Santiago Santos: Cavalo sem ferradura morre novo

LOID

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O que Lourenço queria mesmo era abrir o zíper da calça, esticar os pés noutra cadeira e deixar a cerveja escorrer pela boca e trincar a goela. Mas não. Júnio tinha os dois cotovelos apoiados no outro lado da mesa amarela da Crystal, as mãos enfiadas nas bochechas segurando o peso da cabeça, os olhos fixos nas peças. O pessoal fechava um círculo ao redor, encurralando sobretudo o calor. Lourenço limpava o suor da testa de trinta em trinta segundos, sentia as gotas escorrerem das axilas pelo torso, o sumo empapando as costas dos joelhos dobrados. O cheiro doce da costela vinha num ocasional rasante da brisa, perto da churrasqueira tocava Jorge e Mateus, o som alegre das crianças batendo na água e pulando na piscina, e ele ali, se lascando pra se concentrar, pra ignorar o bafo da cerveja que decolava dos muitos dentes amarelos pra pousar nas suas…

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