MPL, TUCANOS E POLÍCIA – O PT TEM DE SER INCOMODADO E INCOMODAR

MPL, TUCANOS E POLÍCIA – O PT TEM DE SER INCOMODADO E INCOMODAR

Davis Sena Filho
DAVIS SENA FILHO14 DE JUNHO DE 2013 ÀS 18:35

O MPL tem razão, mas deve dialogar e não ficar à mercê de grupelhos fascistas, como ocorreu nas manifestações. O PT é um partido orgânico, inserido nos principais segmentos e setores da sociedade

 

O que mais chamou a atenção até agora nos protestos de estudantes liderados pelo Movimento Passe Livre (MPL) em várias capitais do País, notadamente em São Paulo, não foi a infiltração de grupos de extrema direita nas manifestações e muito menos a participação da esquerda que faz oposição ao governo trabalhista, por intermédio das siglas PSTU e PSOL, ao tempo em que compõe com os interesses da direita, como no caso do senador Randolfe Rodrigues (PSOL/AP) que foi pessoalmente dar apoio ao juiz Gilmar Mendes no episódio em que o magistrado, equivocadamente e ditatorialmente, impediu que o Congresso legislasse sobre o projeto de lei que trata das novas regras sobre criação de partidos políticos.

Randolfe Rodrigues e outros senadores, a exemplo de Cristóvam Buarque e Rodrigo Rollemberg, comportam-se como verdadeiros quinta colunas, e, por se conduzirem politicamente dessa forma, insurgiram-se, vergonhosamente, contra a instituição da qual são membros, o Senado, além de “rasgarem” a Constituição, que não deixa dúvida alguma quanto ao papel dos Três Poderes da República. Comportaram-se dessa maneira para atender os seus interesses e os da senhora Marina Silva, que precisa, urgentemente, regularizar o seu partido Rede Sustentabilidade, que é apenas mais uma agremiação conservadora, com verniz progressista, como o é o PSOL, que em Minas Gerais por pouco não ficou nas mãos da direita.

Contudo, o que me chamou a atenção realmente foi a PM paulista, conhecida historicamente por sua violência, pois tradicionalmente sempre se comportou como uma guarda pretoriana de defesa dos interesses de classe e do patrimônio da burguesia paulista. Juntamente com a Polícia Civil, a PM paulista se tornou emblemática no País, por sua atuação assassina na repressão a militantes de grupos de esquerda no decorrer de 21 anos de ditadura militar.

É sintomática a participação da PM no que tange à repressão exagerada tão a gosto dos políticos do PSDB, que, no poder, sempre se valeram das corporações policiais para reprimir os movimentos sociais e populares, tanto no campo quanto na cidade, a exemplo dos massacres de Pinheirinho e de Eldorado dos Carajás. Dois acontecimentos que são os símbolos maiores das inúmeras repressões promovidas por mandatários do PSDB, partido divorciado do povo brasileiro, porque simplesmente se distanciou dos interesses da população e hoje se conduz como agremiação política conservadora cujos políticos são vistos como testas de ferro do establishment.

Afirmo ainda que há uma certa estranheza no ar no que concerne aos líderes do MPL e das lideranças estudantis, muitos deles vinculados a partidos políticos, o que é legítimo e natural, recusarem-se a dialogar com a Prefeitura, conforme informou hoje o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, à “grande” imprensa. Haddad disse que o aumento de R$ 0,20 já era anunciado desde o ano passado e por isso não pegou ninguém de surpresa. O mandatário petista afirmou ainda que o aumento da tarifa de ônibus “é muito abaixo da inflação”, sendo que o menor dos últimos três anos. O prefeito disse também que a majoração da passagem em apenas R$ 0,20 somente foi possível porque a Prefeitura subsidiou a tarifa com recursos orçamentários da ordem de R$ 600 milhões, além de deixar claro que está aberto ao diálogo.

Entretanto, lembro ao leitor que o MPL questiona e realiza movimentos desde os tempos do prefeito Gilberto Kassab (PSD), político que foi aliado dos tucanos e que atualmente é importante aliado do governo trabalhista da presidenta petista Dilma Rousseff. Não esqueçamos, porém, que o PSD faz parte da base política e partidária do governo federal, além de ser a terceira maior bancada do Congresso, menor apenas que as do PT e do PMDB. Este fato é muito importante, pois quanto maior a bancada na Câmara dos Deputados, maior é o tempo de televisão para aparecer na propaganda política e eleitoral.

Mesmo a encerrar a parceria com os tucanos e ser considerado traidor pelos barões da imprensa e seus jornalistas porta-vozes de interesses patronais, Kassab nunca foi atacado com a ênfase e a agressividade que os áulicos da imprensa corporativa dedicam aos políticos do PT. Esse comportamento é devido à esperança de que algum dia Kassab retorne às hostes da direita, apesar de ser um político não confiável, conforme tem demonstrado no decorrer de sua carreira. Por isto e por causa disto, a imprensa de negócios privados nunca atacou com violência exagerada o ex-prefeito e o “protegeu” ao esconder das principais manchetes de seus jornais o Movimento Passe Livre (MPL), o que, evidentemente, não ocorre na administração de Fernando Haddad, político do PT.

Essa realidade é visível e transparente como as águas do mar sem poluição. Somente não enxerga quem não quer, por motivos políticos e ideológicos ou por alienação. Todavia, asseguro que considero o MPL um movimento legítimo e que o protesto, a manifestação e as críticas são partes integrantes da democracia e, consequentemente, do estado democrático de direito, que permite a liberdade de expressão e a de reivindicar. Por seu turno, acho que o PT precisava de uma sacudida, a fim de perceber que as reformas econômicas e sociais têm de ser realizadas e concretizadas com mais rapidez, menos burocracia e maior vontade política para resolver as questões e os conflitos sociais.

Afinal, o PT é um partido reformista, e, seguramente, não é revolucionário, como muitos de seus integrantes o são, mas que, no momento, não têm voz ativa e cargos importantes para que se pudesse agilizar e, quiçá, efetivar as reformas tão necessárias para o desenvolvimento do povo brasileiro, a exemplo das reformas agrária, tributária e política. Esses processos são, historicamente, combatidos, por aqueles que controlam os meios de produção, e que têm ainda muita força e influência no Congresso, no STF, na PGR, nos Ministérios Públicos, nas confederações e federações empresariais rurais e urbanas e no próprio Palácio do Planalto, que forma um governo de coalizão.

Somente os lorpas e os pascácios, como diria o conservador e genial Nelson Rodrigues, confundem o programa de governo e o projeto de Pais dos governos trabalhistas do PT com as alianças sacramentadas que tem o propósito de viabilizar a governabilidade, o que seria impossível em um País como o Brasil, de tamanho continental, e características e interesses políticos regionais e estaduais. A verdade é que essas pessoas não conhecem os bastidores e se comportam como amadores, no sentido de não perceberem que as alianças são necessárias para governar, sem que, obviamente, o partido e o governante que conquistou o poder não rasgue o programa de governo apresentado à população, bem como não esqueça do seu passado, como aconteceu com o ex-presidente tucano, Fernando Henrique Cardoso, conhecido também como o Neoliberal I.

Por isso que pessoas como Marina Silva, Cristóvam Buarque, Rodrigo Rollemberg, Eduado Campos, Heloísa Helena, Alfredo Sirkis, Fernando Gabeira, Randolfe Rodrigues, Pedro Simon, além de Pedro Taques e Álvaro Dias, os dois últimos políticos midiáticos e replicadores contumazes das manchetes oposicionistas e golpistas da imprensa burguesa e alienígena, não têm credibilidade perante o povo, e, por conseguinte, suas figuras ficam restritas ao mundo da classe média tradicional, como já afirmei mais de mil vezes, conservadora, reacionária, preconceituosa e portadora dos valores e dos princípios dos ricos, que estão cansados de usá-la para seus interesses políticos e de consumo, bem como igualmente cansados de barrar tal classe despolitizada na porta de seus bailes à black tie e regados à champanhe.

Para finalizar, digo que o PT e o governo petista liderado pela presidenta Dilma Rousseff abram os olhos, caminhem nas ruas e voltem a fazer o que sempre fizeram: apertar a mão do povo e ver de perto a sua realidade. O PT e o governo trabalhista de Dilma Rousseff não deve jamais titubear, vacilar e muito menos perder a disposição quando se trata de distribuir renda e riqueza para que o povo brasileiro possa se emancipar e nunca mais ficar á mercê dos herdeiros da casa grande, que escravizaram seres humanos no decorrer de quatro séculos ou mais. O PT é reformador, apesar de ter, volto a repetir, em seus quadros e em seus diversos grupos políticos militantes revolucionários.

Abrir mão das reformas para compor com as “elites” nababescas, perdulárias, colonizadas e entreguistas e dessa forma evitar ser alvo de ataques e campanhas negativas são erros políticos e estratégicos graves. Quem conquista o poder tem de ser incomodado, mas também tem o dever de incomodar os que sempre puderam mais e que estão a controlar os meios de produção e as terras improdutivas rurais e urbanas. O Brasil tem muito dinheiro e pode melhorar a vida dos brasileiros. As desigualdades envergonham o povo brasileiro, que é o maior grupo social, o mais importante, o melhor, o que trabalha e o que quer mudanças e reformas para se livrar da miséria, da pobreza, e, por sua vez, da violência.

O MPL tem razão, mas deve dialogar e não ficar à mercê de grupelhos fascistas, como ocorreu nas manifestações. O PT é um partido orgânico, inserido nos principais segmentos e setores da sociedade. O governo do PT e dos seus aliados efetivam há 11 anos uma política econômica e social de distribuição de renda e de riqueza, que é combatida diuturnamente e ferozmente pelo patronato brasileiro, pelos partidos que os representam (PSDB, DEM, PPS e PSOL) e fundamentalmente pela imprensa golpista.

Os barões midiáticos que desde 1930, quando o trabalhista e estadista Getúlio Vargas assumiu o poder, boicotam, sabotam e se acumpliciam até com as forças estrangeiras para derrubar os políticos do campo do trabalhismo e do socialismo, realidade esta que aconteceu em 1964 quando deram um golpe de estado e derrubaram o trabalhista João Goulart — o Jango. O PT tem de cumprir totalmente o seu programa de governo e para isso precisa agilizar as reformas.

A presidenta Dilma Rousseff tem força política para aprová-las. Se a imprensa mercadológica e os grupos reacionários querem realmente criticar e fazer oposição sistemática ao governo trabalhista, que eles pelo menos tenham uma razão concreta e palpável. O PT tem de pisar no acelerador e deixar para o PSDB o perfume da massa cheirosa. Esses tucanos leram sobre revoluções, mas não compreendem o que é revolução. O PT tem de ser incomodado pelo povo e pelos movimentos sociais, e incomodar os ricos e os que podem mais.  O PT foi fundado para isto, porque este é o seu propósito e destino. É isso aí.

 

 

 

COMENTÁRIOS

20 comentários em “MPL, tucanos e polícia – o PT tem de ser incomodado e incomodar”

  1. Ary 15.06.2013 às 10:59

    Em minha opinião, trata-se de um ensaio para algo maior que está por vir. Duas moedinhas de dez centavos geraram o que se assiste. Imagine algo maior, nacionalizado no momento! O Chile poderá ser aqui.

  2. juridico 15.06.2013 às 10:13

    QUERO SABER QUEM SAO OS HERDEIROS DA DITADURA PORQUE DA CASA GRANDE JA SABEMOS

  3. Edson Santana 15.06.2013 às 07:54

    Esqueci de dizer também que o artigo faz objeções sobre os senadores que foram beijar a mão do terrível ministro Gilmar Mendes, que sempre quando pode rasga a Constituição para fazer oposição ao governo. Esses senadores são os esquerdinhas recalcados que traíram o governo através do tempo e foram entrar na fila da direita brasileira, a famigerada. Esses caras que aqui xingam não querem discutir querem apenas impor suas ideias de direita e tentar desqulificar o pensamento do jornalista, que sem dúvida é o mais ideológico do Brasil 247.

  4. Lana 15.06.2013 às 07:48

    Olha, Davis, seu artigo me orientou. Estava perdida, porque a grande imprensa não explica porque quer confundir. Muito legal. Agora, o que a PM paulista bateu é incrível. Acho que é mesmo o seu passado com corporação da ditadura.

  5. Edson Santana 15.06.2013 às 07:41

    As hienas e os abutres de direita atacam o articulista e usam o subterfúgio de misturarem este texto com o anterior, como no caso do BURT. O texto anterior não tem nada a ver com este. O primeio apenas relata e critica duramente o idiota de capuz colonizado e burro igualzinho os idiotizados que teimam em misturar os assuntos e assim aproveitar para agredir o jornalista. O artigo agora em questão é muito bom e faz uma síntese dos acontecimentos no Brasil e especialmente sobre a violência policial em SP e mostra os atores implicados nas manisfestações. O resto é coisa de gente conservadora querendeo zoar.

  6. Burt 15.06.2013 às 05:36

    ESSE DAVIS SENA DEVE SER BIPOLAR, A CADA DIA ELE TEM UMA OPINIÃO DIFERENTE SOBRE O MESMO ASSUNTO…MAS ISSO FAZ PARTE DOS PTistas, A DISSIMULAÇÃO E A DEMAGOGIA. PELO VISTO ESTÃO QUERENDO SE APODERAR DO MOVIMENTO, MAS….NÃO VAI COLAR, PQ A PREFEITURA DE SP É DO PT.

  7. Acho que esse tal davis não fez o curso primário 15.06.2013 às 00:06

    Getulio Vargas deu um golpe em 1930, seu puta imbecíl.

  8. Davis sena é uma mula semi-analfabeta. Ô cara burro! 15.06.2013 às 00:01

    no artigo acima esse merda escreveu que o movimento era de direita, hoje ele fala que é o psol e pstu. esse é um puta asinino desinformado e terrorista. vai beber cachaça, seu corno de gaiola.

  9. Jello Biafra 14.06.2013 às 23:05

    Excelente texto do Davis Sena. Textos assim não são alcançáveis por comentaristas como esse Luis. O A única coisa que o Aécin conseguiria, num remoto governo, seria sucatear (mais ainda) as fronteiras secas pro pó da bolívia e comlômbia chegarem mais rápido pro Rio de Janeiro… snifff… snifff…

  10. Max Kelpes 14.06.2013 às 22:12

    O artigo é explicativo e muitos não percebem como o jornalista conhece os bastidores da política e o que está por detrás do movimento em todas suas contradições e objetivos. Enquanto isso, as pessoas ficam se xingando e não aproveitam a oporltunidade de ler uma artigo tão informativo quanto este escrito pelo jornalista. É evidente que a imprensa escondeu o MPL e agora o mostra no governo Haddad e é incrível a violência da PM paulista, uma das mais fascistas deste país e que tem uma história de repressão e até de extermínio de ladrões e assassinos comuns e de militantes da esquerda armada. O Governo de Geraldo Opus Dei Alckmin é um dos mais conservadores do Brasil e dos últimos tempos. As ofensas não atingem o jornalista, porque ele não vai para de escrever e publicar.

UTOPIA DE HOJE PODE SER A REALIDADE DE AMANHÃ

UTOPIA DE HOJE PODE SER A REALIDADE DE AMANHÃ

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Voz das ruas dá grito de igualdade; estudantes vocalizam trabalhadores de todos os segmentos ao protestarem, no eixo São Paulo-Rio e em grandes capitais, contra sistema de ônibus caro, ruim e insuficiente; criminalizado nas ações brutalmente repressivas da PM dos governadores Geraldo Alckmin e Sergio Cabral, Movimento Passe Livre resgata vocação dos jovens em mudar e acelerar agenda conservadora; erro está em reclamar ou na barração ao diálogo para se encontrar soluções sobre problema crônico que envergonha o País?

 

15 DE JUNHO DE 2013 ÀS 07:08

 

247 – Rasgando uma cortina de gás lacrimogêneo, manchada de sangue e ao custo de centenas de prisões ocorridas no principal eixo urbano do País – São Paulo-Rio de Janeiro -, a questão do transporte coletivo nos grandes centros urbanos ressurgiu. Ou melhor, literalmente explodiu.

Tiveram muito mais o som de um clamor popular do que simplesmente um ato político estudantil as manifestações dos últimos dias, ocorridas também em Porto Alegre, Goiânia e Natal, contra o aumento das passagens de ônibus. Em apuração do instituto Datafolha, 78% do público paulistano considerou serem justos os protestos contra o aumento nas tarifas e a baixa qualidade do serviço oferecido.

Em qualquer grau, a repressão policial não terá o dom de resolver esse problema. Porque se trata de uma questão real, e não inventada por um punhado de jovens de classe média interessados apenas em fazer baderna. Ao contrário. Assim como, noutra geração de estudantes, na virada das décadas de 1970 e 1980, os rapazes e garotas que foram às ruas ajudaram a conseguir a anistia e, mais tarde, sustentaram a campanha das Diretas Já, agora, outra vez, eles não estão sozinhos. Ao seu modo, eles estão forjando uma mudança na agenda conservadora, para dar a ela aceleração compatível com o novo momento do Brasil.

DESCASO COMO REGRA – É histórico e reconhecido tanto pelo governo, como pela oposição, o descaso permanente das administrações municipais e estaduais com os serviços de ônibus, trens e metrô. Em São Paulo, há quase 50 anos prevalece o cartel das chamadas “sete irmãs”, as companhias de transporte coletivo sobre rodas que dominam a grande maioria das linhas da capital paulista.

No Rio de Janeiro, a população se acostumou a ter a maior desconfiança do seu sistema de ônibus, com raras opções para se locomover além da costumeira: a de chacoalhar ainda hoje em trens da década de 1950 pela crônica falta de linhas entre os subúrbios e o centro da cidade.

Em praticamente todas as capitais, licitações para modernização do sistema de transporte urbano têm sido raras, assim como são comuns os descalabros em torno de obras do metrô. Neste capítulo, Salvador, a capital baiana, que em dez anos construiu apenas pouco mais de um quilômetro de metrô, a preço bilionário, é o exemplo negativo mais gritante.

RENOVAÇÃO E AR CONDICIONADO – A exceção positiva está em Brasília. O Governo do Distrito Federal, depois de enfrentar boicotes do duopólio das companhias de ônibus das famílias Canhedo e Constantino, que dominam o sistema desde a fundação da cidade, em 1960, empreendeu uma licitação internacional que vai mudar, no segundo semestre, a face da atual situação.

Em lugar de ônibus com carcaças antigas, assentos desconfortáveis, pneus carecas e sem conexão entre suas linhas, a capital do País vai ganhar coletivos novos, com ar condicionado e integração de itinerários. Uma verdadeira revolução feita pelo Governo do Distrito Federal que, espera-se, tenha repercussões em outras grandes cidades. Uma mensagem didática de que, quando quer, a administração pública pode atacar o quadro de atraso cinquentenário verificado no setor.

Mas essa repercussão positiva não será fácil de ocorrer. Predominam entre os governantes interpretações arcaicas a respeito do verdadeiro sacrifício diário a que milhões de brasileiros são submetidos, todos os dias, ao saírem de suas casas em direção a seus postos de trabalho. Em coletivos antiquados, inseguros e superlotados, cujas tarifas demandam, por caras, acordos trabalhistas específicos, de modo a aliviar o bolso dos empregados, transferindo o ônus para a iniciativa privada, a verdade é que, todos os dias, em todos os grandes centros urbanos, o povo brasileiro viaja como gado. A questão dos subsídios tem de ser enfrentada. A má qualidade do sistema já não é mais aceita.

PERDAS DE QUATRO HORAS DIÁRIAS – Em São Paulo e no Rio chega-se a gastar duas horas de ida e outras duas horas de volta no deslocamento residência-emprego-residência. Assaltos, sequestros e até estupros viraram rotina. Quem já não ouviu relatos que afiançam esta informação? Trata-se de um dado da realidade, lançado como imutável. Não fosse assim, as primeiras reações dos governadores dos dois Estados, respectivamente Geraldo Alckmin e Sergio Cabral, não teria sido a de criminalizar o Movimento Passe Livre. O diálogo para entender as razões das entidades organizadas em torno dessa bandeira ficou, desde logo, em segundo plano. Armou-se a guerra antes de se dar uma chance à paz. O cenário para que a situação durante os protestos saísse de controle, com as cenas de violência que se seguiram, se desenhou neste momento em que as portas da negociação se mantiveram fechadas.

Da direita à esquerda, o que ressalta nas manifestações contra o aumento nas tarifas de ônibus é a sua base de sustentação. Goste-se ou não, os estudantes à frente tem, sim, justificativas históricas para reclamar em vias públicas. Não apenas porque a Constituição garante os direitos de reunião e manifestação, mas sobretudo porque apenas os hipócritas acreditam que o Brasil em algum momento de sua história tenha tido algum transporte coletivo minimamente decente. Os sistemas nacionais nunca chegaram aos pés dos existentes em nossos vizinhos, como a Argentina, de metrô buonairense datado do início do século passado, e, muito menos, dos Estado do primeiro mundo. Os trens balas que cortam o Japão, numa extrema sofisticação de um transporte coletivo bem resolvido, são ainda vistos no Brasil do século 21 como uma sonho inalcançável. No emergentes, o metrô russo é repleto de afrescos históricos. Os exemplos de soluções são muitos. Por aqui, entretanto, o que temos é pouco metrô e ônibus fortemente poluentes. Não mais.

Por sorte sem nenhum morto, mas com dezenas de feridos e centenas de presos, as manifestações nacionais do Movimento Passe Livre parecem ter despertado as autoridades para o problema. Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad resolveu abrir a palavra para seus representantes, que na terça-feira próxima falarão aos integrantes do Conselho da Cidade. É pouco? Sim, mas um começo que pode desaguar, como está acontecendo em Brasília, numa ampla renovação do velho e ultrapassado sistema de ônibus. Tardiamente, mesmo assim ainda é possível ultrapassar o modelo caótico que, de tempos em tempos, provoca manifestações e protestos. Repressão está trazendo, apenas, dor, vergonha e radicalização. Nenhuma solução.

 

 

COMENTÁRIOS

60 comentários em “Utopia de hoje pode ser a realidade de amanhã”

  1. Gatuso 15.06.2013 às 10:23

    CADÊ O PESSOAL DA UNE, CUT, FORÇA SINDICAL, MST E OUTROS… QUE PRIMAVERA É ESSA?

  2. Ex PT 15.06.2013 às 09:51

    É uma vergonha. O problema não é falta de dinheiro, o problema é o roubo feito pelos governantes e políticos, que não se importam com o povo e a justiça nunca pune nem condena ninguém. TEMOS QUE NOS REVOLTAR MESMO E PARTIR PARA CIMA DESSES LADRÕES DO POVO.

  3. onda de golpes 15.06.2013 às 09:06

    Esses protestos seriam justos se fossem feitos por quem usa o sistema de transporte público, e não por quem anda de Pajero, Hilux e Land Rover.

  4. PAULO CEZAR 15.06.2013 às 09:04

    POR QUE NUNCA HOUVE PROTESTO CONTRA PEDÁGIOS ABUSIVOS? PARA ANDAR DE CARRO O SUJEITO É PENTA_TRIBUTADO. ICMS. IPVA, CIDE, PEDÁGIOS E A INDUSTRIA DAS MULTAS. POR QUE ESSES BANDIDOS NÃO FECHAM OS PEDÁGIOS?. POR QUE NÃO SE FAZ UM MOVIMENTO PARA DEVOLUÇÃO DAS ESTATAIS DOADAS? MUITO ESTRANHO , CHEIRA A GOLPE. A POLÍCIA E O EXERCITO TEM QUE AGIR RÁPIDO.

  5. onda de golpes 15.06.2013 às 08:59

    Os gastos com as obras da Copa totalizam 22,4 bilhões de dólares. A receita será de 142,4 bi. Ou seja, um ganho financeiro de 120 bilhões de dólares, sem falar no imenso legado social, pois as arenas servirão pra muitas outras coisas além de jogar bola. Mas os neobabacas, que só pensam pikeno, não enxergam isso, e protestam contra o “desperdício”. Ora, quem pensa pikeno não cresce. Aliás, se Copa e Olimpíadas não trouxessem qualquer benefício, os europeus e americanos jamais teriam patrocinado nenhuma.

  6. POR BEM OU POR MAL, O TRANSPORTE COLETIVO TEM QUE MUDAR… 15.06.2013 às 07:29

    O transporte coletivo aqui de GOIÂNIA reúne milhares de pessoas em terminais, verdadeiros “currais”; depois transportam as pessoas em condição poior que o transporte de “gado”. Transporte desumano, péssimo e muito caro. Governos ajudam empresários a comprar ÔNIBUS; empresários lucram MILHÕES e devolvem algum $$$$ para as campanhas de candidatos de todos os partidos… Resumo da ópera: transporte atende apenas aos interesses de candidatos, governantes e empresários…AO POVO NADA…Por isso aqui em Goiânia só os mais pobres andam de ônibus. A classe média tumultua o trânsito com uma pessoa por carro; assim que podem as domésticas e os serventes de pedreiros compram uma motinha; os que não conseguem comprar a moto, andam 30 40 km de bicicleta…Ficam nos ônibus as mulheres, os demais trabalhadores de mais baixa renda e as crianças e jovens estudantes…

  7. ESCORPIÃO 15.06.2013 às 07:27

    E O TERRORISMO DA IMPRENSA, E DOS CANALHAS QUE QUEREM O PODER NA CERTA SÃO OS RESPONSAVEIS PELO QUEBRA QUEBRA. QUANTOS AUMENTOS ABSURDOS TIVEMOS NO DESGOVERNO TUCANALHAS E NADA DISSO ACONTECEU! SÃO BANDIDOS DESESPERADOS QUERENDO O PODER E USANDO A JUVENTUDE COM ESCUDO.

  8. Paulo Cesar G. da Silva 15.06.2013 às 06:25

    Esqueci de comentar. Alguém já viu alguma (ORTORIDADE) é isso mesmo, andando de trem, ônibus. Me avisem estou louco pra ver. Foda-se o povo. Este sempre foi o lema. Tem uma gravação da polícia federal (investigando corrupção pra vairiar né, em Santa catarina (não sei qual a cidade) que o prefeiro fala com um secretário que quer que o povo se foda.

  9. Paulo Cesar G. da Silva 15.06.2013 às 06:12

    Porra, não vi, não li, e não escutei ninguém falar nada sobre a retirada dos impostos (PIS-PASEP-COFINS) da folha de pagamento destes canalhas dono de empresas de ônibus. Eles deverião é diminuir o preço das passagens. Ou não? Tem um vídeo no blog conversa afiada onde aparece um policial quebrando o carro da polícia. É isso mesmo, o covarde está quebrando o carro. A PM tem que acabar. No Brasil não existe homem pra peitar esta bandidagem.

EM SÃO PAULO, A ORDEM É ENDURECER

EM SÃO PAULO, A ORDEM É ENDURECER

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Novos protestos contra o aumento da tarifa de ônibus, marcados para o bairro de Pinheiros, na próxima segunda-feira, serão duramente reprimidos; essa é a determinação do governador Geraldo Alckmin e do secretário de Segurança, Fernando Grella

 

15 DE JUNHO DE 2013 ÀS 11:04

 

247 – São Paulo tem encontro marcado com a violência na próxima segunda-feira, quando está marcado mais um protesto contra o aumento das tarifas de ônibus, desta vez, em Pinheiros. Quem informa é a colunista Vera Magalhães, da Folha. Leia abaixo:

Sem meia-volta – VERA MAGALHÃES – PAINEL

O governo de São Paulo vai aumentar o número de policiais destacados para acompanhar os protestos contra aumento da tarifa de transportes na segunda-feira, em Pinheiros. A despeito das críticas de violência policial anteontem, o Palácio dos Bandeirantes fez internamente avaliação de que os confrontos se deveram ao fato de a PM estar em desvantagem numérica. A ordem continua a mesma: evitar “excessos”, mas impedir paralisação do trânsito e depredação da cidade.

Pulso 1 
O governo acredita que o secretário de Segurança, Fernando Grella, falhou em evitar que a tropa fosse às ruas com sentimento de revanche em relação à tentativa de linchamento de um soldado na terça-feira.

Pulso 2 
Aliados de Geraldo Alckmin lembram que Grella é egresso do Ministério Público e desde que assumiu tem dificuldade de ser aceito pela corporação, que estava em meio a uma crise quando houve a troca na pasta.

Compras 
Na reunião de ontem, Alckmin reclamou do uso excessivo de balas de borracha pelos policiais. Grella respondeu que a PM não tem equipamentos de impacto intermediário, como armas não-letais e algemas de plástico, que serão adquiridos.

 

 

COMENTÁRIOS

6 comentários em “Em São Paulo, a ordem é endurecer”

  1. victor 15.06.2013 às 13:44

    Como é bom der “dimenó” nessas horas Pode vir esses vermes malditos da PM Dez mil fuzis não podem contra dez milhôes de facas #passelivre #policiafacista #direitoshumanos #3,20não

  2. Marcelo 15.06.2013 às 13:06

    Acreditem se quiser. O “combate” a essas manifestações populares tem um auditor e é mesmo que auditou os “occupys” ao redor mundo: chama-se USA. Não será de estranhar esses movimentos serem tratados como movimentos terroristas. A história nos dirá. Yankee Go Home

  3. José 15.06.2013 às 12:54

    Toda ação tem uma reação, agrediu a policia leva o troco, pena que a resposta ta muito fraca.

  4. Kassirim 15.06.2013 às 11:34

    O Chuchu tem a inteligência de uma ostra com paralisis cerebral.

  5. Pela Ordem. 15.06.2013 às 11:32

    É isso mesmo.Tem que ‘sentar’ a borracha nos desordeiros que tentarem bagunçar e quebrar o patrimônio público de da cidade.

  6. E TEM O APOIO DA POPULAÇÃO ORDEIRA DE SÃO PAULO 15.06.2013 às 11:15

    A PM tem o apoio incondicional da população ordeira e que trabalha em São Paulo. Tem que ‘sentar’ a borracha nos desordeiros que tentarem bagunçar a cidade. Os agitadores da Imprensa, nós já sabemos quem são, a grande maioria, nas redações dos jornais. Que se previnam, o pau vai comer como na última manifestação. Agredir policial fardado é crime e pode ser enquadrado na Lei de Segurança Nacional, que não foi abolida,

OPINIÕES

  1. Dr. Zé Roela 15.06.2013 às 13:58

    Acho interessante que os tucanos só descobriram que o País tem problemas de infraestrutura, na saúde, educação, transporte, fome, injustiça, corrupção, depois que o PT assumiu o poder….antes era tudo maravilhoso, vivíamos em um paraíso e não sabíamos…

INÍCIO DA COPA É DERROTA DOS FRACASSOMANÍACOS

INÍCIO DA COPA É DERROTA DOS FRACASSOMANÍACOS

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A despeito de uma capa de Veja, que previa que os estádios ficariam prontos apenas em 2038, a Copa das Confederações começa neste sábado com uma grande festa em Brasília; pesquisa Datafolha, feita para o Ministério dos Esportes, revela que 77% dos brasileiros são favoráveis à realização do Mundial de 2014 no Brasil e 67% apostam que o evento será um grande sucesso, deixando como legado positivo as grandes obras de infraestrutura

 

15 DE JUNHO DE 2013 ÀS 12:39

 

247 – Para os brasileiros, a Copa do Mundo de 2014 já é um grande sucesso. Uma pesquisa Datafolha, feita para o Ministério dos Esportes, já foi entregue ao ministro Aldo Rebelo, com os seguintes resultados:

1) 77% dos brasileiros defendem a realização do Mundial no Brasil.

2) 67%  acreditam que o evento será um grande sucesso, comprovando a capacidade de realização dos brasileiros.

3) 54% creem que o grande legado positivo será a entrega de grandes obras de infraestrutura.

Além disso, 67% dos entrevistados apostam que o Brasil levantará a taça, no Maracanã, em 2014.

Esta pesquisa, que entrevistou nada menos que 10.336 pessoas em 17 capitais, será repetida regularmente para aferir o humor dos brasileiros em relação ao andamento das obras e dos preparativos para o Mundial.

Esta imagem contrasta frontalmente com uma capa recente de Veja, que previu que as arenas ficariam prontas apenas em 2038. Todos os seis estádios da Copa das Confederações foram entregues e aprovados pela Fifa – os demais estão perto da conclusão.

Além disso, aeroportos importantes, como os de Guarulhos e Brasília, passam por melhorias. Galeão e Confins serão concedidos à iniciativa privada ainda neste ano.

O que se vê, na pesquisa Datafolha, é que os brasileiros estão bem mais felizes com a Copa do que seria possível deduzir a partir do relato de jornais e revistas.

 

 
 

Em São Paulo, vinagre dá cadeia

Luíz Müller Blog

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O repórter de CartaCapital (ao centro, de camiseta branca), em meio aos demais manifestantes detidos

Eu comprei uma garrafa de plástico de 750ml de vinagre por menos de dois reais nesta quinta-feira 13. Fui a um mercado no caminho para a manifestação contra o reajuste das passagens, que iria cobrir para o site da revista.

Explico o porquê.

Acompanhei o primeiro protesto de perto na semana anterior. Na avenida Paulista, tive contato com bombas de gás lacrimogêneo. No dia seguinte, pela manhã, tinha a impressão de que havia passado um ralador em meu nariz e em meus olhos.

No segundo protesto, na última sexta-feira 7, manifestantes que seguiam pacificamente foram recebidos com mais bombas na zona oeste da cidade. No…

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‘Foi mais do que truculência policial. Foi tortura’, diz Paulo Vannuchi

Luíz Müller Blog

‘Para os jovens que desejam saber como era o ambiente no tempo da ditadura, digo que era o ambiente desta quinta à noite’, afirma colunista da Rádio Brasil Atual
4o ato sp_ninja.jpgPara Vannuchi, no ato de ontem (13) a postura de vandalismo foi da Polícia Militar

São Paulo – O ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Paulo Vannuchi afirmou que a postura da Polícia Militar de São Paulo é inaceitável para uma democracia. Ele argumentou que a repressão a manifestantes e jornalistas faz relembrar os tempos da ditadura (1964-1985) e cobrou que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) revise sua posição.

“Um PM com raiva e ódio no rosto disparando spray de gás de pimenta contra um cinegrafista. As imagens de dias de um jovem jornalista do Projeto Aprendiz preso, e que policiais cercam o jovem, jogam no chão e o espancam. Isso não é repressão e truculência apenas…

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