. Emissoras que produzem e compartilham vídeos em tempo real. Canais na internet também já são capazes de transmitir conteúdo ao vivo, e há muitos a nossa escolha. Não precisam transmitir o dia todo, mas se quiserem podem também vender espaço para igrejas ou teleshops e completar sua programação. A qualidade do vídeo depende do quanto o usuário da internet pode pagar por velocidade e equipamentos. Mas não é difícil imaginar um futuro em que todo computador poderá reproduzir ao vivo e on line conteúdos de alta qualidade, gratuitos ou pagos, via internet. E então qual seria exatamente a diferença entre esses canais e os canais de tevê? As smarts tvs já funcionam como um computador conectado à internet para assistir a vídeos. O Netflix é maior do que muitas TVs. E o entrevistador, o jornalista Marcelo Lins, confessa: “Os executivos (incluídos seus patrões?) estão preocupados com a queda da audiência.” O desespero desses executivos trouxe Michael Wolff ao Brasil. Wolff é estadunidense, escreve para a revista Vanity Fair, edita uma publicação especializada em publicidade e propaganda chamada Ad Week e também foi escolhido pelo magnata das comunicações Robert Murdoch para escrever sua biografia, o que nos dá um bom indício da relação que Wolff mantém com os barões da mídia. E o quanto está disposto a tentar ajudá-los em troca de dinheiro. Foi chamado pela New York Magazine de “um homem raivoso de aluguel”. Para chegar às conclusões fantásticas apresentadas na entrevista, Wolff cita como exemplos o SuperBowl (a final do maior campeonato de futebol americano nos Estados Unidos) e o Buzzfeed. “O SuperBowl com uma audiência de 100 milhões de pessoas gera uma receita com anúncios publicitários de 1 bilhão de dólares. O Buzzfedd, com 200 milhões de visitantes únicos mensais, gera 10 milhões”. A partir dessa constatação, a conclusão mais óbvia – e dramática para as emissoras de TV -parece ser a de que os anunciantes estão gastando muito na televisão, por resultados que podem alcançar na internet gastando uma parcela ínfima desse orçamento. Mas Wolff tem uma defesa a fazer, e segundo ele, os anunciantes que preferem a televisão sabem o que fazem, pois o “tráfego” na internet é muito diferente da “audiência” da tevê. “20% dos anúncios na internet sequer são vistos, pois as pessoas saem da página antes de carregá-los. Há também os robôs e gente que fica clicando várias vezes…” Sobre o controle remoto, que há décadas tornou possível fugir dos intervalos comerciais na televisão com apenas um clique, nenhuma palavra. Sobre pessoas que deixam a tevê ligada e vão fazer outras coisas também não. A empresa ComScore divulgou recentemente uma pesquisa que mostra que no Brasil, assim como em toda a América Latina, o número de pessoas que assiste a vídeos on-line (82% no Brasil, 81% na AL) já é maior do que o dos que assistem televisão aberta (72% no Brasil, 70% na AL). E mais uma vez a lógica e as evidências trabalham contra as previsões, esperanças ou torcida de Wolff: o acesso à internet ainda é restrito e deve crescer muito nos próximos anos, assim como a acesso a smartphones, tablets, notebooks, computadores. Já o potencial de crescimento da tevê é pequeno, pois ela já está presente na maioria dos lares, e quem não assiste mais a tevê, parece não assistir principalmente por escolha própria, e não por falta de acesso. Tudo isso, aliado à série de recordes negativos históricos na audiência da Globo, que não param de ser quebrados em todos os horários, fazem a entrevista com o Wolff lembrar algo como “Ne me quitte pás”, interpretada por Jaques Brell no auge de sua agonia, prestes a ser abandonado pelo que mais ama. O que a Globo mais ama é o dinheiro, as bilionárias verbas publicitárias que fizeram da família Marinho a mais rica do Brasil. Wolff, aliás, disse que seu sonho era ser brasileiro, trabalhar na televisão brasileira. “Trata-se de um mercado impressionante. Houve um momento nos Estados Unidos no qual a televisão era a voz mais singular e poderosa, mas não tem mais a singularidade que parece ainda ter aqui”. Essa voz singular e poderosa no Brasil durante décadas se chamou Rede Globo. E é péssimo para a democracia que exista uma única voz superpoderosa na mídia. Wolff deve saber disso, mas sua raiva e conclusões variam de acordo com quem aluga seus comentários.

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Tremor? Chuva? Mas e a obra que estava sendo feita na barragem da Samarco? – TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

Tremores de terra e chuvas intensas e contínuas, infelizmente, não devem ser tratados como causas prováveis do acidente nas barragens da Samarco. Chuvas – que não têm sido constantes na região – e pequenos abalos acontecem a toda hora….

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